Irreparáveis os conceitos emitidos pela nota oficial do sindicato e associação dos proprietários de jornais e revistas condenando o pronunciamento do senador Requião que atingiu institucionalmente os meios de comunicação social e especialmente os dirigentes dos dois maiores complexos da área, Francisco Cunha Pereira e Paulo Cruz Pimentel.
A missão foi exercida por Abdo Aref Kudri, o diplomata de plantão do setor, e que soube combinar o estilo educado da veemência com o desforço incontinenti dos agredidos. Falou em nome do patronato, mas também dos jornalistas em geral, na medida em que se tratava de resistir à pretensão de determinados setores da política pautarem os jornais, rádios e emissoras de TV.
Abdo defende a sua corporação com rigor, o que é o seu papel, mas não podemos esquecer que em 1963 quando de nossa greve - e quem a propôs fui eu - ao perceber que um setor do patronato tentava desfigurar o nosso movimento na conveniência da guerra fria, atribuindo-lhe ajuste ao clima de tensões que havia no país e com ligações ao Partido Comunista, velho macete da direita, decidiu colocar seu jornal ‘‘Diário Popular’’ a serviço de nossa causa para a elaboração do ‘‘Jornal da Greve’’, do qual editamos três números.
Acabou por essa razão denunciado como subversivo, embora isso não prosperasse em função do absurdo do enquadramento. E da mesma forma que interveio com sua lucidez em nosso favor, entendo, deveria agora ser o primeiro a propugnar uma autocrítica do sistema de comunicação, já que infelizmente ele tem sido um caudatário, como regra geral, dos vários governos, de Ney Braga para cá e que apenas, em episódios isolados, como a resistência de Paulo Pimentel aos transbordamentos autoritários de Leon Perez e mais tarde à opressão de Canet Júnior, no governo Geisel, em que se consumou a extinção da rádio Iguaçu e a transferência da programação Globo dele para o grupo de Cunha Pereira, vimos alguns sinais de luta da parte do prejudicado, mas sem apoio dos concorrentes.
Não fôssemos governistas por tradição, uma imprensa com aspectos nada sutis de ‘‘chapa branca’’, e Requião não ousaria fazer o ataque. Aliás, ele foi tão cultuado como governador que tinha espaço livre para arengas pessoais na TV e no rádio e também artigos assinados em jornais. Esse é o preço da deserção: cria-se o tirano pela renúncia a um mínimo de espírito crítico. Nunca é tarde para rever esse comportamento. O exercício crítico é irrenunciável e por isso mesmo inegociável. Relações comerciais entre governo e clientes devem ser muito bem pesadas e criteriosas para que não se negocie aquele ponto básico, para que a imprensa cumpra seu papel público, o de delegado da sociedade.
BIZARRICESexta-feira passada uma kombi da Xerox do Brasil foi buscar dois equipamentos que estavam na sede da Federação de Futebol por falta de pagamento. Telepar, por seu turno, foi lá e arrancou um telefone comunitário que estava sendo ocupado indevidamente e com fraude pela entidade através de ligação clandestina. Não pagou telefone, água e teve cortados os serviços. Comentário de um funcionário: o Onaireves não tem xerox, é inimitável.
SPRAY Hospital do Portão com duas caldeiras quebradas e mais uma autoclave também com defeito. Como se faz a assepsia? Mistério. É o Brasil descendo a ladeira.- Amanhã termina o prazo do INSS para a Federação de Futebol pagar o que deve, que tomou dos clubes (nacionais e estaduais em dois anos) e não repassou ao órgão federal. 5% em cada jogo dá milhões. Como não paga, INSS faz a denúncia formal na Procuradoria Geral da República. O enquadramento é duro porque muito analógico ao do ‘‘depositário infiel’’, um caso em que se admite prisão juntamente com o do não pagamento de prestação alimentícia.- BPTRAN é o primeiro a transgredir a norma da canaleta exclusiva quando faz suas blitze. E às vezes, nem adverte com a sirene.- Eis um tema espetacular para unir o Paraná e todo o Sul do País: logística da Petrobrás não acolhe a hipótese de Santa Catarina e o nosso Estado tirarem algum partido da exploração do gás que virá das plataformas do oceano.- Antes houve aquela discussão bizantina (se o poço ficava no Paraná ou Santa Catarina) e superado o debate inútil, eis uma hipótese de trabalho conjunto para tentar remover a decisão da megaestatal.- Lerner precisa pegar uma parada dessas para compensar as fragilidades reveladas nos bloqueios aos nossos empréstimos, onde a culpa do governo é considerável.- Por sinal, o Banco Central deu encaminhamento a gestões da Paraíba, Mato Grosso do Sul e Sergipe sem qualquer dificuldade.-
FOLCLORE Sindicato de servidores municipais da Lapa denuncia o prefeito Miguel Batista de pretender viabilizar a ‘‘Casa Blanca Forest’’ à custa da extinção do Fundo de Previdência para carrear recursos e compra de terreno, que doaria à empresa, e que, segundo o vereador Benedito Roberto Pinto, é de propriedade da família do burgomestre. Hoje à noite a matéria vai a debate e a oposição está dizendo que depois da epopéia do Cerco da Lapa, chega-se, no momento histórico das transformações industriais, ‘‘ao circo da Lapa’’.
CROMO A rosa de Drummond rompeu o asfalto e expulsou o tédio. A pedreira do Leminski guardou o agito e a vibração do animador cultural.
AFORÍSTICO Realidade imita a ficção: na novela ‘‘A Indomada’’ saiu o genro da Prefeitura de Greenville e entrou a sogra. Alborghetti sugere a primeira dama, dona Fani, em lugar do marido, Jaime, para o governo, por sua ação social.

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