Luiz Geraldo Mazza
Mostrando que é bom esgrimista, Rafael Greca, pinta de Zorro e corpo do sargento Garcia, resumiu numa frase o que achou do programa do PMDB que prometia ser um furacão e não chegou a vento sul: Vi no jeito do Requião falar um certo quê de Max Rosenmann na campanha eleitoral!. A melhor, no entanto, foi a ênfase no divisor de águas para a próxima eleição: quem for a favor dos R$ 10 bilhões de investimentos no Paraná vota com Lerner e quem for contra segue o Requião.
Essa simplificação é detestável por seu caráter redutor e que impede a visão de matizes. No entanto, é apropriada à pedagogia eleitoral, aliás adequada para deseducar o povo, como se vê na pauperização de doutrinas, via slogans, como se dá com o socialismo, o marxismo, a democracia. Essa cultura sincopada e feita para engambelar as massas acaba numa espécie de catecismo plebeu, feito precisamente para evitar a visão do intertexto e de qualquer acidente de percurso que leve a pessoa a pensar e a refletir fora daquela bitola.
Há um interesse da sociedade em conhecer a profundidade das concessões feitas não apenas às montadoras como a outros investimentos. É uma prioridade nacional que levou o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, a dizer que essas renúncias fiscais constituem uma privatização ousada do dinheiro público. E é mesmo, não há como contestá-lo.
Ocorre que o governo federal não tem um projeto nacional e nem se sabe o que pretende, com a reformatação do Estado, relativamente à federação. Daí deriva a guerra fiscal por não haver como evitar que as unidades tomem iniciativa. Os gaúchos, que pareciam perder a batalha, e cujas finanças estão em quebra, situação mil vezes pior do que o Paraná, depois da GM ganharam a Ford. Essa uma das razões por que não apareceram ontem para depoimento à comissão senatorial que trata da questão. Razão, também, para que o Paraná não abra os protocolos em primeiro lugar, afinal São Paulo e Rio de Janeiro, até por terem uma situação fiscal bem pior, mereciam a primazia da audiência por um fundamento cronológico.
Requião ameaça dramaticamente romper os acordos com investidores, se vier a ser eleito, e isso faz lembrar que ele foi um espantalho para iniciativas novas, sem falar que teve o máximo isolamento da representação federal, dado o tom personalista e centralizador de sua gestão. Mais um tema forte para farta exploração: pretende rever todos os contratos, baseados na Lei Aníbal Khury, sancionada em seu governo.
VINHETA Na próxima edição dos Jogos Mundiais da Natureza, ainda haverá quatis no Parque Nacional do Iguaçu? A pergunta é do Elísio Marques.
BATALHA CAMPAL A oposição aposta num desgaste do governo com os sem-terra, já que isso não funcionou, como esperava, na greve do magistério. Desejam vítimas de qualquer natureza, dos presos aos eventuais feridos. Tanto que vai montar, como se deu em Foz do Iguaçu, nos Jogos da Natureza, e na chegada do ministro Sérgio Motta, a claque da vaia e da provocação.
Antes de viajar, Lerner disse que os sem-terra poderiam ser agredidos por populares. Ocorre que populares, conforme a semântica esquerdóide, são só os que ficam contra Lerner e FHC. Estes não correm riscos. Ledo engano. Quando da demagógica invasão da avenida Luis Xavier, em Curitiba (com o propósito de tirar o brilho das festas natalinas do Bamerindus), pelos sem-teto da Ferrovila, mesmo com a cobertura notória da Polícia Militar, os manifestantes tiveram um mínimo de inspiração e se arrancaram quando viram a indignação que estavam provocando no povo comum, e que poderia redundar em agressão generalizada.
Que tal se grupos contrários à manifestação, ruralistas ou não, ou mesmo brigadas de áulicos do governo, tentarem ocupar o Centro Cívico antes da chegada dos sem-terra, a polícia vai ficar olhando? No Japão é assim, mas lá pelo menos essas lutas têm uma certa sofisticação coreográfica e no nosso caso será mau gosto mesmo, grossura levada à sublimidade.
BIZARRICE Outra do anarco-jurista Elísio Marques: Neste final de semana, já saberemos quem é o Cadeirudo e qual o teor do protocolo firmado entre o governo e Madame Renault. Caixa de Pandora ou saco de gases?
SPRAY Há um partido por aí que parece uma nau à deriva e que só se acerta se achar um porto seguro. Tradução: quer o porto de Paranaguá. Para decifrador, meia insinuação basta.- Talvez não tenha gasto muito, mas poucos políticos usaram os meios de comunicação como Requião. Basta lembrar dos artigos em jornais e de sua presença, mais de uma vez por semana, na televisão e rádio e da campanha que moveu contra o Judiciário, colocando-o na parede, explorando patologias não exclusivas daquele poder para, a um só tempo, indispô-lo com a população e garantir, pela fúria do ataque, a suspeição para julgá-lo.- Sérgio Motta disse que Álvaro Dias é o seu candidato. Isso não é novidade. Mas nem tudo que deseja dá certo, como se viu na questão Nilo Coelho. Aliás, entre os que o apupavam no Oeste havia gente ligada ao PT. que aposta num acerto geral incluindo o PSDB, o que é muito engraçado.-
FOLCLORE Quando o coordenador do Movimento Sem Terra, Roberto Baggio, apareceu no programa de TV, percebeu-se que era para levantar a bola de Requião, que no seu currículo, relativamente à questão da terra, tem a tragédia de Campo Bonito com quatro mortes, três PMs e o líder sem-terra Teixeirinha. Lembrou o outro Roberto Baggio, que errou o penâlti e deu o tetra pro Brasil.





