Ontem Requião deitou e rolou na televisão como estrela máxima do programa do PMDB animado por dois propósitos: ‘‘beliscar’’ candidatura presidencial em confronto com Sarney e Itamar Franco para manter-se na mídia e tentar o, cada vez mais difícil, retorno ao Palácio Iguaçu. Lerner não tinha a mínima idéia dos ‘‘torpedos’’ que o senador iria lançar contra o seu governo: uns diziam que haveria cinco acusações e que seriam formalizadas na Procuradoria Geral da República, outros entendiam que tudo se limitaria a denúncias genéricas sobre a situação financeira do Paraná, do Banestado, irregularidades em diversos órgãos estaduais, as concessões exageradas ao capital estrangeiro.
Antecipando-se à batalha que estaria por vir, Lerner, em Foz do Iguaçu, ainda na euforia do Jogos Mundiais da Natureza, criticados por Requião, voltou a um tema: o da suposta ‘‘loucura’’ do seu adversário. Lerner sugere que o senador passa por abilolado para garantir imunidade prévia, aquilo que os juristas chamam de ‘‘inimputabilidade’’, condição que preserva as pessoas de qualquer responsabilização criminal.
Na verdade, Requião é compulsivo na gaiatice, nem sempre espirituosa, com que costuma ‘‘brindar’’ seus adversários. O pior, para ele, é claro, é o fato de que as gozações que fez com a Cidade Industrial como um ‘‘campo de golf das multinacionais’’ jamais se firmaram em termos conceituais por se tratar de iniciativa vitoriosa. Da mesma forma, as caricaturas contra Lerner como um mero decorador de cidades não evitou as duas derrotas que sofreu contra ele e mais a terceira, com Cássio Taniguchi.
Requião é desejado como candidato pelo PT especialmente porque não tem quadros para eleições majoritárias (vide a votação de Tonelli para o Senado) e isso faz do partido uma linha auxiliar fatalista. Alinham-se nessa deputados com dificuldades de reeleição, e que passam a justificar-se em tortuosas razões ideológicas. Essa a razão do desespero, também, dos atuais deputados do PMDB que não enxergam outra perspectiva e mesmo assim sabem que não será fácil um retorno ao Legislativo com a nova correlação de forças.
Um reforço às invectivas de Requião foi a recusa do Banco Central aos três empréstimos do Paraná. Neste caso, o governo falhou por desídia e deu armas àquele que ao lado de Osmar Dias figurava como inimigo dos interesses de nossa terra. A não entrega dos documentos por falha da burocracia é incontestável obra de trapalhões e isso levantou a bola do oposicionista.
Quanto à inimputabilidade referida por Lerner, a de que o seu adversário passa por louco para ganhar uma tolerância extrema dos outros, ela se completa com outra acrobacia como a empregada por Requião contra o Judiciário: atacou-o de tal forma que o tornou sob suspeição para julgá-lo. E isso vai beneficiá-lo outra vez no julgamento pelo TSE da impugnação do seu mandato.
BIZARRICE Jota Carlos, observando a passagem do Papa pelo Brasil e a reação de FHC que perguntou qual solução a Igreja tinha para o desemprego, fez essa quadra: ‘‘A Santa Sé desprezando// Fernando Henrique provou// Não foi de Espanha o Fernando// e sim o inglês que reencarnou.//’ O trovador está se referindo a Henrique VIII num exagero compreensível.
SPRAY Primeira baixa do PDT reestruturado: o secretário Edmar Bolsi, na 25ª hora, saiu para o PSB.- Banco Central vai mandar arquivar por falta de provas as denúncias da CPI dos Precatórios. Para a desmoralização final de tudo só falta fracassar o ‘‘impeachment’’ do governador catarinense.- Ao perceber o odor da pizza, o orégano fortíssimo, Requião encaminhou relatório à Justiça.- Carvalhinho deu um baile sobre Mercosul no Chile e credenciou-se a ser ministeriável com a desincompatibilização do gabinete.- Batavo absorvida na hora da desnacionalização é assunto grave. Lerner deveria refletir sobre o lado perverso daquilo que vem estimulando: dá tudo para trazer empresas de fora e nada para manter as daqui, que pune com a discriminação.- Rafael Greca foi escalado para responder, se for necessário, aos ataques do PMDB. Promete bater de chinelas em Requião.- Quer se credenciar também para a postulação senatorial como o homem certo para enfrentar em Brasília a dupla Roberto e Osmar.- Álvaro Dias, em pânico, agora espera se aproximar do PPB para qualquer uma das hipóteses: o governo ou a cadeira senatorial. Tucano malufado.- Cesta básica de Curitiba, outra vez a mais alta do País. E ninguém explica por que, quando estamos próximos dos centros produtores, contamos com equipamentos como Ceasa, hipermercados, intermediação moderna. Seríamos trouxas tão somente?-
FOLCLORE Se Álvaro Dias for eleito senador, a Câmara Alta estará fechada aos interesses do Paraná por unanimidade. Esse é o raciocínio que pefelistas interessados na vaga estão desenvolvendo para que sejam neutralizadas as ações do Planalto, numa acomodação entre eles e os tucanos. Quem contesta lembra que o melhor exemplo vêm agora dos Estados Unidos da América do Norte e da França, onde o governo não consegue maioria parlamentar, mas nem por isso deixa de agir. ‘‘Aliás que tipo de ação se espera de Lerner?’ pergunta um tucano.
CROMO ‘‘Rosa suntuosa e simples,// como podes estar tão vestida// e ao mesmo tempo inteiramente nua?’ Hai-Kai de Mário Quintana sobre um dos vegetais mais poliédricos, daí parecer vestido e nu ao mesmo tempo.
AFORÍSTICO Não há canalhice maior do que ouvir político falando em moral e sugerindo-se como exemplo de virtude.

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