Luiz Geraldo Mazza
Lerner não está aproveitando devidamente o Bernardinho, técnico da seleção feminina do Brasil e que anda por aqui no projeto Rexona: concentração é um fundamento não apenas do esporte como da política. E se há deficiência visível neste governo, ela é a da ausência de um mínimo de concentração.
As bobeiras relativas aos empréstimos no Senado o demonstram: dois senadores dão um baile em toda a estrutura de poder estadual. Prova disso é a rapidez com que a resposta do Banco Central encaminhada ao presidente do Senado caiu nas mãos de Osmar e Requião. Ora, se houvesse gente do governo empenhada no ritual de acompanhar o assunto em todos os fronts não haveria o vexame. Para cada agente útil no Palácio Iguaçu há pelo menos cinco áulicos e puxa-sacos. Uma desproporção que ajuda o ego do governador e prejudica o Paraná.
Perdemos o direito de errar de novo no caso dos empréstimos: a invasão de Brasília pela comitiva de empresários (Requião os chamou de os sem-contrato para ridicularizá-los, uma injustiça no caso de algumas pessoas como Rubens Brustolin, que quando erra o faz com nobre intenção como neste caso) apenas encheu a bola do senador paranaense, fortaleceu o sentimento corporativo e criou uma atmosfera negativa às nossas pretensões. Procurávamos o caminho mais fácil, como aliás o governo insiste em trilhar, para contornar rituais que se acreditava inexistentes quando Lerner entrasse no PFL.
É indispensável que o governo aprenda que a sua certeza no jeitinho pelos caminhos tortuosos é respondida com implacável atenção da parte dos senadores em função de um dado elementar: se provarem que fundamentos técnicos é que estão decidindo a parada, livram-se da carga de desgastes que os atingiu e a transferem para o Palácio Iguaçu. Como raciocinar quando se acredita que os Jogos Mundiais da Natureza foram mesmo um sucesso? A fantasia anestesia: a certeza de que a virtualidade é mais importante que a virtude está posta.
DISTRIBUTIVISMO Não apenas os investimentos são mal distribuídos no Paraná. Também a renda, obviamente. E ainda os serviços de segurança: deslocaram gente demais para Foz do Iguaçu e os turistas de Curitiba pagaram com o assalto ao restaurante Porta Romana em Santa Felicidade. No dia anterior, quatro bancos assaltados. É Curitiba cada vez mais parecida com a Baixada Fluminense.
GLOSA Álvaro Dias reclamando da falta de lei de fidelidade partidária é de matar de rir. Inventou o PST, depois um PP e em seguida saltou para o PSDB, depois, é claro, da longa estada no PMDB. Ele, Max Rosenmann e tantos. É o roto rindo do remendado. Nesse assunto, ninguém pode atirar a primeira pedra.
BIZARRICE Atribuem a um notório piadista palaciano, de quem Lerner é o mais sensível do auditório, a frase de que se todos os sem-terra fossem como a Débora Rodrigues (inferior à Luana de O Rei do Gado, mas belíssima) seria o caso de levá-los não ao Centro Cívico e sim ao Palácio.
Até em piada este governo está indo para a segunda época.
SPRAY Enquanto o governo paranaense se arrasta, a Prefeitura de São Paulo, que esteve envolvida até o pescoço na CPI dos Precatórios, obteve aval do Senado para um empréstimo de R$ 300 milhões do governo federal.- Denúncias novas no programa regravado do PMDB: dentre elas uma relativa a superfaturamento com pãezinhos.- Como Lerner viaja, Rafael Greca recebe a incumbência de pleitear o direito de resposta, se for necessário.- Neste sábado, comemora-se o 25º aniversário da Escola Polivalente de Curitiba, bairro Boqueirão, apontada como paradigma nacional na condição de escola pública. O forte ali é o envolvimento da comunidade, via Associação de Pais e Mestres. É um dos raros casos em que a demagogia das eleições escolares tem sentido.- Virada na eleição da Associação dos Magistrados: Roberto Braga Bettega fez composição com a chapa encabeçada por Ruy Fernando de Oliveira. Um dos apelos que se faz à magistratura é o de que urge a união da classe contra a derrubada de seus privilégios em termos de aposentadoria.- Ao invés de lutar pela fórmula de banco público para o Banestado, como suporte do Fundo de Previdência, parte dos funcionários faz a pregação inútil da resistência à privatização com objetivo claro de explorar o tema para proselitismo eleitoral no ano que vem.- Pega mal servidor, político ou não, que deve dinheiro ao banco e é inadimplente, dar palpite.- Por ter dito que o prefeito Luiz Carlos Setim, de São José dos Pinhais, viaja demais, a professora Maria Helena Mourão de Andrade, diretora da escola municipal Elvita Pilotto Carrano, foi exonerada de suas funções. Ela disse que se o prefeito viajasse menos haveria grana para o material escolar. Essa pode, com sentido pedagógico, ser dita sobre o nosso governador também. -
FOLCLORE Orlando Carlini, com seu costumeiro humor corrosivo, assegura que a sensação dos Jogos Mundiais da Natureza estava em duas modalidades: a corrida de quatis e as provas de barra e trapézio dos micos da região. Outra coisa dele: os jogos provaram que a patetice dos que acreditam no virtual está defitivamente globalizada.
CROMO O sem-terra quer que sua causa seja mais acelerada do que o tempo dos frutos sazonados: busca amadurecê-la mais com a paixão do que com a razão.
AFORÍSTICO Feito o balanço das trocas partidárias, ontem deu para perceber que o Brasil, a despeito da existência do PT, é um tanto quanto impermeável à noção de organismos permanentes e tem no emergencial sua bateria dialética.





