Luiz Geraldo Mazza
Termina hoje o prazo de ajuste em filiações partidárias e já dá para fazer uma avaliação de quem cresceu e quem esvaziou. Nacionalmente o PFL, com sua vocação para o governo, bateu todos os recordes. Aqui no Paraná, então, por culpa de sem-votos, o PSDB deixou de constituir-se no maior partido para transfigurar-se em micro-organização no culto ao alvarismo, e ao governo não houve alternativa senão a de bifucar-se entre PFL e PTB.
O mal da direção tucana no Paraná é a obsessão da revanche: Hélio Duque foi ao extremo de ir à Justiça para pleitear a inelegibilidade de Requião com quem disputara o Senado apoiado por Lerner, e na sequência não foi sequer cogitado para integrar os quadros do governo; Álvaro Dias, o derrotado, e que jamais prestara qualquer serviço ao PSDB, é ungido na agremiação para também fazer aflorar o sentimento de retaliação e revide. Achavam-se, na obstinação em impedir a entrada de Lerner, uma espécie de linha Maginot, aquela que se acreditava inexpugnável na Primeira Guerra Mundial, e subestimaram o fulgor do poder. Resultado: o partido secou como se fosse um rio sazonal como aqueles do Nordeste e não um permanente daqueles que suportam a pior das estiagens.
Ninguém perdeu mais do que o PSDB, mas como se tenta dar a idéia de vitalidade, bolaram uma piada sobre o nosso governador, afinal isso pelo menos mostra de relativo bom-humor. Ei-la como é narrada por aí:
O cidadão Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, vai a uma repartição federal e os burocratas exigem a sua carteira de identidade e CPF. Ele protesta dizendo que todo o mundo o conhece e dá um salto daqueles com o soco no espaço para identificar-se. Os chatos exigem os documentos. Aí aparece uma bola e Pelé faz embaixadas, dribla os funcionários, dá uma bicicleta, faz tabelinhas com cestos de lixo e pés de cadeira e então o aceitam sob vigorosas palmas.
A seguir quem se apresenta é o Adib Jatene e repete-se o ritual: querem a carteira de qualquer jeito, o homem diz que criou o IPMF, dá uma aula de anatomia sobre o aparelho circulatório e só é reconhecido no momento em que se dispunha, já com um bisturi à mão, a fazer uma cirurgia cardíaca.
Aparece depois o Roberto Carlos, o cantor, que precisa recorrer aos sucessos de várias épocas para a identificação. Chega, então, a vez de Lerner que estava também sem a identidade. Já calejados pelas experiências anteriores e, para economizar o tempo, perguntam-lhe o que está fazendo e ele responde nada. Com a resposta é prontamente identificado: se faz nada só pode ser ele mesmo, o governador.
É uma piada de tucano de plumagem antiga. Engraçada, mas traduzindo somente impotência, às vezes a única forma de revanche quando se perde as esperanças.
SCAPS Na solenidade de entrega de medalhas (114 anos da Polícia Civil) era para ser homenageado o delegado Leonil Ribeiro. Como ele não estava e havia outro Leonil, o Cunha Pinto, este acabou condecorado.
IRONIA A Gazeta do Paraná, de Cascavel, virou notícia nacional porque sequestrou virtualmente Lerner da cena junto ao presidente FHC na foto oficial da abertura dos Jogos da Natureza. Os jornais nacionais deram o maior destaque ao assunto por seu caráter insólito e há quem diga que o fato já ganhou a Internet e registros na imprensa mundial. Ainda ontem, uma frase do diretor do jornal, Marcos Formighieri, chamando o governador de ladrão, saiu na Folha de S.Paulo.
Como vai haver um processo óbvio por crime de imprensa dá para imaginar a necessidade de buscar um matemático para calcular o pedido de indenização, na hipótese de a fala sair em jornais de milhões de exemplares e na Internet.
Tem o lado irônico observado pelo PMDB: quem faz governo virtual pode sofrer um sequestro numa foto, igualmente virtual. Similia similibus curantur - está aí o princípio da homeopatia.
BIZARRICE Na rádio CBN comentava-se a coincidência de a primeira dama, dona Ruth, ter defendido o aborto, na primeira página de jornais que anunciavam a vinda do Papa e sua postura radicalmente contrária ao tema. O repórter Marcos Tozzi deu de bate pronto: Ela não tem papas na língua.
SPRAY Prefeitura de Araucária anulou concorrência ganha pela Consilux (que teria um deputado federal como sócio) por ter a proposta em desacordo com o edital.- Requião quer mudar o programa do PMDB e nele incluir a negativa do Banco Central aos empréstimos. Agilidade de Requião mostra que o governo tem gente demais bajulando e poucos cuidando de missões como essa.- Ao invés de fazerem a autocrítica para reconhecer seus erros como a não entrega dos documentos requeridos e a falta de zelo (detetivesco) em acompanhar o assunto tanto no Senado como no Banco Central, ficam acusando Requião e Osmar Dias, o que agora já não convence tanto como antes.- Terça-feira, árbitros foram aos exercícios físicos no Pinheirão e encontraram tudo escuro. A Copel havia cortado a luz por falta de pagamento. Anteontem, às duas da tarde, a luz voltou porque houve o pagamento.-
FOLCLORE Governo estuda um recuo em sua decisão de impedir acesso de sem-terra ao Centro Cívico por temer efeito pior. Renato Aragão, cada vez com mais inveja das trapalhadas geniais, reconhece que tem gente melhor do que ele no ranking da especialidade.
GLOSA Batavo pode ser absorvida pela Parmalat: Lerner dá tudo para a Renault e deixa talhar o leite das cooperativas. Multinacionaliza e desparaniza.





