LUIZ GERALDO MAZZA
O terceirizador
Para a história, Jaime Lerner vai passar como o maior terceirizador de obras e serviços: toda energia da Usina Elétrica a Gás de Araucária é comprada pela Copel, sócia minoritária, e a preços altíssimos que vão acumulando prejuízos na estatal. Claro que sempre há explicações e essa aquisição impositiva decorreria de exigências contratuais, uma vez que a usina não produz o suficiente para repassar ao Operador Nacional do Sistema.
Na medida em que as caixas pretas das 29 parcerias forem conhecidas e isso vai ocorrer de qualquer modo com o novo governo, já que existe uma recusa formal para revelá-los agora na transição, o que presume safadeza da grossa veremos o quanto o nosso governador seguiu aquela frase clássica de Hamlet ao se referir ao fato de que na loucura pode haver método. Terceirizar é uma das formas mais suspeitas de privatização que existe como no caso das multas eletrônicas do trânsito que, apesar de devedora da Fazenda Pública, ganha o direito de levar comissão sobre atividade indelegável.
Agora o governo gasta uma fortuna sem ouvir a comunidade cultural da área como artistas e museólogos para montar um Museu de Arte gigante em aberta desobediência ao Plano Diretor do Centro Cívico e ainda por cima não saciado com mais uma prodigalidade, despojada de qualquer senso de prioridade, trata de terceirizar a instituição como se o dinheiro público nela empregado fosse algo apropriado a concessões. Caberia ao governador eleito fazer já o que for possível em termos de interpelações judiciais para não assumir amanhã com fatos dados como consumados e irretratáveis. A luta, pois, não pode se limitar a polêmicas em torno do pedágio, simplemente porque ganhou assento dramático na campanha eleitoral, mas ir fundo no exame de todas as concessões e parcerias. Se uma decisão dramática e traumática foi adotada como a de exigir a suspensão das licitações da Sanepar, indispensável é que vá adiante em outras medidas, alicerçadas na prodigalidade e no protecionismo aos amigos do rei como ocorreu com as parcerias da Copel e se dá em quase tudo o mais.
BIZARRICE O governo paranaense é incrível: dá tudo de mão beijada a parceiros como se fez com o Banestado na passagem ao Itaú e depois fica na dependência de um comodato para o uso por funcionários do Complexo de Santa Cândida.
AXIOMA Como dizia Luis XIV, Rei Sol: depois de mim, o dilúvio. Se houver, a Sanepar não estará preparada para captar o aguaceiro. E se o fizer, sócias multinacionais e nacionais levarão alguma vantagem.
GLOSA Solução para o Fórum de Curitiba não há (o advogado Rodolpho Lincoln Hey propôs ação cível para apurar irregularidades até hoje não decidida), mas é simples um ato imperial criando um museu que não constou, em qualquer momento, do plano de obras do Centro Cívico.
EPIGRAMA Uma terapeuta deu extrema importância ao fato de o pai de Suzane Louise, a mandante do duplo homicídio dos genitores, ter dado palmadas na filha rebelde. Tornou esse trauma quase maior do que o massacre dos pais. O Brasil está perdendo a capacidade de pensar. Nossa crise é de filosofia.
FOLCLORE O Plano Fome Zero tem que resolver pendências conceituais: por que, quando e quantos atender. Estudo da FAO recente indica que há um subnutrido em cada dez brasileiros, o que reduz as dimensões imaginadas. Superdimensionar a fome pode redundar numa super fartura e numa super fatura.
CROMO Imagino-a só envolvida nos seus pensamentos, sem nenhum para mim.
AFORÍSTICO Quantos ônibus iguais, sob o ponto de vista mecânico, ao do drama dos excursionistas de Londrina havia em nossas praias no feriadão? Muitos. E que fim levou o plano de inspeção veicular que deveria ser rotina?
VINHETA Lerneristas sugerem que vamos ter saudades do governador. Além de tudo que aprontam, e que futuras gerações deverão pagar, ainda são gozadores.





