LUIZ GERALDO MAZZA
O novo Requião
Durante a campanha não poucos aliados do governador eleito afirmavam que o seu convívio no Senado o amadurecera. Como no andamento dos debates e da campanha adotava uma postura ''zen'' a presunção parecia confirmar-se até que no retorno de uma de suas viagens percebeu que o número de assessores do grupo de transição aumentara em progressão geométrica, tantas eram as subcomissões, e resolveu estancar a incômoda elefantíase que já servia de reduto de pretensos interessados em postos no primeiro e segundo escalões.
Está aí uma prova de que o estilo não foi mudado. No caso inteiramente coberto de razão. Dá para imaginar o crescimento que nem cogumelo, aquele por cissiparidade, de câmaras setoriais e dentro em pouco a tenra árvore acabaria se transformando num gigantesco baobá. E também num imenso oba-oba.
Exigiu que houvesse a centralização das informações obtidas sem o que uma Torre de Babel comandaria esse trabalho. Dificilmente o novo governador e aí também é uma questão de estilo aceitará como verdadeiros os dados que Lerner e sua equipe apresentarão. Já o demonstrou pedindo o cancelamento do concurso do magistério, a suspensão (a matéria é contratual) do reajuste do pedágio e também a das licitações da Sanepar.
A manutenção do diálogo e que é transitório como o sentido essencial das duas comissões é um esforço de elegância para sugerir civilidade de lado a lado. Esqueletos serão retirados do armário e expostos, se as circunstâncias favorecerem.
O fato é que se Alvaro Dias ganhasse a eleição, até por sua compulsão pelo marketing do moralismo, dá para imaginar que o quadro seria dantesco. Basta recordar o seu modo de agir na sucessão de Richa, seu correligionário e cabo eleitoral, quando armou a cascata das prisões que deram em nada a não ser espetáculo na mídia. Lerner sucedeu Requião na prefeitura da Capital e nada houve em retaliação. Quando pegou o governo alguns setores tocaram medidas que já vinham sendo perseguidas por Mário Pereira como a das notas frias e a do superfaturamento dos helicópteros. Em suma é possível que tudo possa ocorrer, inclusive nada.
BIZARRICE Como o Ministério Público (PIC) dá andamento ao caso dos grampos telefônicos do Palácio Iguaçu é possível que em breve os ''Jogos da Safadeza'' entrem na mesma linha. A liberação do Nakamura pelo Tribunal de Contas levou o conselheiro Nestor Batista a pleitear o envio do processo aos promotores.
AXIOMA Não são apenas professores com salários atrasados. Até os artistas da Sinfônica do Paraná estão nessa. Quando o maestro falha nada funciona.
GLOSA A versão de Requião, levada à televisão, sobre o que poderia ter dado origem ao atentado contra o deputado Tiago Amorim dá bem a idéia de que não abandonou seu gosto detetivesco. No primeiro governo costumava estar no meio das blitze policiais.
EPIGRAMA Prefeitura da Capital está fazendo campanha contra a esmola, afinal o Caixa 1 (ou seria o 2?) dos pobres.
FOLCLORE Só falta agora um peemedebista radical querer colocar no Museu gigante de Lerner os esqueletos de armário da administração anterior.
CROMO Suas mãos lírio pênsil falam tanto quanto o olhar.
AFORÍSTICO Haja renovação: deputados querem Hermas Brandão presidente.
VINHETA Há quem esteja mais preocupado em envergar a estrela de xerife do que a vitoriosa e mítica do PT.
SCAPS A partir de janeiro Lerner fará o mesmo que encarava no governo: muitas e mais frequentes viagens ao exterior; ao Interior, nem pensar.
SILOGISMO Retirar alambrados do Centro Cívico é homenagem ao sesquicentenário.





