LUIZ GERALDO MAZZA
O temerário como risco
Levantada, embora sem provas claras, a suspeição sobre licitações que a Sanepar iria fazer ao governador que sai, Jaime Lerner, não houve opção que não fosse a de suspendê-las, ante o pedido nada cordial do governante que entra, Roberto Requião. O governador acertadamente exigiu em contrapartida que o seu sucessor assuma, por escrito, os riscos da medida, entre os quais o da perda dos recursos do banco japonês que se dispôs a financiar 60% das obras.
É muito fácil aos políticos adotar medidas para indispor adversários junto à opinião pública sem considerar os seus efeitos. Faturando uma ''atitude'' politicamente, esquecem que podem comprometer o Estado seja com a perda de recursos e até a indisposição de organismos financeiros e o estancamento de obras indispensáveis.
Como não se costuma personalizar no Brasil a responsabilidade de gestões temerárias, já que os problemas são transferidos de uma administração para outras, estaria na hora de criar algum dispositivo bem definido para obter base para o enquadramento individual. Por exemplo: quando Roberto Requião era governador resistiu, como antecessores e seu sucessor, a ordens judiciais e teve que encarar um caso de intervenção federal por causa da ocupação da Fazenda Can Can. Fazia parte do espólio de gestões anteriores e, às pressas, o governador providenciou nova área para assentar os despejados. Pois bem: de posse da sua propriedade, o dono entrou com uma ação indenizatória (teve gado roubado, instalações depredadas, um reflorestamento queimado) e tem tudo para vencer a demanda. Como descobrir no processo em que ponto poderia ter o agente público atuado temerariamente, eis a questão?
Alvaro Dias sustentou contra a CR Almeida a batalha judicial de Segredo e no governo Lerner o conselho e diretoria da Copel, alegando que perderiam tudo na justiça, fizeram acordo o poder concedente e a empreiteira na base de uma razoável fortuna em R$ 90 milhões. Está na hora de criar um mecanismo que proteja o Estado, o contribuinte e responsabilize o temerário. Que no caso tanto pode ser quem lhe deu causa como aquele que fechou o acordo.
Situações semelhantes se dão em nível nacional e como terminam para nós, os contribuintes, como mais um ônus a absorver emplacaria bem uma vacina.
BIZARRICE Professores reivindicando: assim começam e terminam governos. Greve banalizada, nada mais. Será que eles nada têm a ver com os resultados trágicos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) que caem de ano para ano?
AXIOMA A polícia está prendendo polícias e fornecendo provas ao Ministério Público. Isso deveria ser rotina e não fato incomum.
GLOSA Lerner viajou outra vez, agora para Veneza. Seria poético se encontrasse por lá o Rafael Greca de gondoleiro transportando Margarita.
EPIGRAMA Se o ISO certificasse qualidade de governo agiria de forma parecida como a nossa mídia tradicional. Na hora da saída, o ISO cairia e subiria com a entrada do novo governante. Vamos revogar já a Lei da Oferta e da Procura.
FOLCLORE Como Lerner numa viagem a Londres foi atropelado no trânsito é de esperar-se que não permaneça em Veneza, horas e horas, aguardando um táxi.
CROMO Você é uma rosa, eu sei. O que não entendo é como esse orvalho matinal permanece, brilhante lapidado, a iluminar suas pétalas e sépalas.
AFORÍSTICO Nossos políticos emagrecem e ficam cada vez mais levianos.
VINHETA Verdades da internet são cada vez mais parecidas com as palavras dos nossos políticos. Encontrá-los verdadeiros é como buscar virgem em Hollywood.
SCAPS Pelo jeito Requião assume a Segurança: sugeriu saber como se deu a morte do deputado Tiago Amorim até agora não decifrada.





