Quando se apregoa a qualidade paranaense ou curitibana de ecológica, o que é facilmente contestável, costumo fazer um trocadilho: o de que há muito eco e pouca (talvez nenhuma) lógica na questão. Amanhã se iniciam os Jogos Mundiais da Natureza e até ontem ainda se balbuciava, nos meios palacianos, que a usina termelétrica do litoral sairia, posto que já surgissem as primeiras reações internas no seio do governo, sem falar nas notórias da própria Copel.
Nesse evento do Oeste, Lerner tenta manter, e agora até em escala mundial, essa aura de ambientalista de primeira hora, o que é apenas marketing mesmo em se tratando da Capital. No meio da semana, em função de publicação na imprensa dos enfoques havidos por cientistas como Goldemberg e Luis Pinguelli Rosa e de outros participantes, como o almirante Ibsen de Gusmão Câmara, no andamento do ‘‘Fórum’’ da Universidade Federal, houve a notícia das primeiras reações, de traço mais concatenado no interior do governo, contra a opção termelétrica.
A Copel saiu dos debates porque percebeu que o assunto estava politizado e que se reproduziriam acusações genéricas no sentido de favorecer a Inepar, o que não se reduziu mesmo depois dos desencontros entre Mário Celso Petraglia, tesoureiro de campanha eleitoral e dirigente daquela empresa, com Lerner. A Inepar estaria sofrendo o ônus das desconfianças da concorrência e de setores políticos que gravitam em torno dessas clientelas e isso se deu claramente no caso da subestação da Renault, primeiro deferida à empresa e depois anulada.
Restrições serão feitas certamente quando da discussão de outra termelétrica, esta a resíduos de petróleo, na Região Metropolitana, em consórcio que terá a Copel, Petrobrás e Inepar. A Petrobrás, em que pese o seu traço de ícone quase religioso (expressão da soberania nacional e outros clichês discutíveis), não goza de muita simpatia entre os ecologistas por sua ação nos derramamentos de óleo no oceano e a ausência de cautelas em refinarias como as de Cubatão e a nossa aqui de Araucária, acusadas de serem a origem dos casos de crianças que nascem sem cérebro (anaencefálicas), isso sem falar em outros aspectos da qualidade final dos seus produtos.
Lerner perdeu a chance de mostrar-se justo nas questões fundiárias por prender 29 sem-terra e nenhum fazendeiro. Se o fizesse, não seria apenas justa como ‘‘pareceria’’. E vai parecer um poluidor de primeira linha se mantiver a idéia insensata de fazer a termelétrica a carvão no litoral.
CRISE Querem uma evidência da crise? Basta perceber que há 200 mil candidatos a um emprego de técnico do Tesouro Nacional (nível segundo grau, inicial de R$ 2 mil) em todo o país. Aqui no Paraná e Santa Catarina, para as 45 vagas há perto de 25 mil candidatos. Exames serão no fim desta semana e há muita gente com terceiro grau completo disputando as vagas.
COERÊNCIA Associação dos Magistrados comemora a manutenção dos privilégios da categoria, obtida no Senado, na lei da previdência. Guilherme Luiz Gomes, presidente, está pedindo à categoria que mande fax aos senadores Osmar Dias e José Eduardo de agradecimento ao apoio à causa. O senador Roberto Requião e o pessoal da esquerda (PT mais PPS) votaram contra.
Coerência dos magistrados: se não defendessem o princípio, não poderiam fazê-lo em favor de outras categorias que pleiteassem o ‘‘direito adquirido’’.
Coerência da oposição: não se pode falar em democracia moderna numa sociedade de massas quando se sustentam resíduos de uma estrutura de castas. A palavra privilégio tem origem em priva lex, lei privada.
BIZARRICE No fórum sobre matriz eletroenergética, o vereador Samek sugeriu que nem Requião e muito menos Greca poderiam participar porque o primeiro trataria de choque elétrico e o segundo de ‘‘termas’’. Estas, as de Caracala.
SPRAY Banestado aprova empréstimo de R$ 36 milhões à Casablanca, aquela empresa que vai se instalar na Lapa. Olho nas satélites que vem por aí.- Sobre essa fase urge tomar cautelas para que a futura Agência de Fomento não se transforme numa UTI de empresário inadimplente.- Fala-se que como Fênix, grupo paranaense que quebrou na área do couro estaria se reorganizando em cima desse novo surto como vinculação às automotivas.- Iporã tem um motivo especial para se ligar nos Jogos da Natureza: o cartorário Protógenes deixará carimbos e selos para disputar, junto com o Rayol, como representantes brasileiros daquela cidade, nas provas de pesca com isca artificial no barco Promar II.- Duas chapas devem disputar a sucessão na Associação dos Magistrados: Roberto Braga Bettega pela situação e Ruy Fernando de Oliveira pela oposição. Ruy, na juventude, era integrante do conjunto ‘‘Calouros do Ritmo’’ e é irmão do Luiz Cesar de Oliveira que promoveu a greve de 100 dias e tentou o ‘‘impeachment’’ de Requião.- Por falar em Requião, ele está tirando o maior sarro em cima dos Jogos da Natureza, alegando que o presidente FHC deve acautelar-se com relação a um dos promotores, o Osvaldo Santos, da Leasing.- Governo deve recuar mesmo na questão da usina a carvão.- O Rainha esteve no Noroeste dando solidariedade aos sem-terra presos. Isso está lembrando Porecatu, anos 50.-
FOLCLORE Como o PT anunciou que vai soltar 29 pombos na abertura dos Jogos para simbolizar os sem-terra presos (aquele que mataram em Campo Bonito, o Teixeirinha, não defendeu por oportunismo), só falta a turma da UDR liberar falcões para atacá-los. Não deixa de ser um jogo da natureza.

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