LUIZ GERALDO MAZZA
O convívio difícil
Não nos iludamos com a falsa civilidade do processo de transição nacional e regional, e que se repete em outras unidades. Tranquilidade mesmo, pelo jeito, só nos casos de reeleição e olhe lá. Ocorre que há uma coisa da qual a classe política não abre mão, a de prestar vassalagem à sociedade do espetáculo.
Ambos os lados governo que entra e o que sai costumam ocultar as suas intenções e, é claro, os dados verdadeiros como de resto o fazem, e isso por tradição, relativamente ao povo que lhes dá sustentação. Aquilo que é normal em São Paulo, por exemplo, na convivência entre a mega-prefeitura do PT e o Executivo estadual do PSDB se daria, nesse mesmo nível, por aqui?
Quando Lerner era prefeito e Requião governador tivemos, por exemplo, um caso paradigmático: o da invasão da Ferrovila, promovida por gente da base oficial e ainda por cima com a omissão da Polícia Militar que nada fez para coibí-la. Na sequência houve também conflitos nos esforços de integração do sistema de transporte coletivo em trombadas entre a Urbs e a Comec.
Um certo grau de conflito é até admissível e necessário quando esses vasos comunicantes da gestão pública não têm uma definição muito clara de limites de competência e de jurisdição. O convívio da gestão das capitais com os governos é uma imposição da evolução democrática até pelo fato de os centros, ainda mais quando metropolitanos, terem massa mais politizada e por tradição votarem nas oposições. Tal se viu por aqui nos maiores centros urbanos com exceção de Curitiba nas últimas eleições municipais. Ao que consta Londrina, Maringá e Ponta Grossa não sofreram discriminações.
A despeito das divergências que existem (e profundas, vide a denúncia do Caixa 2) é possível e indispensável a convivência, mesmo que necessite de uma relativa dose de atritos, desde que colocada em níveis suportáveis.
BIZARRICE Adeptos de Requião dizem que o governador de 2003 será muito mais maduro do que o de 1991 e citam como transição importante a passagem pelo Senado. Até para a maturidade há parâmetros. Não pode passar do ponto. É que nem comida: quase cru, ao ponto e bem passado.
AXIOMA Analista, cúmplice permanente do cliente, é um psicavalista.
GLOSA A liberdade sexual excessiva transformou o amor platônico em perversão.
EPIGRAMA Agora, com a hipótese do aumento de 90% dos parlamentares, haverá o desfile dos que posarão de contrários para faturar hoje a circunstância na área política e psicossocial e amanhã no guichê.
FOLCLORE Falei aqui ontem da hipótese de um Chê Guevara passar pelo Litoral e acabar com um apelido em Paranaguá ou Antonina como ''Tossinha'', embora fosse mais um carismático do que um cara asmático (essa é do Lerner sobre ele e a sua patologia das vias aéreas). Bastou isso para que ligassem de Pato Branco afirmando que em meados dos anos 70 o Chê e mais três barbudos passaram pela cidade e esgotaram o chocolate de um dos bares da cidade. Petistas não eram porque aquele tempo havia escassez deles.
CROMO Não é apenas no mundo vegetal que parasitas, orquídeas por exemplo, são mais majestosas do que a árvore principal.
AFORÍSTICO O petróleo é nosso. O lucro excessivo, da Petrobras. A pobreza vai ter que voltar ao fogão à lenha. Se os ecochatos deixarem, é claro.
VINHETA Abordagem policial, do jeito que é feita, lembra mais abortagem.
SCAPS E essa dissimulada austeridade de políticos como captá-la e, ainda por cima, sem deixar-se cooptar?
ASTERISCO Na França querem acabar a prostituição proibindo as profissionais de atrair clientes. Políticos, religiosos e banqueiros continuarão podendo.





