LUIZ GERALDO MAZZA
Requião, um agregador?
Como o modelo Lula se impõe ao País como vitorioso na medida em que busca a concórdia, o consenso e mais alianças do que as obtidas nas eleições, sugere-se que seria bem recebida no Paraná uma linha comportamental assemelhada por parte do governador eleito, Roberto Requião. Apontado sempre como paradigma da desagregação e não apenas por seus adversários, em função do estilo explosivo, o senador derrubaria todas as expectativas de traço negativo sobre sua futura ação no governo caso adotasse postura assemelhada a do presidente.
Como, porém, agregar e contemporizar, naqueles campos em que adotou posição beligerante como o da Secretaria de Segurança, da qual se diz determinado a remover toda a banda podre, como no das concessionárias de pedágio para as quais reserva até a disposição de romper contratos, apesar dos riscos em que isso, de uma forma clara, implicaria? Se adocicar a linguagem não será olhado pelos empreiteiros e sua poderosa organização como sereno e sim como recuo. Da mesma forma se persistir na oratória candente, sem a prática de atos efetivos de pressão sobre esses privilegiados, não será levado a sério.
Remover a banda podre, se é que ela não se oculta no mimetismo até mesmo da eficiência, não é fácil, posto que este governo, o de Lerner, tenha tido, mais recentemente, novas provas e evidências de que personagens já visados pela CPI nacional aí aparecem em gangues de roubos de cargas e desmanches de veículos. A evidência de que a classe política, através de alguns dos seus delegados, aí aparece com destaque está mais do que comprovada na cobertura que pretendeu dar aos envolvidos num homicídio em Campo do Tenente já devidamente listados pelo Ministério Público e o Judiciário. Agora também o Ministério Público retomou as investigações da morte do dirigente do PPS, o Donha, em Almirante Tamandaré, que alguns setores pretendiam lançar no esquecimento.
Requião, de um lado, é levado a manter a impaciência e de outro a fazê-lo de uma forma balanceada para que não seja olhado como um inquisidor. Se conseguir equilibrar essa operação e unir a maior parte da sociedade, como obteve nas eleições, poderá passar a ser visto como o arquétipo adverso ao tido como dominante na condição de aglutinador e, portanto, um agregador.
BIZARRICE Requião, fazendo blague, sugeriu que poderia suceder Lerner também na União Internacional dos Arquitetos. Ocorre que Lerner é arquiteto e Requião cursado em Desenvolvimento Urbano. Na verdade o que ambos mais precisam é justamente de agir com a máxima urbanidade.
AXIOMA O novo governador tem restrições aos critérios do concurso de domingo próximo dos professores. Governos normalmente dão as costas aos concursos. Aníbal Khury era contra porque só privilegiavam japoneses e comunistas.
GLOSA Saem de campo o lernerismo e o alvarismo. Entra o osmarismo. Se Osmar fosse o candidato, Requião disputaria o Senado, como todos sabem.
EPIGRAMA A caravana lulista de BMW em Brasília, como símbolo, não se ajusta com a pregação petista por valores nacionais e mercado interno. Parece coisa de novo rico e deslumbrado. Lembra um pouco o Collor.
FOLCLORE Se Requião não tivesse emagrecido, seu encontro com Jaime Lerner poderia ser num tatami de sumô.
CROMO A candidez em Candice é caso extremo de redundância poética.
AFORÍSTICO Um executivo da Heads, Cláudio Loureiro, alavancou de 4% para a vitória a candidatura de Germano Rigotto no Rio Grande do Sul. Para descompensar o nível das artes na daqui caiu sem a presença da GW.
ASTERISCO Transição, esclareça-se, nada tem de transação.
SCAPS O bordão ``Requião me chama que eu vou!`` obra do gênio Jamil Snege. Dos chamados poucos, biblicamente, serão escolhidos.





