LUIZ GERALDO MAZZA
Onda Lula e não PT
Raramente um político se identifica com a ação de um partido como Lula. Aliás ele é maior, mais abrangente, por uma série de motivos, do que a agremiação. Tanto que se discute se o que domina o Brasil hoje é uma onda ''Lula'' ou a do partido. Obviamente mais do que o partido, e isso é observação comum de todos os analistas, Lula, pessoa, líder carismático, é maior do que o partido. Não é ideal que isso ocorra, mas se trata de evidência.
Um fenômeno curioso ocorre no Rio Grande do Sul onde o PT é governo e detém a gestão dos principais municípios do estado: o candidato Germano Rigotto, do PMDB, supera, distanciadamente, o postulante do PT, Tarso Genro. Há ainda um detalhe precioso: Genro venceu Dutra, o governador, um tanto quanto em processo de desgaste, na convenção, o que deveria aumentar seu cacife.
Outro fenômeno merecedor de análise é o de São Paulo: conforme o DataFolha, Geraldo Alckmin, do PSDB, está com 58% dos votos válidos contra 42% de José Genoíno, do PT. Aí também se repete uma situação parecida com a gaúcha: o PT em São Paulo detém o comando dos principais municípios, incluído aí o da Capital, regido por Marta Suplicy e que andou fazendo proselitismo em torno de Roberto Requião e Lula em Londrina e Maringá.
Percebe-se nesses dois paradigmas que a onda Lula não contamina justamente os que mais precisam: os seus correligionários que chegaram ao segundo turno e não conseguem virar o jogo, reverter o processo do primeiro turno. Aqui também a identificação maior de Lula com Requião, já que Alvaro está na mesma canoa, não garante o contágio, ainda que muitos atribuam a queda da rejeição do senador do PMDB a essa aproximação.
BIZARRICE A impressão que se tem é que Lerner trabalha mais pela transição do que o teria feito pelo seu candidato.
AXIOMA O dia seguinte à eleição começa com maior desemprego: a desmobilização do pessoal que obteve serviço provisório nas campanhas aumenta o drama.
GLOSA Dizem que a turma do PCC foi mal entendida quando pretendia, com aquele carro bomba, justamente levantar, o mais alto possível, a Bolsa de Valores.
EPIGRAMA O governador disse esperar que os dois Alvaro Dias e Roberto Requião percam, mas isso só será possível com a derrota do Furacão no Atletiba. Lerner é coxa e os dois atleticanos.
FOLCLORE O mais radical dos basistas, João Pedro Stedille, diz que se Lula pedir paciência (e não tem outra saída) às massas virará um De la Rua. As sinalizações da campanha - alianças à extrema direita e à mais moderada desde a montagem da chapa - indicam que Lula busca um consenso e, se possível, algo como um Pacto de Moncloa para unir o país. Se houver mais incendiários do que bombeiros o conflito será inevitável.
CROMO A quem nos oferta uma flor, não replicamos com uma pedra. A não ser que se trate de água-marinha, esmeralda, ametista, diamante ou rubi.
AFORÍSTICO Bem melhor que o debate seria um ''Big Brother'' com os dois. Mais esclarecedor sobre a secreta personalidade dos contendores na hora de dividir tarefas e comida e nos momentos de exasperação.
SCAPS Se a eleição de Rafael Greca como deputado estadual foi um ensaio para disputar a Prefeitura da Capital o teste falhou e dificilmente o credencia.
ASTERISCO Um debate sobre trânsito, marcado para sábado na Rádio CBN, levou o pessoal mais sensível do PMDB a temer que se usasse, em seu andamento, o caso do acidente com o sobrinho de Requião e que matou duas jovens. Vivemos clima de paranóia diante do excitado cenário eleitoral.
SILOGISMO Sonho de político é o de além de ter votos também contar com os ex-votos dos milagres que praticou recuperando pernas, braços e cabeça.





