LUIZ GERALDO MAZZA
Valor do nulo e branco
Há quem considere uma deserção do eleitor o fato de optar pelo voto nulo e branco. Isso até seria aplicável num divisor tão nítido quanto o do pleito nacional, levando em conta, além do histórico de Serra e Lula, a parte não desprezível, embora fungível, do imaginário que inspiram. Já na escolha estadual, por uma série de circunstâncias muito claras, inclusive a de terem obtido apenas 45% dos votos válidos no primeiro turno, portanto minoria de traço absoluto, essas opções, aparentemente negativas, mas inteiramente válidas como juízo de valor, se justificam de forma plena.
Em primeiro lugar são respostas antigas, pouco recicladas, à complexidade dos problemas do Paraná que está muito distante daquele que administraram e mesmo daquele em que concorreram e perderam, no primeiro turno, de Jaime Lerner. Os dois, juntos, somam 59% de rejeição, o que, dividido ao meio, dá quase 30%. É indicador, nada desprezível, de hostilidade. Enquanto nos outros estados, em que a disputa é mais dura como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a soma do percentual obtido passa de 70% dos votos válidos, o que induz à escolha, aqui isso não se dá e torna essa alternativa anuladora valor de primeira grandeza.
Há nessa pendência um fator educativo e politizante: a evidência de que são rejeitados impõe aos dois a humildade, virtude que não cultuam, já que são igualmente personalistas e, o que é pior, voluntaristas, como se fossem mais importantes do que a história, do que o contexto e do que a própria eleição.
Quem sabe essa reflexão sirva para uma postura ética de compreensão e de tolerância, capaz de, a um só tempo, reciclá-los à missão a que se habilitaram e para a qual despertaram esperanças que sabiam difícil de atender.
BIZARRICE Se entre aquelas maçãs podres da campanha de Rubens Bueno estavam a de Requião e Padre Roque como juntar todas sem pensar numa sidra mais ou menos homogeneizada pelo liquidificador? Não é fácil votar limpo.
AXIOMA O debate sob camisa de força como é o da Globo hoje à noite pode, assim mesmo, decidir tudo. Menos pelo que disserem, mais pelo que deixarem de dizer.
GLOSA No futuro campanha eleitoral vai ter, além de DNA, eletroencefalograma e os ''surtos de ponta'' que vão preocupar não serão os da curva das pesquisas.
EPIGRAMA Cá entre nós esse Atletiba de sábado, a despeito das precárias possibilidades de classificação dos times, não lembra essa eleição estadual? / VINHETA Presidente do Peru aumentou seu Ibope ao reconhecer filha bastarda. O indicador é relevante, especialmente fora de campanha eleitoral.
FOLCLORE Ninguém vai sossegar enquanto não souber que tipo de denúncia o Serra ia fazer contra o Lula e que foi obrigado a recuar pela turma do deixa disso. Se não revelarem, tim-tim-por-tim-tim, o povo advinha, o que é bem pior. Já que em advinhação e suposição, ou supositório, vale tudo.
CROMO ''Eu estava atrás do biombo.'' A frase era início de conto inconcluso. O escritor, que não escreveu nada mais, não estava atrás do biombo quando foi encontrado: o espelho, junto à boca, não lhe colheu o bafo de vida.
AFORÍSTICO Se todo político que faz assistencialismo como o Alborghetti fosse cassado ia faltar gente nas assembléias e no parlamento nacional.
SCAPS Há deputado que estocava inaladores e só os distribuía no inverno quando crianças ou idosos mais sofriam (asma e bronquite) para parecerem salvadores.
ASTERISCO Náusea existencial, repito, não se cura com Engov.
SILOGISMO PT mudou: petecostais ganham de petelhos e petecântropus erectus.





