Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
As piadas pedagógicas
Piada, às vezes, é sinal de impotência. Como na frase clássica do general Leônidas quando lhe avisaram que as setas do inimigo eram tantas que cobririam o sol e ele respondeu lacônico: Melhor, combateremos à sombra. Ou aquela outra clássica do carioca, a garganta transfixada por uma cimitarra, e que se explica: Só dói quando eu rio.
Tanto Lerner como Requião adoram esses jogos florais do frasismo. Como o senador estava de plantão no hotel em que Lerner se hospedou em Foz do Iguaçu, o governador sintetizou tudo numa frase cortante: Ele é a formiga no meu piquenique. Já o Requião sugeriu que o maior feito na prova de balonismo dos Jogos da Natureza tinha sido o balão aplicado por Osvaldo Santos na Leasing Banestado.
Embora Moliére tivesse consagrado a idéia de que o riso corrige os costumes, parece que aqui a terapia não é bem essa. A ausência de caráter é tamanha que os próprios autores de fraudes acabam produzindo anedotas em que eles aparecem auto-caricaturados e ainda por cima se vangloriando dos seus trambiques.
Desde 9 de agosto há uma determinação do juiz Vladimir Freitas, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na condição de relator, remetendo os autos da denúncia do Banestado contra Osvaldo Luiz Magalhães dos Santos para que a Polícia Federal do Paraná instaure o respectivo inquérito. O pedido é do Ministério Público Federal, que acolheu a notícia criminis formulada pelo banco oficial. Isso não é piada, é um fato relevantíssimo, ainda mais se forem corretos os cálculos de que a Leasing deixou um buraco de R$ 100 milhões que não podem ser recuperados, dada a forma como se deram empréstimos sem qualquer cautela quanto a cadastro e garantias.
Para o Bradock, o delegado de polícia que imita o Rambo e se acha um herói à caça de sem-terra, demissão, porque o governador quer ver se reduz a pressão sobre o seu governo. Para o Osvaldo, que está sendo processado, por haver prestado informação falsa nos episódios da Leasing, a honra de aparecer como um dos figurantes dos Jogos da Natureza. É uma piada ou não é? Só que essa não dá para rir.
MARCELINOSegundo o Elísio Marques, anarquista militante, o anúncio da filiação do vereador Jairo Marcelino ao PSB mostra que cada década tem o Marcelino, pão e vinho que merece. Ele lembra que em 80 o escritor Valmor Marcelino liderava o PS e foi seu candidato a senador.
Por falar em Marcelino, não o vereador, mas o jornalista, está em cartaz no Teatro do Memorial de Curitiba peça teatral de sua autoria Os idos de março e os ódios de abril.
AUDITORIAGoverno brasileiro apresenta a 15 de outubro o resultado da auditoria em montadoras estrangeiras para verificar se cumprem o acordo de exportar praticamente o que importam. As do Paraná - Renault, Audi, etc - por enquanto estão apenas importando. Algumas delas com desempenho comercial de assustar, como a Renault e suas coligadas. Só a primeira emitindo mais de 8 mil notas fiscais ao mês. A Ford comprou no exterior sem fazer registro.
A propósito, no último boletim Análise Conjuntural, do Ipardes, há o axioma: Os mesmos capitais aportariam ao Paraná caso não houvesse guerra fiscal.
ENTREGUISMOO contrato que constituiu a CNPP entre a Odebrecht e a Petrobrás é entreguismo puro, prova de que vinculações com o poder acabam sempre assim.
Curioso é que a federação dos petroleiros, tão ativa quando se trata de pedir aumento salarial, não se mexe em questão que institucionalmente deveria ser do interesse da categoria.
BIZARRICETeotônio Vilela Filho, presidente do PSDB, disse ontem que o caso da Bahia é parecido com o do Paraná: a cúpula nacional queria o Lerner e a regional recusava, e no Nordeste, Serjão quis vetar Nilo Coelho e encontrou resistência. Bloqueio era para agradar, obviamente, ACM. Como reformar um país em que o coronelismo é a regra, eis a questão.
SPRAYEnquadramento do secretário de Esportes na Justiça Federal é decorrente de entendimento jurisprudencial de que crimes contra organizações financeiras são de sua competência.- Governo tirou o Bradock para afrouxar a pressão que se faria pela libertação de dois líderes sem-terra com o cerco da delegacia de Paranavaí.- Se tivesse prendido os fazendeiros que destruíram o acampamento de Santa Isabel do Ivaí, o governo sofreria menos prensa.- Agora só falta mandar o Bradock para outra área tensa, pois criatividade negativa é o que não falta por aí.- TJ divulga até sexta a lista dos 120 classificados na prova de conhecimentos de juiz substituto. Dançaram 1.400.- Vladimir França, presidente do SindServidores, vai se re-filiar no PCB. O partidão, integrante da frente anti-Lerner, terá um candidato a deputado federal e uns seis a estadual. Dentre esses, duas mulheres, Lenilda de Assis, de Campo Mourão e a Dilma Maia, de Curitiba.- Começa amanhã, duas da tarde, na Câmara Municipal de Curitiba, o seminário municipal sobre sistema viário e circulação. Taniguchi aperta controles na parte tecnológica, mas lombadas eletrônicas podem ser um drama em áreas próximas a favelas por causa dos assaltos.-
FOLCLORECrise mesmo será quando o papel higiênico se tornar supérfluo.
CROMOManabu Mabe se foi, mas no horizonte havia um rubor todo seu.
AFORÍSTICOLerner ao lado de ACM, Marco Maciel e Greca era o tímido na ceia dos cardeais, um deles bastante forçado.





