Inércia a romper


Com a divulgação da pesquisa Ibope, já que a do instituto ligado ao PMDB não pode ser levada a sério (ela dá 11 pontos de dianteira, obviamente, em favor do senador Requião), soou a campainha do ringue para o combate aberto. Empate técnico, na estimulada como na espontânea, e até mesmo na rejeição, obriga os dois lados a ações que alterem esse quadro. Alvaro sugere que se compare os dois governos, ambos fortemente publicitários, o que deve provocar dúvidas na cabeça do eleitor. Uma volta ao passado com requintes de idealização o que dá bem a medida do desalento que atinge o cidadão desengajado e que hoje existe em número apreciável, podendo transformar-se até em maioria, ainda mais se a campanha seguir nesse diapasão.
Aposta-se agora no debate de amanhã na Band para romper a inércia e abrir caminho a tal diferenciação e que não seja apenas em relatórios dos feitos que à época saturaram a população diante do ''marketing'' opressivo e da quase oficiliazação dos meios de comunicação. Esclareça-se aqui que, apesar do escândalo que foi o dispêndio de R$ 500 milhões no primeiro governo Lerner, não houve opressão oficializadora de jornais, rádios e tevês que gozaram de um raio de liberdade e de ação crítica (o resultado está nas cifras eleitorais) nunca antes desfrutado. Nunca se atacou tanto um governo como o de Lerner e criou-se uma ''cultura'' diametralmente oposta à pré-existente e que agora será muito difícil remover porque a cidadania se apropriou desse espaço e há hoje instituições, como o Ministério Público, por exemplo, que diariamente colocam o sistema de poder sob o fogo cerrado da fiscalização.
Estamos com um cronograma curtíssimo, pouco mais de uma semana, para provar que Alka-Seltzer não é Sonrisal. Com um detalhe: o programa de Alvaro Dias precisa melhorar muito porque o de Requião tem mais ritmo, pique, ainda que se assente em absurdos como o de colocar um instituto alternativo como se fosse mais credenciado do que o Ibope, algo como confrontar a laranjada Wimi com a Coca-Cola, o Tipiti-Dog (não mais existente) com o McDonald.
BIZARRICE Pelos apoios que os candidatos presidenciais e governamentais apresentam ratifica-se que o voto nulo e branco é opção coerente.
AXIOMA Deixar para a última hora a torrente de baixaria será como acionar a válvula de um sanitário e os dejectos em vez de descerem aflorarem quase como num quadro de paranóia maníaco-depressiva.
GLOSA Justiça concedeu liminar ao delegado Noronha que impede Requião de fazer referências ao policial. Agora Requião pode pedir medida igual para que não haja alusão ao caso Teixeirinha e Alvaro se proteger da fala do Paolicchi.
E o que nós faremos, Senhor, para nos proteger dos candidatos?
EPIGRAMA Apoios no momento são ditados também por fatores ligados ao pleito municipal de 2.004: a turma de Taniguchi (a banda de música dos vereadores e líderes comunitários) vai de Alvaro para bloquear o Vanhoni.
FOLCLORE Morreu ontem um lutador: Laércio Faustino Cardoso, o Frangovo, que agitava as granjas. Era o Carvalhinho agrário. Imbatível no seu quintal. Asas não lhe faltam para o derradeiro vôo.
CROMO O louva-deus funde-se tanto na folhagem que só Deus o enxerga.
AFORÍSTICO Herança de Lerner só se captará daqui dois anos. Aí convergem áulicos e críticos moderados. Pode lembrar o futebolista do efeito retardado: o cara batia o pênalti com tanto efeito que quando o goleiro agarrava a bola e ia botá-la em jogo ela quicava, fugia do seu controle e entrava no gol.
VINHETA Banestado para os políticos era o pote de ouro do arco-íris.
SCAPS Quem disser a verdade e não o que convém já está liquidado.

mockup