Um fim de semana melancólico o governador Jaime Lerner passou no Oeste. No hotel em que se hospedou, o Mabu, em Foz do Iguaçu, lá estava de plantão o senador Roberto Requião a atender a imprensa e correligionários acusando a administração paranaense de crimes ecológicos para viabilizar os ‘‘Jogos Mundiais da Natureza’’ no cenário de Itaipu. E anunciava a disposição de convocar as ONGs nacionais e estrangeiras (e com isso já ganha, de saída, a colaboração argentina que vive atrás de pretextos para atingir o Brasil em torno daquela safadeza norte-americana para minar o Mercosul) para a denúncia das agressões ambientais que teria testemunhado em diligência pessoal.
Dá para imaginar o auê que fará e justamente de forma paralela aos Jogos neste fim de semana em Foz. Se os argentinos ameaçam abater os helicópteros que fazem vôos sobre as Cataratas alegando que perturbam as aves que têm seus ninhos nas rochas, podem se sentir mais estimulados agora com a denúncia do senador paranaense, afinal em plena campanha, seja na tribuna do Senado ou no ‘‘hall’’ do Mabu para onde foi só para intimidar Lerner.
Não dá para imaginar que se tivéssemos um Lupion, um Ney Braga, um Leon Perez ou mesmo um Canet Júnior no governo, um oposicionista ousasse fazer esse tipo de provocação sem resposta contundente. Com Manoel Ribas a coisa seria como aquele episódio no Bourbon em Londrina com o Ciro Frare.
E por que Requião age assim? Porque é destemperado, mas muito consciente da frouxidão do governo. Qualquer risco mínimo e a síndrome do suor na mão, da distonia neurovegetativa, toma conta do ambiente e nele se propaga e se reacumula. Agem como se estivessem diante de um ciclone ou furacão quando a oposição diz alguma verdade, e quando o autor é Requião tudo transborda.
Marcado por irregularidades graves como as da Leasing Banestado e que trata com ‘‘panos quentes’’ na aberta proteção ao titular (hoje ocupando a pasta do Esporte), e surfando na promoção dos Jogos da Natureza, esse traço sensitivo da administração é um mecanismo de culpa, algo que não se purga com a mera intimidação a qualquer frase, bravata ou denúncia séria de Requião. O pânico, que enuncia a consciência do erro, não absolve ninguém e, ao contrário, torna o autor da falta, ainda que visualizado no nervosismo e na ansiedade, merecedor de mais forte condenação. Diziam no passado que a confissão libertava as pessoas, descomprimia-as. Neste caso seria impensável, obviamente.
CALÇA COMPRIDA Há quem pense que o delegado Bradock, de Querência do Norte, pelo primarismo das atitudes tomadas, seja um ‘‘calça-curta’’. Não é. Trata-se de policial de carreira, que estudou em cinco faculdades. Tem a mania de andar com granadas de mão e pelo estardalhaço que aprontou semana passada deveria ser contido, o quanto antes, por suas tropelias.
FACCIOSO Na questão da terra, o governo se portou mal ao prender sem-terra e deixar livres os fazendeiros que incendiaram o acampamento de Santa Isabel do Ivaí. Bastaria juntar os fotogramas da imagem da televisão dos panacas a comemorar o feito ‘‘heróico’’ ante a bandeira nacional e ampliar cada rosto e em seguida identificá-los publicamente.
O que não pode é haver dezenas de sem-terra presos e a Ku-Klux-Klan solta.
BIZARRICE Deputados e vereadores petistas poderiam formar o comitê de recepção aos sem-terra em sua marcha a Curitiba e também oferecer as suas casas e dos parentes enquanto eles permanecessem na cidade. Numa das vezes em que o governo se mostrou receptivo aos sem-terra, fornecendo-lhes abrigo num circo armado perto da Rede Ferroviária, valeram-se da chance para ‘‘bolar’’ a invasão da fazenda Pinhal Ralo.
Para os sem-terra que se originem do Oeste para a manifestação há um ponto de escala aprazível: a fazenda do pai do vereador Jorge Samek, em São Miguel do Iguaçu. Na do Tonelli não dá porque é minifúndio e, ainda por cima, tem abelhas que andam ultimamente picando muita gente.
ANTITÉRMICO Se o governador ouvir um relatório do que tem sido o seminário da Universidade Federal sobre matriz energética e especialmente a questão da termelétrica a carvão, vai precisar baixar a febre com antitérmico. Pau puro. Nem o corpo técnico interno da Copel acha válido buscar outro energético e que cria tanta celeuma ambiental quando o País ainda tem vasto potencial hidráulico para explorar.
Um dos absurdos do novo modelo energético está, por exemplo, em passar uma usina como a de Salto Caxias ao controle da iniciativa privada em 51%. Não há raciocínio decente que aceite esse absurdo, somado a outra incoerência na exploração do sistema do Rio Grande do Sul, ao qual a Copel se associaria.
SUFOCO Em função das denúncias de gastos da gestão Greca, atingindo mais de R$ 30 milhões em dois anos, cerca de 60 ações populares serão intentadas contra o ex-prefeito. Há gastos da área de comunicação feitos em outras dependências como a obra ‘‘Lições Curitibanas’’, o que será requerido no juízo eleitoral.
FOLCLORE Em Irati, quando alguém mata um porco o afoga antes para que não guinche e chame a atenção do vizinho atrás de um pedaço. Por falar em Irati, a contrapartida pela fábrica de chicotes elétricos da Equitel não poderá ser feita pelo prefeito que está sem recursos. Afogam-se o porco e as mágoas.
AFORÍSTICO Requião e Álvaro juntos, sonho de primavera. Eis a chance do Rafael Greca dar a surra de chinelas que havia prometido.

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