LUIZ GERALDO MAZZA
Hora dos cumprimentos
Como na luta de box, em que os digladiantes se tocam delicadamente nas luvas na abertura do combate, tivemos ontem, nos primeiros programas eleitorais, um show de elegância com pouquíssimas estocadas que lembrassem beligerância. No caso da eleição nacional, é uma perda de tempo irrecuperável para Serra que mostrou um programa incapaz de revelar suas diferenças de estilo e visão do mundo com Lula. Já no pleito local até se justifica porque a diferença entre um e outro, isso antes da divulgação do Ibope no fim da tarde de ontem, era mínima e não animaria a abertura das hostilidades.
Na batalha da contrainformação, setores do PMDB, antecipando-se à divulgação da pesquisa Ibope da Rede Paranaense de Comunicação, que deve ser liberada hoje, sugeriam que Requião estaria com 15 pontos na frente de Alvaro Dias, jogada ensaiada nas ocasiões anteriores para colocar em dúvida os números das sondagens, aquele tempo altamente favoráveis ao adversário. Enquanto Requião trabalha a consolidação das alianças com o PT, como se viu no programa eleitoral, Alvaro Dias, dado à estiva das ações junto a prefeitos, alargava seu leque de apoios.
A mobilização é geral e até as esposas dos candidatos foram convocadas para entrevistas na Rádio CBN Curitiba: ontem foi a vez de Débora Dias e hoje a de Maristela de Mello e Silva a prestarem depoimentos às 11 horas. Débora, que é professora universitária na área de Direito Criminal, defendeu que a primeira-dama não deve exercer função no governo, mas atuar como fator de convergência no voluntariado. Ela entende que as ações sociais ganham sinergia quando se exerce maior aproximação entre entidades, restando ao governo um papel mais interativo e de coordenação entre as parcerias do que o de indutor.
O começo, portanto, foi educado. Até quando permanecerá assim é que não dá para saber. O Ibope de hoje pode ditar novo rumo ao processo.
BIZARRICE Se o programa do Serra continuar no mesmo diapasão, uma entrevista chata, e do Lula explorando fortemente o emocional, a única virada que pode haver é a do petista ficar com 80% dos votos.
AXIOMA ''Aqui tudo é Serra'' - disse o geógrafo no Alto do Purunã.
GLOSA Pelé será melhor cabo eleitoral do que Romário? Este serviu o time de Alvaro Dias, anteriormente, e não emplacou, apesar de ídolo canarinho e autor maior da conquista da Copa dos Estados Unidos.
EPIGRAMA O PFL seguiu a linha de Lerner: o governador tem dificuldade para optar entre os candidatos que sobreviveram como a maioria do eleitorado e liberou seus partidários. Maioria vai de Alvaro.
FOLCLORE Se Requião abandonou Alvaro (que era candidato a governador em 94) e depois houve o repique na de 98 não dá para chamar esses tratos de ''acordo branco'' por serem sombrios demais e haverem beneficiado Lerner duas vezes.
Em política há mais espaço para o karatê do que para o caráter.
CROMO O lago, espelho do céu: as nuvens simulam mais movimento na água do que o vento. Das aves não se identificam quais são reais ou virtuais. O tempo hibernou na imobilidade aparente. Pintura de ponta cabeça.
AFORÍSTICO Um ciclone de votos brancos e nulos pode ocorrer na eleição estadual: o ''sim'' e o ''não'' ficam melhor em programa de auditório. O ''não'' verdadeiro é o protesto, o ''menos ruim'' o pretexto.
VINHETA Coligações lembram Arca de Noé e a Torre de Babel a um só tempo.
Nas explicações o oportunismo vira sinônimo de coerência.
SCAPS Político só anda na linha quando é fiscal de trilho ferroviário.
REFLEXÃO Tanto Alvaro quanto Requião se recusaram a receber aposentadoria de governador. E quem perder a eleição terá o direito de fazê-lo?





