Duas lições do PPS
O Partido Popular Socialista tem muito pouco a ver com o PCB, do qual se originou. Não tem sequer a densidade do seu congênere italiano o Partido da Refundação e perdeu obviamente aquela aura que o fazia temido e perseguido, pois entra fácil hoje na sala dos granfos do Country Clube, inimaginável nos tempos da Guerra Fria.
No Paraná, com a orientação de Rubens Bueno, deu no mínimo duas lições: a do debate que, pela postura do candidato, sincronizou com o ''marketing'' do voto limpo e impermeável à baixaria e da série de pontos programáticos que levantou como condicionantes doutrinárias ao apoiamento ao candidato Roberto Requião. E agiu muito bem Rubens Bueno em transferir a responsabilidade para um coletivo, uma instância adequada, a Executiva Estadual, por uma imposição ética: a de ter demonstrado, por mais de uma vez, ideossincrasia em relação a Alvaro Dias, de quem, em passado não remoto, foi assessor.
Irrepreensível essa linha comportamental quando se percebe que no varejo das ações políticas o que prevalece é o fisiologismo mais descarado. O alertamento mais importante está no ''compromisso com uma campanha limpa neste segundo turno, fundamentada nas propostas e idéias de um plano de governo mas sem abrir do direito de expor ao eleitorado as contradições da coligação adversária. Isso pode ser feito sem agressões, sem ofensas pessoais.''
Outro detalhe: o PPS cultua ainda o hábito dos debates doutrinários, dos quais participei uma vez testemunhando o empenho dos seus seguidores em dominar os fundamentos da cosmovisão gremial que traz muito da tradição do PCB e com uma visão renovada da luta de classes, da justiça distributiva, do compromisso em não sacrificar a liberdade na luta pela igualdade e da remoção de mitos da qual a história se encarregou.
DRAMA ALVARISTA Tem razão o senador Alvaro Dias em pleitear, especialmente de Lula, uma posição mais discreta em relação ao apoio a Requião. Sabe-se que a direção nacional do PDT promete exigir dos petistas postura não algo próximo da neutralidade, mas um tipo de empenho que não perturbe a aliança nacional.
Quando Alvaro Dias enfrentou Lerner para o governo, o candidato do PDT obteve autorização, não se sabe como, para apoiar FHC. Ou Brizola deu autorização ou fingiu que não viu o que ocorria por aqui, pois já, no outro pleito em que quase chegou ao segundo turno, perdendo a posição justamente para Lula, seus adeptos acusaram Lerner de não haver se empenhado o suficiente.
Alvaro foi procurado, bem como seu irmão Osmar, pelo comando da campanha de Serra. Osmar é reforço mais importante do que o próprio Alvaro, não só pela votação esmagadora obtida, como ainda por ser uma voz autorizada a falar junto a determinados públicos, ruralistas por exemplo, sobre os riscos que adviriam de expansões do basismo do PT, hoje não representativo como ontem, capaz, todavia, de fermentar tensões.
O fato de Hélio Duque estar montando um palanque para Serra/Alvaro se insere nesse jogo de braço para neutralizar a formalidade do apoio petista a Requião e que naturalmente ocorreria em eleitorado majoritário.
JÂNIO/NEY A história do Paraná é rica nessas situações, uma delas vivida em 1950 na vitória de Getúlio Vargas que tinha dois candidatos ao governo Munhoz da Rocha e Ângelo Lopes, aquele do Partido Republicano e esse do Partido Social Democrático, ambos ligados ao ex-ditador, uma vez que houve o bloqueio, chamado de ''cristianização'' do postulante social democrata, o mineiro Cristiano Machado. As mais recentes beneficiaram Lerner em relação a FHC. E se Alvaro, que perdeu aquela quando estava no PP, se repetir vai ser rotulado de ''pé frio''. Outra lembrança é a da eleição de Jânio que Ney Braga soube explorar acoplando-se ao vitorioso. ''Quem é Ney é Jânio. Quem é Jânio é Ney.''

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