LUIZ GERALDO MAZZA
Impulso à humildade
Se há algo que os candidatos ao governo, no segundo turno, seriam obrigados, por dever de ofício, a seguir seria a postura de humildade. Olhando a aritmética fria do pleito, pela dimensão de importância do Paraná, deu para perceber que estão longe de reproduzir aqui situações como as de São Paulo, Rio Grande do Sul e até Santa Catarina em percentuais obtidos: 72% do total no primeiro caso, 78% no segundo e 70% no terceiro. O raciocínio foi colocado, muito bem, pelo jornalista Fábio Campana. Em taxa de credibilidade estão por baixo e isso afeta essencialmente os termos da ''representatividade'' que ostentam. Nada disso, porém, convence político que aspira o poder. A soma dos votos obtidos é de 45%, menos da metade, embora o Ibope sugerisse que chegariam a 58%, o que prova que tanto eles, candidatos, como o instituto deixam a desejar.
Ontem, pela manhã, na Rádio Banda B, numa entrevista, que substituiu o debate que teria com Alvaro Dias, Requião se mostrava exaltado e descompensado ao exigir a presença do concorrente como se dela necessitasse como ocorre com o José Serra na eleição nacional. A forma tensa, como acusava Alvaro de fugir ao debate, dava exatamente a impressão de desconfiança no próprio taco, muito mais de fragilidade do que de força e autoconfiança.
Os dois precisam conquistar o público que perderam. Aliás, perderam nada menos de quatro vezes: as duas derrotas para Lerner, a perda no primeiro turno em 90 para José Carlos Martinez (os dois na mesma canoa) e agora ao fato de não terem, a despeito da polarização, chegado aos 50% dos votos. Essa imposição de caráter filosófico e moral normalmente não chega ao político, aberto muito mais à arrogância e auto-suficiência do que à discrição e humildade.
Provado que não são campeões de votos, deveriam ir à luta, ao proselitismo, para ganhar o público que perderam, fazendo uma campanha consistente, rica em proposta e avessa à baixaria que de certa forma enunciaram no primeiro turno.
BIZARRICE Esperar humildade de narcisista é aguardar o discurso de surdo-mudo.
AXIOMA Alto índice de abstenção, votos nulos e brancos dão a entender que no segundo turno (eleição estadual) teremos uma avalanche de hostilidade. Para ganhar esse eleitor irado e impermeável é preciso muito mais do que fazer uma campanha propositiva e educada. Baixaria tira os votos dos dois.
GLOSA A imprensa está destacando o fato de haver Lula bebido uma garrafa de vinho Romanée-Conti, safra 97, (custo de R$ 6 mil) presenteada pelo Duda Mendonça. O Lula da tevê fala em fome, o outro bebe vinho. No vinho, diz o Luís Grof, está a verdade. Convenhamos: se o Lula tomasse uma ''51'' iriam explorar tudo por um outro ângulo, mas não proporcionaria tanta inveja.
EPIGRAMA Serra é autêntico até na questão capilar. Assume a carequice.
FOLCLORE No Brasil o único PC que efetivamente funcionava era aquele que cuidava das finanças da campanha de Collor. Fez falta agora em Alagoas.
CROMO Reencontro na mata de Rio Negro vegetais da minha infância: amoras silvestres e ''São João'' que disputávamos com os passarinhos bem perto do Centro Cívico. Doçura do fruto não é a mesma como também a do primeiro e clandestino cigarro que nos travestia de adultos.
AFORÍSTICO Uma pesquisa de instituição ligada à Universidade federal gaúcha dá Rigotto na frente de Tarso Genro: 58.8 a 35.8.
SCAPS Prefeitura de Curitiba está concluindo a ligação do Centro de Criatividade à rede coletora de esgotos. E vai fazê-lho desde as nascentes do rio Belém até o início do ano que vem.
VINHETA Se o vinho que o Lula tomou fosse de Colombo seria visto como brega.





