LUIZ GERALDO MAZZA
Fuga ao debate
É visível a resistência do PT ao debate. Tanto que o condicionaram a uma rede de TV, o que, desde logo, o inviabiliza. Se não houvesse o debate Lula teria ganho no primeiro turno. FHC também fugiu dos debates, como Lerner por aqui. O próprio Alvaro Dias, na condição de melhor situado nas pesquisas, oferece alguma resistência, embora a pequena distância que o separa de Requião imponha a necessidade desse confronto.
No caso da eleição nacional o debate para Serra é a bóia para salvar afogado. Programas eleitorais, por mais bem elaborados, seriam insuficientes para expor o contraste nas idéias e especialmente a forma como se faria aquilo que ora é prometido. O indiscutível maior preparo de Serra é o diferencial, mas não o suficiente para remover o capital emocional acumulado em favor de Lula, hoje transformado num movimento que lembra o ciclone janista.
No caso da eleição regional, bem pior em termos de opções e idéias (houve, por acaso, alguma?), o debate se faria indispensável até pelo fato de ambos serem a tradução de um passado recente e de ao longo da campanha não terem exposto propostas verdadeiras que não fossem típicas das panacéias de traço assistencialista-populista.
Dos dois quem mais se identifica, hoje e sempre, com Lula? Requião que teve no PT em alguns momentos como uma sub-legenda, o que hoje seria impossível dizer pelo fato de que o PMDB perdeu para ele tanto nas proporcionais como nas majoritárias. Um pacto de não agressão entre os dois vai ser processado para não prejudicar a eleição nacional. Esse dado favorece Alvaro.
BIZARRICE Se todo deputado ou vereador que põe no bolso a parte maior da grana dos seus assessores fosse preso, como se deu com o Custódio da Silva, teríamos necessidade para abrigá-los de algo como o Carandiru. Custódio não está sob custódia só por causa disso, mas aquele tipo de pecado é comuníssimo.
AXIOMA Na Assembléia Legislativa, depois das ações do Hermas Brandão, houve enxugamento até de ''fantasmas''. Parece que ao menos lavaram e enxugaram os lençóis que estavam craquentos.
GLOSA Todo o mundo diz que os feitos, tanto de FHC como de Lerner, só serão reconhecidos pelo público dentro de quatro anos. Quem sabe dê para voltar.
EPIGRAMA Um Big Brother, de três dias, com Roberto Requião e Alvaro Dias ao menos faria a disputa compensar pelo humor.
FOLCLORE Nos anos cinquenta com a explosão demográfica saiu em telegrama de agência noticiosa que o Paraná teria direito a mais cinco deputados federais. ''São mais cinco vagabundos a comer dos cofres da Nação'' escrevinhou o linotipista da ''Gazeta do Povo'', fazendo gozação, e dia seguinte o registro foi publicado. Outra é do Abdo Aref Kudri que mandou notícia do próprio aniversário ao jornal do Protásio de Carvalho e rabiscou embaixo da nota: ''publique com elogios e tudo''. Saiu com o recado adicional.
CROMO A mosca azul, que gravita em torno de políticos, é a varejeira.
AFORÍSTICO Quando Alvaro disputou a eleição com Lerner os dois apoiaram a candidatura presidencial de FHC. Lerner, embora do PDT, transferiu mais votos do que Alvaro. Agora Alvaro e Requião são lulistas: parece óbvio que este mais do que aquele transferirá votos. Novidade seria a vitória de Alvaro para que a história não se repetisse.
MÁXIMA ''A história só se repete como farsa'' disse Marx a Hegel em ''Os 18 Brumário de Napoleão'' lembrando que o fato original se dá como tragédia. No caso brasileiro, como tenho dito, temos tido mais farsa do que história.
SCAPS Curitiba ecológica: o Centro de Criatividade no Parque São Lourenço é uma das poucas edificações da área que não se integrou à rede coletora de esgotos. É criatividade para ninguém botar defeito.





