Depuração parcial


As derrotas de Collor, Maluf, Quércia e Brizola foram sinalizações positivas do pleito nas regiões. Vitórias de Mercadante em São Paulo, de Flavio Arns por aqui e do ex-guerrilheiro Genoíno para disputar o segundo turno paulista com Geraldo Alckmin são igualmente referenciais. Também relevante para a vida brasileira a ida ao segundo turno pela presidência de José Serra até para evitar um Lula que ameaçava aflorar hegemônico das urnas, o que dá uma chance de levar essa disputa a uma sintonia fina em termos de maior apuro em propostas e menos jogo emocional à conta de marqueteiros.
Pelé, esse que diz apoiar Alvaro Dias, não estava certo em sua frase pueril: o Brasil sabe votar e o demonstrou no maior pleito de sua história. Ainda há resíduos de coronelismo a remover especialmente no nordeste, mas de lá também chegam exemplos animadores como o crescimento de partidos de tonalidade mais à esquerda, especialmente o PT, como no caso da vitória de Reginaldo Lessa, PSB, em Alagoas, e da decisão para segundo turno no Ceará afetando a oligarquia luminosa da dupla Jereissati-Ciro Gomes.
E os institutos de pesquisa, especialmente o Ibope, se saíram mal: falaram de um Serra colado em Garotinho, o que jamais existiu, e não detectaram a derrota de Lula em São Paulo e Alvaro Dias na Grande Curitiba (ficou em quarto) ao mesmo tempo em que mal captaram o arranque de Flavio Arns no vácuo criado pela troca de agressões canibalescas entre Tony Garcia e Pimentel. Enfim a eleição deu um recado de reciclagem a candidatos, partidos e institutos de pesquisas.
BIZARRICE Pelas primeiras entrevistas de Alvaro e Requião a mostra é de que teremos a baixaria sórdida levada à sublimidade.
AXIOMA Da água limpa do Rubens Bueno chegaremos ao chorume (resíduo de aterro sanitário) de uma disputa pelo segundo turno em que até aqui pelo menos não há esperança de lugar para idéias.
GLOSA A turma da ''latinha'' - Algaci Túlio, Ricardo Chab, Alborghetti - não se reelegeu certamente atingida por um competidor inesperado, o Ratinho Júnior, que bateu todos os recordes e também pela entropia, o estresse. No passado essa área era de Arthur de Souza e Jorge Nassar, deputados de prestígio, que tiveram o seu momento de saída também.
EPIGRAMA Pena que não haja um genérico de Engov para suportar a campanha de segundo turno regional. Seria o único ''barato'' no caso.
FOLCLORE Alvaro e Requião ganharam eleição com um fantasma: o falso pistoleiro ''Ferreirinha''. Agora Alvaro enfrenta a fala de Paolicchi que o acusou de beneficiar-se do dinheiro desviado de Maringá em audiência judicial e Roberto Requião o sem-terra Teixeirinha, morto, depois de subjugado e execrado pela PM, em Campo Bonito em seu governo. Quem com ''Ferreirinha'' fere...
CROMO O homem criou por um mecanismo de transferência machista a fábula segundo a qual o pássaro João de Barro prende para sempre a companheira que o traiu na casinha de barro. Se passarinho visse novela da Globo estava tudo liberado e teríamos surubarro em cada árvore e poste.
AFORISTICO Ratinho pai, que deixou a política enojado, apoiou Ratinho Júnior no seu ingresso na área. E já se declara, o grande comunicador, ''pai do futuro governador do Paraná''. Ratinhos, pelo jeito, querem um queijo maior.
VINHETA Outra do Ratinho senior (o Enéas, deputado federal mais votado do Brasil, o chamou no auditório de ''Senhor Rato'' para evitar intimidade): vai apoiar Alvaro Dias porque acha que é capaz de atrair mais empresas ao Paraná.
SCAPS Cada eleição é uma forma de limpeza que não chega a ser completa, mas sempre abre esperança de nova profilaxia. Algumas quedas são caso de higiene.

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