LUIZ GERALDO MAZZA
Só Bueno faturou
Do amarradíssimo debate da Globo regional, no qual predominaram baixarias entre Alvaro e Requião, Beto Richa num patamar menor, quem levou vantagem foi justamente o candidato do PPS, Rubens Bueno, por ter se recusado, mesmo quando provocado, a partir para agressões. Dispensou uma dessas bolas levantadas para reafirmar a sua disposição de não fazer do debate um ringue, insistindo que a democracia exige e impõe a seriedade e o equilíbrio.
Os efeitos desse alinhamento pacífico se refletiram horas depois do debate e na manhã e tarde de ontem: manifestações pela internet ou por fax aplaudiam a postura de Rubens Bueno e com declaração aberta de voto. Também nas barracas em que há material de propaganda do PPS, em vários pontos da cidade, houve grande procura de volantes e folhetos com as pessoas revelando entusiasmo pelo candidato como se o estivessem conhecendo a partir daquele evento. Decorre do escasso espaço de tempo concedido pela Lei Eleitoral essa circunstância de tudo aquilo ter soado como uma ''descoberta'' e ainda pelo baixo nível de audiência dos programas eleitorais, alimentado também pela absoluta falta de concentração em meio a tanta comunicação e um mínimo de informação.
Na realidade os polarizadores da campanha, Alvaro e Requião, não tinham outra alternativa se não a de aceitar o confronto aberto sem direito a ''clinch'' e de acomodar-se nas cordas. O vitimalismo foi explorado pelo senador Roberto Requião com um ar quase beatífico de quem clama por misericórdia e a extrema compreensão, o que servia de ironia a outros candidatos que lembravam o quanto o postulante do PMDB tem se dedicado em sua carreira ao abuso das baixarias, citando o episódio ''Ferreirinha'' no qual ele e Alvaro foram cúmplices.
Beto Richa não se sai mal em articulação verbal e raciocínio, mas não consegue transmitir a idéia de que é o ''novo'' e, consequentemente, entra em aberto conflito com o fator mais destacado entre os seus decantados atributos.
Resumindo: o debate, extremamente amarrado, conquanto bem conduzido pela mediadora, foi frustrante e talvez tenha explicado o maior problema do Paraná na sua falta de liderança e de quadros.
BIZARRICE Quando o candidato chamou o seu adversário de ''pustulante'' pela segunda vez e foi corrigido esclareceu: pustulante é um pústula postulando.
AXIOMA Comício de anteontem dos alvaristas fez intensa queima de fogos e todo o mundo se perguntava se Gerson Guelmann voltou a foguetear. É que nas eleições de Lerner e Taniguchi, a cada pesquisa, soltava foguetes.
GLOSA Tudo para todos, como Lula está prometendo, vai acabar em nada para ninguém. E nessa, convenhamos, ele não está só. Mal acompanhadíssimo.
EPIGRAMA ''Politizaram'' o processo contra a gangue de cargas: o chefe Mário Fogassa alega que gente do Ministério Público, ligada a Requião, e à PIC, estaria por trás de tudo. Ministério Público faz contestação severa, afirmando que tudo se dá na Comarca de Rio Negro.
FOLCLORE Há pessimistas acreditando que votos brancos e nulos para governador podem sair na frente dos mais votados. Se assim for, valeria uma reflexão.
CROMO A cidade cresceu e nem se ouve o canto do galo e o sino da igreja.
AFORÍSTICO Parece incrível, mas esses candidatos podem virar estátuas, o que consagraria a nossa imensa mediocridade.
VINHETA Esteites querem importar Fernandinho Beira Mar. Como se vê exportações brasileiras continuam em alta.
SCAPS Estamos livres finalmente do horário eleitoral. Os que gostam lembram o louco que batia martelo na cabeça só para curtir a calma ao parar de fazê-lo.





