O pretérito imperfeito


Um dos saques comuníssimos de campanha eleitoral é captar declarações antigas dos candidatos. Aquela do FHC dizendo que não acreditava em Deus, algo pior do que a atribuída novamente a Requião em pactos sinistros, não foi ''pinçada'' na primeira e segunda eleições. Mas ontem apareceu uma declaração de Pimentel, quando candidato à Prefeitura da Capital em 1985, como opção entre Lerner e Requião e que acusa o seu hoje companheiro de ''emocionalmente instável'', o que nada tem de novidade, embora produza um efeito hilário. Paulo batia no peito e afirmava que era o único a ter coragem. Dizem que chegou a quebrar microfones de lapela com os gestos bruscos, ao bater fortemente no tórax, que quase o derrubavam da banqueta. Resultado: fez votação de vereador, o que não poderia ser diferente num pleito polarizado em que Roberto Requião venceu Jaime Lerner por menos de 20 mil votos e com gente do Interior aos milhares (estima-se em mais de 50 mil) fazendo ''boca de urna'' e até votando apoiados por ônibus de linhas interestaduais sob o comando do então secretário dos Transportes, Deni Schwartz. Tudo para garantir as 13 vitórias de Richa, uma dúzia na faixa de fronteiras e a mais importante na Capital.
Se alguns perderam o cabelo, Paulo Pimentel, na gravação, afinal de 17 anos passados, ainda tinha uma expressão de ator de novela, conquanto não tão jovem como aparece agora nas miraculosas ações da computação gráfica em que está bem mais novo, imaginem, do que o senador Roberto Requião, algo capaz de desbancar a doutora Aslan e seus sortilégios. Esse transporte ao passado pode até ter efeitos tão dramáticos quanto cômicos. E de repente ''pintar'' outras do gênero nos derradeiros instantes dessa campanha primária e vil. Tomara. Afinal um pouco de humor enriquece o processo.
BIZARRICE Ações moralistas de Alvaro Dias no governo deram em nada. Apenas muita alaúsa, prisões derrubadas e uma ação inútil contra o Banco del Parana. A propósito: a CPI do futebol deu em alguma coisa ou os Ricardo Teixeira e Onaireves Moura, bem como o Eurico Miranda, continuam mandando e mamando?
Curioso é que a CBF fez toda aquela cena no Ceará, jogo Brasil x Paraguai, para ajudar o Ciro Gomes, cabeça de chapa da frente em que o senador paranaense aparece como candidato ao governo.
AXIOMA Ainda a vaia a Lerner no comício do Serra: o governador criticou a falta de senso artístico dos organizadores trazendo Chitãozinho e Xororó numa semana em que havia canto lírico na Pedreira. Sugeriu que o pessoal subestimou o gosto refinado dos curitibanos. Imaginaram Barbara Hendricks e Alessandro Safina dando trinados e gorjeios num comício?
GLOSA E não foi uma vaiazinha, não. Foi um vaião de dois.
FILIGRANA Rezar para o candidato não significa apoio. Pode-se fazê-lo em favor de Requião e Lula, por exemplo, para que dissimulem menos, que é pecado.
VINHETA Se o Beto não brotar pode também ser atingido pela brotoeja.
FOLCLORE Comício com intérprete sábado passado na Boca Maldita. O pastor Jesse Jacksson, empolgado, discursava em inglês pró Padre Roque e em seguida o tradutor entrava com sua parte e então era aplaudido. Normal em política é o ventríloquo, não o tradutor. Se o espanhol do Requião é complicado, imagine-se um tradutor que não seja juramentado.
CROMO Vila Velha: o fóssil pré-diluviano, oculto no arenito, dorme no cenário mutante de geleira, deserto e fundo de oceano.
AFORÍSTICO Políticos convivem com bandidos como se nada tivessem com isso.
SCAPS Conselho de Nelson Rodrigues a jovens: ''envelheçam!'' serve ao Beto.
SILOGISMO Até quinta aguentaremos ainda o horário eleitoral gratuito. Depois dessa matamos um urso com uma gravata.

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