LUIZ GERALDO MAZZA
O Ibope e a Brahma
O Ibope já foi tão substantivo que sintetizava a pesquisa eleitoral mesmo que partido de outra organização. Algo semelhante ao ocorrido, historicamente, com as cervejas e, em especial, a Brahma. Pois agora nem a Brahma é um sinônimo de cerveja e muito menos o Ibope de qualquer pesquisa.
Se antes dava para dizer no balcão do botequim ''me dá uma Brahma daquelas da Antárctica'' hoje isso é impossível até porque são sócias. E quanto ao Ibope já não existe a imagem forte da organização pioneira hoje disputando espaço com organizações como o Datafolha, centrada num jornal de expressão nacional, o que lhe adensa a credibilidade, e em outras sem o mesmo halo mítico.
A falta de um contraste entre os institutos, predominando até pela força massiva da Rede Paranaense de Comunicação, o Ibope, no caso das eleições do Paraná cria um vácuo muito sério. Ocorre que a predominância de apenas um e com resultados praticamente repetidos em meio a um entredevoramento das facções que apóiam Alvaro Dias e Roberto Requião é, no mínimo, surpreendente que não tenham sofrido desgastes sérios com os problemas suscitados. No caso da eleição senatorial prevalece a mesma impressão, dada a contundência, aí bem maior, na troca de agressões entre Paulo Pimentel e Tony Garcia, o primeiro como beneficiário de aposentadorias, o que o povo de modo geral repudia, e o outro como autor, quase oculto, da quebra de uma corretora e de um consórcio que deu um ''beiço'' em milhares de paranaenses, o que a multidão abomina.
Há um prejuízo, portanto, para a democracia por essa ausência daquilo que lhe é essencial - o processo contraditório para situar, entre os números de um instituto e de outro, o interessado em saber das tendências do eleitorado. Com um monopólio nas pesquisas, o que não significa que não sejam reais, castra-se um fator fundamental de aferição. Se os resultados da última sondagem não clarearem o horizonte das intenções de votos e não se aproximarem tanto do que vier a ser apurado na ''boca de urna'' como nos resultados do pleito mais uma vez haverá o agravamento da imagem das pesquisas e daqueles que as empreendem e o retorno da hostilidade que se repete a cada eleição.
BIZARRICE No ''Guairão'' Lerner sofreu uma vaia apropriada, meio murmurada, à ''bocca chiusa'', e agora no sábado, no comício, levou outra. Bi-governador, tri-prefeito e agora tetra-vaiado, com jeito de chegar ao penta.
AXIOMA As ocorrências na polícia, com a prisão de delegados (uma delas foragida), teriam se dado no setor de roubo de cargas numa época em que o objetivo maior, com a eleição, é, sobretudo, a apropriação de cargos.
GLOSA Democracia direta é a do futebol. Se o País estivesse amadurecido para fazer com dirigentes o que clubes, pressionados pelas torcidas, fazem com os técnicos derrubaríamos um Collor por ano como o Atlético fez com o Espinosa.
EPIGRAMA Lerner ouviu a vaia e perguntou a um assessor: o que será que esse pessoal tem contra o Chitãozinho e o Xororó?
FOLCLORE Como mudam os atores da política: Requião dava belas tiradas quando se valia da prepotência ao caricaturar adversários, agora é difícil suportá-lo tentando passar por vítima. Aliás Engov é recomendável ao público que ouvir a arenga intolerável de todos. Essa é regra sem exceção.
CROMO E me senti pequeno no aquário dos seus olhos.
AFORÍSTICO Só falta agora o Atlético ficar com o Lula Pereira. Virou moda ficar com o Lula e a mania não é apenas do Brizola.
VINHETA ''Precisamos de uma devassa'' disse o novo governador e a sua sala se encheu em pouco tempo de mulheres de vida airosa.





