LUIZ GERALDO MAZZA
Sequelas de Londrina
As sequelas dos desvios Ama-Comurb em Londrina fazem efeitos demorados: a prisão do delegado do Trabalho, Celso Costa, mostra que nem sempre razões processuais agem sincronicamente com o cronograma político. Dá até para imaginar a volta de Antonio Belinati à prefeitura em 2004 se a Justiça não lhe aplicar, em decisão final, alguma ''capitis diminutio'' nos seus direitos de cidadania, atingidos, apenas parcialmente, com a sua cassação.
Conexões muito claras entre aquelas fraudes, dentre elas a das contas fantasmas no Banestado, e o sistema de forças políticas do situacionismo estadual estão ainda por serem examinadas. Da mesma forma os desvios havidos em Maringá apontam como beneficiários os políticos, direta ou indiretamente, ligados ao poder central. Para que se tenha noção da ousadia dessa turma há agora a denúncia de que o famoso Luis Antônio Paolicchi teria ingerência em obras, como seu financiador, no batalhão da PM em que estava detido.
É o surrealismo dos nossos dias já devidamente sinalizado quando a CPI federal passou pelo Paraná e derrubou toda a cúpula da Polícia Civil. Já disse e repito: Icaza, Vargas Llosa, Cortázar, Garcia Marques encontrariam enorme dificuldade para fazer aqui a ficção ficar mais criativa do que a realidade. Aquilo que eles fazem com talento e engenho, transfigurando a realidade, aqui viria do simples registro jornalístico.
Declarações de Paolicchi já foram usadas na campanha eleitoral contra Alvaro Dias por emprego de aviões junto ao doleiro Alberto Youssef, referência constante nos casos de Londrina e Maringá. O impacto da declaração atinge o senador e também o governador, mas o candidato do PDT tem toda a razão em impugnar essa referência porque se trata simplesmente de um registro na Justiça Federal e sobre o qual sequer foi ouvido, razão porque não pode, por uma presunção oblíqua, ser prejudicado.
De qualquer maneira fica evidenciado que o andamento dos procedimentos em Londrina e Maringá pode tirar novos esqueletos dos armários. O que é bastante tumultuário para a classe política, mas saudável para a democracia.
BIZARRICE Se um dos candidatos, que entrou na briga do diabo, ficar fora do segundo turno pode-se dizer que foi exorcizado.
AXIOMA Esperança maior de Requião seria a vitória de Lula no primeiro turno com o apoio do eleito à sua candidatura. Esse o sonho do PT em São Paulo com o José Genoíno disputando a final com Alckmin e isso se dando em outras unidades com a repetição do ocorrido com o PMDB no Plano Cruzado. Seria uma inversão do acontecido nesse caso e no do Plano Real.
GLOSA Glauber Rocha faria hoje outro filme ''Deus e o Diabo na Terra do Sul''.
EPIGRAMA O caso não é bem de Asmodeu e sim de Asno deu. Nunca se viu tamanha idiotice política na história do Paraná como essa do pacto com o capeta.
FOLCLORE Quando tanto se discute pactos, pretende-se (e até o FMI sugere) que se faça por aqui algo como o de Moncloa, na Espanha. A maioria é pragmática e insiste que deseja o ''Pacto do Me Inclua''.
CROMO Conto as estrelas e depois removo as verrugas dos dedos e das mãos esfregando-as na porta de uma igreja afeita a pequenos milagres.
AFORÍSTICO Dente de alho e crucifixo, preventivos desta eleição.
VINHETA Em lugar de ''New Deal'' nesta eleição tivemos o ''New Devil'', embora o pacto não tenha sido provado por nenhum dos lados.
SCAPS É mais fácil provar a própria burrice do que a presença do diabo.
FILIGRANA A calcinha como ícone eleitoral criou uma saia justa.
OPS Cair de boca na urna é um dos riscos calculados para o dia 6.
SILOGISMO Faça-se tanto em ''voto útil'' quando muitos têm, cada vez mais, a sensação justamente do ''voto inútil''.





