Espionagem eleitoral
Uma das maiores disputas, superior à havida entre Cassio Taniguchi e Ângelo Vanhoni em Curitiba, há dois anos, foi a de 1985 entre Lerner e Requião, decidida em favor daquele por menos de 20 mil votos. Daquele pleito há coisas incríveis como a existência da banheira em que guardavam o dinheiro que chegava ao comitê de Lerner, a celebrada banheira da Larita.
Houve, também, a fuga de um cabo eleitoral lernerista e que entregou o serviço interno no programa eleitoral do PMDB. Trocou de camisa com a mesma facilidade com que o Wando distribuiu calcinhas nos comícios alvaristas. Aí veio uma sequência de desastres que culminaram com a falta de dinheiro e a decisão irrefletida de um dos executivos da campanha, Saul Raiz, de demitir às vésperas da eleição a meninada dos ''palitos'' e da distribuição de volantes. Ora cada militante desses se transformou num agente potencializado do outro lado, mobilizando também a família.
A eleição era polarizadora e tanto que Paulo Pimentel, como opção viável, teve votação de vereador com menos de 20 mil votos. Pois no último comício, lá na Praça Rui Barbosa, chegou a notícia de que o pessoal do Lerner estava rodando um volante nas oficinas do ''Jornal do Estado'' anunciando que Fruet iria aumentar as tarifas de ônibus. Havia um tal engajamento que as milícias se deslocaram para a editora e tentaram invadí-la ao mesmo tempo em que pediam a intervenção do TRE e Polícia Federal. O presidente do TRE, desembargador Eros Gradowski, foi até o local e os panfletos apreendidos.
O engajamento de funcionários da editora é que determinou a denúncia, o que dá bem a idéia de um envolvimento geral. O diretor do jornal, Roberto Barrozo Filho, reagiu, indignado, ao cerco.
Na campanha atual já tivemos, e em cima do PMDB velho de guerra, que sempre se acreditou vacinado contra essas manobras, duas de lascar mostrando cenas do próprio Requião, numa delas admoestando um cinegrafista, e em outra, bem mais recente, fazendo avaliações no próprio comitê de como as denúncias sobre as aposentadorias de Paulo Pimentel teriam afetado o seu Ibope. Dizem que o Guilhotin morreu na guilhotina, que Linch morreu linchado. Provar do próprio veneno em política é algo previsível. Aposentadorias derrubaram primeiro Saul Raiz e depois o seu beneficiário, José Richa, favorecendo Requião. E agora pode se transformar na cicuta do PMDB, onde não há lugar para Sócrates. Nem lá e muito menos em qualquer partido brasileiro, até mesmo no melhor deles, o PT.
ACORDO BRANCO Volta e com toda a insistência a abordagem do ''acordo branco'' entre Lerner e Alvaro Dias na eleição de 1998. Há uma foto desta ''Folha'', nítida, colorida, em que o atual senador aparece com um boné da campanha de Lerner. Agora, com a exploração do depoimento do ex-secretário da Fazenda de Maringá Luiz Antônio Paolicchi, à Justiça Federal, o assunto é novamente abordado e aparece no horário eleitoral. Paolicchi diz que o prefeito Jairo Gianotto pagou despesas de campanha tanto de Lerner como de Alvaro. Um avião ''King Air'' do doleiro Alberto Youssef teria sido colocado à disposição.
A Justiça Eleitoral concedeu o direito de resposta a Alvaro Dias no jornal ''Hora H'' por causa do tema. Isso não impediu que Requião abordasse o assunto no rádio e na tevê e em comícios. Aliás, muitas das decisões judiciais levam muito tempo para ser cumpridas e isso é crucial na rapidez exigida no andamento da campanha. A história das aposentadorias de Paulo Pimentel é uma delas e que contamina Requião que não aceitou a de governador por causa do uso que fez da matéria contra Richa e que conseguiu alijá-lo do segundo turno para depois vencer Martinez com o uso do falso pistoleiro Ferreirinha. Aliás esse jogo, o da farsa eleitoral, compromete os dois, Requião e Alvaro e de forma fulminante e certamente irá ao ar nos próximos dias. Da cloaca sai a luz.

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