Governo inerme


Claro que não dá para comparar o horror do Rio de Janeiro com o massacre na Penitenciária de Bangu 1 com o que há, neste momento, no Paraná com os atos de rebelião na Polícia Militar promovidos pelas mulheres dos milicianos. Entre os dois um ponto em comum na ausência absoluta do princípio da autoridade que deve operar dialeticamente com o da liberdade para contê-lo e equilibrá-lo.
A justeza do movimento na Polícia Militar, inquestionável nos fundamentos até de urgência, não serve de respaldo para atos de motim, como os que voltaram a ser praticados. Mas o que se pode esperar de um governante que permitiu que sem-terra se concentrassem diante dos três poderes de Estado por meio ano? E também de alguém que não percebia o que se dava na área de segurança, entregue ao desfrute de políticos, ao ponto de ser impelido a destituir do secretário à cúpula da polícia civil em função da passagem, pelo Paraná, da CPI nacional.
Tenho sistematicamente me referido ao estado de anomia (o desaparecimento dos referenciais legais substituídos na marra por manifestações assembleísticas e de caráter alternativo como invasões de terras e prédios públicos), que tem função mais liberticida do que libertária, como acreditam os ingênuos ou mal intencionados do democratismo. O fato de o País ter vivido nos tempos de chumbo da ditadura militar um bloqueio às liberdades não justifica que agora estejamos diante do seu oposto como terapia. A cada ciclo de ruptura segue-se naturalmente, como a sociologia o demonstra, um período de acomodação. O que se dá hoje é o desprezo aberto à ordem legal e o ocorrido nos presídios já se constitui numa prova de que a malha da ilegalidade, da clandestinidade, naquilo que possa ter de pior, porque ligada ao narcotráfico, vale dizer o crime organizado, seperou de longe a do universo legal.
BIZARRICE Sensacional o comício do Lula em Curitiba. O problema agora é evitar que votem em Zezé Di Camargo e Luciano para presidente e vice.
AXIOMA Pelo menos nesse pleito não haverá caixa 2. Na área do governo, por exemplo, mal existe o caixa 1. A oposição ganha no Ibope e nas contribuições.
GLOSA Agora entendi o que os candidatos prometem: a flor ''copo de leite'' é que vai ser distribuída para a criançada.
EPIGRAMA Há candidatos e não são poucos que dão camisa para o eleitor. O que dá calcinhas é Alvaro Dias pelas mãos do Wando. Mais duas eleições com esse padrão e viramos uma Suécia.
FOLCLORE Lula fala sobre a angústia para os pais que é arrumar o primeiro emprego para os filhos. O cientista político Eduardo Schneider sugere que o próprio candidato tem uma solução em família: sua filha, Lurian, é assessora de imprensa da Prefeitura de Blumenau, coincidentemente petista.
CROMO Quando meu neto mais novo, o Ângelo, nasceu, minha filha, coxa-branca fanática, providenciou um enxoval do Coritiba uniforme completo, gorro etc para condicionar o afilhado. Um dia fomos visitá-lo e ele, mesmo de camisa coxa, começou a cantar, balbuciado ''Meu Paraná, meu tricolor''. Tinha sido cooptado pelo outro avô, Antonio Lazarotto, paranista .
AFORÍSTICO Agora aquelas expressões grafitadas em privadas de rodoviária e de boteco vão fazer o cotidiano da campanha cívica. A diferença será o odor que essas não terão e do qual aquelas mais autênticas não se livram nem com litros de produtos do Boticário.
VINHETA Façamos um concurso: qual dos candidatos ao governo é mais brega? Mesmo os que se dizem de briga não passam de brega. Promessas calhordas os igualam e o que os diferencia é a distribuição de calcinhas. Pelo menos é mais concreta do que o leite imaginário.
SCAPS Aí o animador do comício, calcinhas e maçãs a mão, deu o grito: e agora a maçã Gala (variedade nacional) para as não galinhas.

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