LUIZ GERALDO MAZZA
Agora é o Lula
Primeiro foi a Roseana Sarney, depois o Ciro Gomes, agora é o Lula. Essa genial sacada ''agora é o Lula'' é a resposta do marqueteiro Nizan Guanaes ao ''teaser'' que convoca para o voto útil na expressão ''agora é Lula''. Assim, pois, o Lula, que de sapo barbudo se metamorfoseou em príncipe da elite, vai virar vidraça, uma vez que até foi solenemente poupado.
Como não sofreu ataques de José Serra, talvez por causa de conveniências à esquerda, da qual ambos se originam, adensava-se o Ibope, como se viu nas sondagens mais recentes, abrindo espaço até para o delírio de vencer a parada no primeiro turno como FHC e Lerner aqui o conseguiram com a maior facilidade. Se a distância aumenta em relação a Ciro e esse corre o risco até de perder do Garotinho, esse impacto acaba tendo reflexos locais.
Hoje é data importante para o PT no Paraná no comício gigante que se pretende fazer e visando, é claro, pelo menos para manter as aparências, dar uma colher de chá, talvez com água benta, para o Padre Roque ameaçado de uma redundância, a sua ''cristianização'' em benefício de Requião. Num momento em que Alvaro tende a sofrer os efeitos da queda livre de Ciro, sem falar na reação daquele que tem o direito de precedência, Rubens Bueno, a contaminação do comício de Lula no requianismo é mais do que esperada. Seria, porém, uma obra prima de mau caráter o senador do PMDB tentar tirar uma ''casquinha'' na festa do PT, arte em que Lerner sempre foi um artista convencendo até o Brizola de que não havia nada de mal em um pedetista, postiço é claro (haveria autênticos?), ''pintar'' no palanque de Fernando Henrique.
No afunilamento do processo teremos certamente mais cenas de degradação com a ''baixaria'' admitida como liturgia. Como o Garotinho parece levar a sério o próprio nome com peraltices, estilingue à mão e alvejando aves carecas e nas barbudas, como livre atirador, aumentando suas potencialidades de votos e o Ciro Gomes, percebendo que vai pra ''rabeira'', deve proporcionar novas cenas de agressão e temperamento exaltado. Pena que não sigam aquela sugestão do Cantinflas diante da mesa de pôquer: ''e agora, cavalheiros, vamos agir como sempre fizemos ou fazer o papel estranho de homens honrados?''
BIZARRICE O jornalista Eduardo Schneider, codinome de Ricardo Prefeito, sugere que o Padre Roque, ao invés de buscar o apoio do americano Jesse Jackson, se daria melhor se o fizesse com o Jackson do Pandeiro. Nacionalismo é cultura.
AXIOMA Copel suspendeu o leilão da ''energia velha''. E quando, afinal, se puxará a descarga já que estamos no ciclo das privatizações?
GLOSA Políticos apostam na superstição. A figura popular, o Jacaré, que usa sua incrementada bicicleta em Curitiba para fazer propaganda, divulga Alvaro Dias como fez antes com a seleção brasileira e o Atlético Paranaense. Nem sempre deu certo: na Libertadores e na Sul Minas o furacão foi um ventinho.
EPIGRAMA Para quem teve Munhoz da Rocha no Centenário (1953) e Zacarias como primeiro governante vai ser duro aceitar o que exercer o papel em 2003.
FOLCLORE O jornalista diagramador Colaço, dando uma de inglês, diante de um barbeiro que não conhecia, respondeu à pergunta de como queria o corte ''de preferência em silêncio''. Saiu do salão com o cabelo de grunge, de milico, e pode ter sido o inaugurador da moda. Afinal quem gosta de silêncio mesmo é o jornalista José Fiori que até escreveu um livro sobre o tema.
CROMO O poliedro e a rosa, quanta afinidade entre a geometria e a poesia. Na anatomia da flor há algo de multifacetado aos cuidados de um lapidador.
AFORÍSTICO Agora é a hora do aterro sanitário da política.





