LUIZ GERALDO MAZZA
Mais segredos estatais
Não bastassem os casos dos Jogos da Safadeza, do afano geral e irrestrito no Banestado (Leasing, especialmente, mas também a Corretora no dos títulos podres) mais o sigilo dessa barbárie representada pelos protocolos das montadoras temos agora os segredos das parcerias da Copel, especialmente o da venda de energia, através da Tradener. Uma ação popular pede a nulidade desse contrato por ausência de ''licitação e motivação''.
Dos concorrentes ao governo o que mais teria o direito de valer-se da sua condição de defensor da estatal seria Alvaro Dias pelo impacto da posição que assumiu na denúncia de ''cartelização'' de Segredo. Requião, que agora encara com vigor a luta contra esses contratos, o da Tradener não é único, é autor de uma passagem histórica: a de ter vendido ações da Copel para resolver problemas conjunturais de ordem financeira. É verdade que preservou de forma parcial os interesses da empresa ao limitar os campos de investimentos e estabelecer que parte deles retornariam à energética.
A Copel, ao tentar justificar a venda de energia, ocultou a existência da ação popular referida (autor o professor Paulo Daniel Ferreira) e também outra impetrada pelo professor Guilherme Amintas que suspendeu aquele leilão e que a obstinação da estatal, com açodamento intolerável, quando o mandato dos atuais dirigentes se esgotará em três meses, quer transformar em venda direta. Também oculta o fato de que as operações da Tradener redundaram em prejuízos nos contratos com as distribuidoras Elektro e Santa Cruz com a Volkswagen e a Carbocloro de São Paulo.
Vivemos sob o signo da parceria. Bom era o tempo das parcerias na área cultural e que notabilizaram o Teatro Paiol, quando Lerner era prefeito. Eram as chamadas ''parcerias impossíveis'' e hoje temos as ''impagáveis'', não pelo lado gaiato e cômico, mas por não merecerem pagamento.
BIZARRICE O balanço da Copel teve um pedido de correção por parte da ANEEL. E a Copel pediu e obteve liminar para não efetuá-la no Tribunal Regional de Brasília. Segundo é voz corrente da oposição a manobra visa esconder o prejuízo causado pela Tradener.
AXIOMA Uma pesquisa indica que a renovação da Câmara Federal não ultrapassará 35 a 40% quando no pleito anterior chegou a 50%. Como diz o Jamil Nakad é duro suportar ''sempre os mesmos'', inclusive ele.
GLOSA PMDB já tem apelido para a pesquisa que Alvaro contratou ''Alvarada'' e a turma alvarista chama a de Requião (Senso-Fundação Pedroso Horta) a única horta em que chove a favor do PMDB regional.
EPIGRAMA Tony Garcia, embora por via tortuosa, está impedido de falar das aposentadorias de Paulo Pimentel. Ora Paulo, como interessado, derrubou pelo menos dois políticos pelo mesmo motivo: Saul Raiz e José Richa. Como dizia aquele sábio: façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço.
FOLCLORE Na aula de anatomia o mestre exibe o intestino grosso e delgado e o aluno, baseado na sua visão pessoal do mundo, achou aquilo parecido com a já famosa linguiça do Bisineli. Dessas há uma da Faculdade de Direito Federal do professor, irritado com o fato de o aluno não acertar uma só das perguntas do exame oral, faz um exercício de crueldade pedindo ao bedel que traga alfafa e o discente replica: ''para mim serve um cafezinho.''
CROMO Na caverna as gotas calcáreas, produzem pingo a pingo, seus ornamentos em estalactites e estalagmites. Aí o ecoturista bate nas formações em busca de um som de marimba e por um deleite de segundo mata a acumulação de séculos.
AFORÍSTICO Até aqui ainda os disputantes não falaram da mãe dos adversários. Mais um pouquinho e chegam lá que não há limites para tanta ansiedade.





