LUIZ GERALDO MAZZA
Redescoberta da Copel (3)
Nem os dois choques do petróleo, que obrigaram o mundo inteiro a reavaliar as suas matrizes energéticas, tiraram a Copel da sua monocultura hidráulica. Nem se procurou aprofundar a questão do carvão, em que pese o fato de a térmica de Figueira, Utelfa, estar vinculada à estatal. Houve um happening-mutirão em todo País na busca de alternativas, envolvendo estatais e universidades, com algumas delas desenvolvendo trabalhos curiosos sobre bateria solar e até, como se deu em São Paulo, termelétricas e vagões da Fepasa tocados por energia de origem vegetal. Reinou aí uma emulação entre essas fontes, menos no Paraná onde iniciativas frágeis trataram do biogás ou ainda das micro-usinas movidas a álcool. A Copel ficou na sua, embora já caracterizada nominalmente como empresa de energia.
Habituada à vinculação política e estratégica à corrente neysta e aos seus sucessores só iria se abrir na gestão Richa por força da pressão de fora para dentro. Até aí ela deitava e rolava e fazia exercícios, caríssimos, como o do estudo da reversão do Rio Negro que pretendia explorar um desnível já nas imediações do litoral, isso sem falar que na fase de crise também administrou as usinas a Diesel colocadas em vários pontos do Estado como parte do programa da Aliança para o Progresso.
A primeira usina de porte, a do Capivari-Cachoeira, obra extraordinária de engenharia, descurou das questões ambientais que não tinham a relevância de hoje, mas a empresa foi alertada de que era indispensável a proteção dos dois cursos dágua e havia, inclusive, o que não foi levado em conta, uma lei que criava o Parque do Capivari, de autoria do naturalista Edwino Tempeski. Quando a bacia de acumulação ficou pronta houve a evidência de problemas ambientais representados pelo surgimento de algas que atingiam a fauna e se acumularam tanto, por serem infiltráveis, que exigiram exércitos de trabalhadores para remover esses resíduos na direção das turbinas.
Apesar da condição de estadista do seu maior gestor, Parigot de Souza, ela sempre agiu como um estamento, inclusive utilizando seus quadros como tropa de ocupação de outros cargos na administração. O revezamento no poder teve o mérito de fazer aflorar alguns dos seus conflitos internos e hoje, graças ao processo eleitoral, é questionada a série de parcerias como a da Tradener, não apenas no discurso, mas igualmente em pendências judiciais. Várias delas estão no Tribunal Regional de Porto Alegre e que tentam examinar fatos anteriores e posteriores à iniciativa frustrada do leilão, incluindo a modelagem da venda.
BIZARRICE O PT se aproximou tanto dos milicos que corre o risco de ter logo mais militares do que militantes.
AXIOMA Wando distribuirá calcinhas femininas em comícios alvaristas. Isso deixará muitos em saia justa. É mais fácil aceitar um fetiche desses do que um partidário como aquela rosa do PDT regada pelos perdigotos brizoleiros.
GLOSA É puro preconceito a onda contra a aproximação de Lula dos militares. Que é uma plenária se não algo muito parecido com ordem unida?
EPIGRAMA A campanha estadual está ruim porque disputantes são repetentes como alunos que ficam para a segunda época.
FOLCLORE Explicação da afinidade de Lula com o Exército: quem há tanto procura ser presidente é, na certa, um aspirante com muito tempo de serviço. E também nem precisa ser promovido por merecimento.
CROMO O destino de todos é o clã, menos o do clandestino.
AFORÍSTICO A baba de ódio dos candidatos é tanta que muitos nela nadarão.
VINHETA Beto Richa foi o primeiro a amarrar o cadarço do sapato entre os seus irmãos. É um indicador de que pode ainda ir muito longe sem tropeçar.
SCAPS Quem desmunheca pode, como se diz, ter pulso firme.





