LUIZ GERALDO MAZZA
Redescoberta da Copel (2)
Além de ser, ao lado dos bancos oficiais, Banestado e Badep, uma das maiores fontes de financiamento dos meios de comunicação e por isso mesmo gozando de boa vontade por parte da mídia, a Copel sempre se constituiu num ''bunker'' na estrutura de poder. É verdade que se credenciou tecnicamente, em função das ações do seu maior líder, Pedro Viriato Parigot de Souza, como empresa-modelo para o País, mas nada disso justificaria que repetisse, no nível do Estado, o que se dá com a Petrobras e o Banco do Brasil.
Inclusive planos de governo, em cima das campanhas eleitorais e até mesmo no caso da consulta indireta dos tempos castrenses e castrantes, eram elaborados em suas instalações como se estivessem precedendo o ''Chapéu Pensador'', um dos de menor QI do mundo. Superprotegida, sem qualquer exercício interno de autocrítica, transformou o governo numa espécie de refém em troca da massa cinzenta oferecida e, é claro, dos recursos para promoção oficial. Com a volta da democracia, sob o governo Richa, teve que enfrentar a fúria assembleísta na hora de o governo viabilizar uma de suas metas - a da eletrificação rural. O estamento reagiu e houve vítimas com a demissão de funcionários da hierarquia média da empresa e que posteriormente venceriam as demandas na Justiça. Na base da pressão, o governo transformou a batalha da simplificação de normas numa guerra ideológica primariamente colocada entre o poste de concreto e o de madeira tratada. As clientelas que forneciam o produto baixaram os preços quase pela metade para salvar a escala do negócio. Ponto para o basismo.
O absurdo do poder conferido à Copel foi de tal ordem que assumiu o controle sobre matéria demográfica ao ponto de fazer previsão absurda para o Censo de 1980 de que teríamos 10 milhões de habitantes, cifra não atendida 22 anos depois, quando o resultado foi de 7,6 milhões.
Outra coisa: embora os dois choques de petróleo, ela não se preparou para a exploração de outras fontes energéticas, exclusão feita ao caso da eólica nos cataventos de Palmas. Ficou na hidráulica e só recentemente se abriu para a questão do gás.
BIZARRICE Em forma de jogral, cinco candidatos a deputados do PMDB produzem um dos quadros mais curiosos da campanha eleitoral. Ora as bravatas em torno da venda da Copel (teriam que homenagear Bin Laden) e ora sobre ética. O Caíto Quintana está lá para carimbar e selar tais afirmações como cartorário e a favor do aumento das custas judiciais por fidelidade à corporação.
AXIOMA Alvaro Dias em 1994 usou como símbolo de austeridade o fato de não ter a aposentadoria de governador. Aí os adversários mostraram os seus apartamentos e levantaram questionamentos sobre as suas rendas. Agora o ex-governador Paulo Pimentel, acusado de acumular três aposentadorias, teme dizer que elas são legais e justas como Richa fez e acabou ''dançando''.
GLOSA O Judiciário exige que o governo mostre os gastos de propaganda de 1995 a 1997. Foram R$ 500 milhões em quatro anos. Dava pra acertar a Copel com o Itaú ou capitalizar a Paraná Previdência. O Lechinski, que hoje é do Tribunal de Contas, a quem caberia o exame, já deu um relatório sobre o assunto.
EPIGRAMA Essa história dos descontos dos deputados pode ter outra explicação: a de que esperam ganhar dez contos, o que não é impossível.
FOLCLORE Peemedebistas queimaram um semanário na Boca Maldita porque mexia com a imagem de Requião. Era só o que faltava: a Inquisição e o Auto de Fé.
CROMO A menina de 13 anos com bolinhas de haxixe. E as de búrico, Senhor?
AFORÍSTICO Quanto mais sórdida, mais clara fica a campanha eleitoral.





