Luiz Geraldo Mazza
Episódios de ontem em Querência do Norte evidenciam apenas o seguinte: tanto sem-terra como fazendeiros só concordam com a deserção do outro lado e ambos metem o pau no governo. Que a administração pública demorou para cumprir mandados judiciais todos sabem, já que não deseja desgastes políticos e busca fazer as coisas na base do diálogo, pois conta igualmente com alternativas mínimas. Tanto que as terras que pretendia colocar à disposição da reforma agrária estão sub judice com as contestações judiciais que recaem sobre velhos grilos desde os tempos de Lupion. Aliás, se advogados se aprofundarem no assunto farão aflorar matéria dominial do tempo das sesmarias.
Na medida em que se cumpre a lei (não importa o debate acadêmico, se é justa ou não) percebe-se que o MST é encurralado porque os desocupados cobram, com indignação, as promessas de que depois de algum tempo teriam garantido um assentamento. Com a ordem de fazer esse pessoal retornar às áreas de origem, descobre-se que em muitos casos não são sequer tão destituídos quanto mais distantes de amparo familiar.
Como se trata de uma guerra simulada, ainda que com armas verdadeiras de ambos os lados, como a polícia está apurando em cada desocupação, e como se viu na bravata dos fazendeiros contra o acampamento da fazenda Saudade, o caminho para o governo é um só: não se deixar envolver pela persuasão de qualquer um dos lados. Se persistirem prisões de sem-terra, sem que haja fazendeiros na cadeia, o governo estará se mostrando faccioso. E no momento, convenhamos, essa é a aparência dominante no processo.
Para merecer o respeito da opinião pública, o governo precisa logo prender os fazendeiros que destruíram o acampamento de Santa Isabel do Ivaí. É o mínimo. Ocorre que ao lado da guerra simulada há a da informação e a da psicologia, e nesse faz de conta ela é fundamental. A questão do número de assentados no Brasil é exemplo: o governo exagerava dizendo que havia assentado 104 mil famílias quando o total verdadeiro é de 97.750 famílias, bem mais do que os 60 mil registrado pelo MST. Batalha típica de informação. Bem menos dolorosa do que a da guerra do Vietnã quando o número de baixas vietcongs dados pelos ianques era superestimado como também o de aviões norteamericanos abatidos.
PIROFOBIA Procuradores do Estado estão exigindo que o Corpo de Bombeiros verifique, em perícia, as condições de segurança da sua repartição, no prédio Castelo Branco do Centro Cívico.
Depois do que houve com o prédio do Legislativo, por incúria dos gestores, todo o cuidado é pouco. A carga sobre o sistema elétrico é um dos riscos.
MORATÓRIA Vicente Okamoto, prefeito de Goioerê, que esteve ontem com Lerner, decretou anteontem o calote branco em cima das suas dívidas com fornecedores. Arrecadação caiu, apesar dos sorrisos do Kandir, e funcionários estão sem receber desde julho.
BIZARRICE Um narrador de futebol reclamava do fato de os jogadores Dodô e Denílson andarem fugindo das divididas. Frase antológica do Adão Plínio da Silva sobre o assunto: Fazem muito bem. Quem dá o pé é papagaio.
SPRAY O maior know-how dos professores paranaenses é o da greve. Depois, porém, das imersões de Faxinal do Céu trocarão o know how certamente pelo savoir faire, semanticamente é mais fino.- Professores, desta vez, vão remar contra a correnteza: o público sabe que tiveram quase 120% de aumento em período de inflação quase nula e que o governo gasta quase o total da arrecadação com funcionários, boa parte dos quais não teve mais do que 10% no período.- Greve encontrou resistência de cara no Instituto de Educação e no interior a adesão vai ser difícil.- Deputados sem esperanças e que se agarram até em fio descapado querem faturar tanto essa greve impopular como a grita dos sem-terra.- Curitiba e Hannover, na Alemanha, ganharam o Habitat e Cássio Taniguchi vai a Bonn receber o prêmio. A não ser que Lerner faça como da outra vez, tentando substituí-lo.- Governo pretende atender até o fim do atual mandato 20 mil famílias no projeto Vila Rural. Apesar da má vontade dos demagogos, que acham que só acampamento de sem-terra é que tem valor, esse número é surpreendente. Uma reforma agrária diferenciada com glamour. E isso é o que mais irrita a oposição de Curitiba que achava a Ferrovila invadida mais bonita e funcional do que a estação-tubo, o ligeirinho, a Ópera de Arame, o Jardim Zoológico.- Quebra do sigilo em torno dos protocolos das montadoras vai ser a revelação do segredo de Polichinelo. Ministério Público aprovou tanto o pedido de Requião quanto o do PT para a abertura. Não está, no entanto, na pauta do Órgão Especial do TJ de hoje, como se esperava.- Por que o posto Banestado da Rodoferroviária só atende a URBS? Ninguém entende a exclusividade que poderia ajudar o comércio local.- Concorrência de Araucária em torno de equipamento para iluminação vai dar rolo.-
FOLCLORE Jota Carlos mandou uma quadrinha para a CBN quando se discutia o esvaziamento do PSDB de Álvaro Dias. O elegante de Quatá// ainda entra pelo cano// Se o Ibama lhe acusar// da extinção do tucano//.
CROMO Luizinho, meu neto de três anos, volta, com os olhos azuis iluminados de uma visita ao zoológico, e de tudo o que viu se encantou com o quadúplede.
AFORÍSTICO Maioria de deputados pefelistas que vetou Paulo Cordeiro sabe que se ele entrar, correm o risco de não se eleger. Que moral, hein?





