LUIZ GERALDO MAZZA
Redescoberta da Copel (1)
De repente os políticos descobrem a Copel, a jóia da coroa que Lerner quis vender. Se há uma empresa super-protegida, com salvaguardas semelhantes às que cercam nacionalmente a Petrobras, é a nossa estatal. Tão cuidada que me lembro claramente do acordo entre o jornal ''Última Hora'' e o governo Ney Braga ao qual se submetia a chefia de redação: cobertura total à figura do governador e nem uma linha contra Banestado, Badep e Copel, braços financeiros e que pagavam o dinâmico matutino com cara de vespertino. Compensação era o pau geral na Segurança, Saúde, Agricultura, Educação e demais órgãos para garantir-lhe o caráter populista e combativo, ideologicamente vinculado ao populismo sofisticado dos neo-getulistas. Tanto era verdadeiro o acerto que a greve dos professores teve cobertura a mais ampla possível e com a UH surfando no movimento.
Pois o pessoal descobriu a Copel, essa esfinge que nunca foi submetida a qualquer crítica mais severa, embora desfrutasse de posição hegemônica no sistema ao ponto de ter uma equipe de ocupação de secretarias e órgãos importantes, incluindo a pasta fazendária, aliás, magnificamente dirigida por Edson Neves Guimarães no segundo governo Ney Braga. O poder incontrastável a transformava em algo muito próximo da Petrobras como a visão do Estado dentro do Estado. Protegida por uma bateria avançada de ''caixas pretas'' raramente se via um Tribunal de Contas a questionando. Uma das poucas vezes foi uma dessas quinquilharias por causa de relógios folheados a ouro dados pela direção como prêmio por anos de serviço, o que é pecado venial.
Inclusive a montagem do esquema de privatização entrou em crise quando ficou claro que maliciosamente queriam valer-se da imagem de Ney Braga que presidia o Conselho para que ele, que na verdade a construíra e desenvolvera, apoiar a monumental sacanagem do leilão que denunciamos à época e com o máximo apoio da família do grande líder e ex-governador. Para derrubar a padronagem rigorosa relativa à eletrificação rural, uma das metas-chave do governo Richa, tivemos que apelar nos meios de comunicação para uma batalha ''ideológica'' que mexia com as normas de posteamento. Isso mostra como é difícil controlar estamentos.
Houve necessidade de usar o alarido das ruas para remover resistências.
BIZARRICE Pelos exageros dos recursos na Justiça Eleitoral só falta agora a oposição sugerir que a novela ''O Beijo do Vampiro'' é uma propaganda sutil da candidatura de José Serra. Um genérico do Drácula.
AXIOMA Tudo bem a campanha aquece. Mas quem, afinal, vai puxar a descarga?
GLOSA No debate da Record só faltou o Serra voltar-se aos três que o atacavam e à maneira de briga de guri na rua dizer: ''tudo bem encaro todos, mas um de cada vez é claro''.
EPIGRAMA A oposição que explora a não venda da Copel deveria, antes de tudo, homenagear Bin Laden e o Mercado.
FOLCLORE A base aliada do governo está disposta a derrubar mais vetos. A falta de dinheiro, quer para atender demandas políticas ou empresariais, é um insumo fortíssimo da democracia. Dá para ver pela agilidade atual da imprensa, nunca tão agradavelmente livre.
CROMO O bafo no espelho: o transitório evanescente, mas a vida pulsa.
AFORÍSTICO Sucessão no Paraná é um convite à descrença e ao niilismo pela condição dos candidatos.
VINHETA Tarzan não diria sobre Jane o que Ciro Gomes falou da Patrícia.
SCAPS Valdir Pugliesi disse que o voto é a hóstia da democracia. E o comício não será por acaso a eucaristia da consciência? Stanislaw Ponte Preta, mas que falta pungente que você faz.





