Síndrome Serra


A última pesquisa Ibope detectou os efeitos sobre o eleitorado dos programas de tevê e rádio e revelou, de saída, dados curiosos: Alvaro Dias caiu três pontos, Requião um (o que pode ser neutralizado pela margem de erro indica que não subiu, como se esperava e o afirmou o instituto do PMDB), Beto Richa subiu dois (como tinha cinco e chegou a sete cresceu 40%) e o Padre Roque ganhou um. Aumentou o número de indecisos e dos votos brancos e nulos na simulação de segundo turno, indicadora discreta de rejeição dos polarizadores da campanha, pelo menos até aqui.
A preocupação deve ser a tônica de todos os comitês. Richa com a obrigação de ir mais além do que essa ruptura do dado inercial, Alvaro e Requião com a de recuperar, de qualquer jeito, o espaço perdido e o Padre Roque no empenho em evitar o aprofundamento da sua ''cristianização'' entre petistas. O raciocínio é singelo: a recuperação de Serra em todo o País pode ser um indicador de uma síndrome como já o é a ''contaminação'' da queda de Ciro Gomes em cima de Alvaro Dias. Ciro caiu em lugares em que liderava como no Paraná e Rio Grande do Sul. Aqui Serra ultrapassou-o com 19 contra 16 pontos e Lula permanece na frente com 34 pontos, apesar da queda de quatro pontos.
O fator Serra recomendaria a Requião que não se declarasse lulista antes do tempo, faturando também a simpatia tucana. E se as ações retaliatórias entre os candidatos polarizadores tiver continuidade deve ocorrer baixas nos dois lados, posto que o alvarismo não tenha muita pegada para ''baixarias'', área em que o PMDB detém o melhor ''know how''.
BIZARRICE O apagão de ontem em Curitiba alcançou o Centro Cívico, o que tem tudo de redundância.
AXIOMA Bastou anunciarem, ontem, a entrada de Lerner na campanha de Beto Richa para que o comitê central do PSDB ficasse às escuras. Acontece que se Lerner aparecesse garantiria, com o brilho costumeiro, a luminosidade.
GLOSA Enquanto a maioria paga seus tributos com a maior dificuldade, o governo concede isenções às multinacionais automotivas com prorrogação do ICMS por 14 anos e moratória a mais 69 empresas. O governo divulgou a notícia para tentar sugerir que não há privilégio às montadoras. Mais tarde ele cede a elas mais morango com nata, afinal o que falta.
EPIGRAMA O profeta do capitalismo Lester Thurow, quando o governo paranaense se dedicava à guerra fiscal para atrair montadoras, alertou que não era preciso ser gênio em geopolítica e logística para perceber que na América Latina os investimentos só poderiam se dirigir ao Brasil e à Argentina, mais aquele. Como o Paraná detinha as vantagens da melhor infraestrutura e outros fatores locacionais esses já seriam atrativos suficientes. O pessoal daqui foi fundo e agora lastima. E não se trata de crise conjuntural e sim geral porque abrange todo o sistema posto em choque. Se isso é poupança, suicídio é arte de viver. Nada menos do que o sacrifício de uma geração: 21 anos. Vai ver que por isso os áulicos argumentam que a economia do Paraná alcançou a maioridade.
FOLCLORE O governo tem o seu DataVênia, o Telecidadão e o PMDB o seu, o Senso, para pesquisas de opinião. No DataVênia o governo tem 71% de credibilidade, no Senso o Requião perde por um ponto de Alvaro, mas ganha na espontânea. Ibope saiu anteontem e cortou esses baratos: quanto a Lerner mostrou que tem 31% de ruim e péssimo, escore jamais atingido por antecessores.
CROMO Um estranho fetiche fazia da jogadeira a santa da bolinha de búrico.

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