Ao governo Lerner não resta alternativa nesse episódio de Santa Isabel do Ivaí: obriga-se a punir, exemplarmente, os ‘‘rangers’’ que, numa demonstração ridícula de intimidação, destruíram o acampamento da fazenda Saudade. Não é preciso recorrer à anti-lei de Segurança Nacional (que aliás um idiota do PT, outro dia, invocou para combater a campanha da Confederação Nacional da Indústria, sobre as reformas) para o enquadramento. Formação de quadrilha, entre tantos outros delitos, serviria para a classificação.
A área tem um histórico de equívocos do governo atual como aquela mal inspirada ação do DER contra o acampamento que se formara na estrada, que a rigor serviu para viabilizar o despejo da fazenda. É que os sem-terra faziam movimentos que consistiam em entrar na propriedade e dela sair com a ordem judicial, ficando na faixa de domínio da rodovia. Lembro que o diretor do DER de então chegou a falar em ‘‘uma ferrovila de 10 mil quilômetros’’, o que conota, desde logo, o caráter político que atribuía ao evento e de forma imprópria pela inimaginável hipótese de uma ocupação que nem com o reforço dos migrantes do Zaire, mais os da Etiópia, se completaria.
Naquela ocorrência acharam um ‘‘bode expiatório’’: o coronel Abrão, afinal o comandante do Policiamento do Interior, destituído para ‘‘pasteurizar’’ as ações e omissões do governo. Tal qual Álvaro Dias quis fazer com a PM em 88 com as bombas do Centro Cívico.
Por tudo isso, e para desmascarar também o oportunismo da esquerda, que silenciou no assassinato do Teixeirinha em Campo Bonito, quando o IPM foi arquivado, o governo deveria enquadrar essa Ku-Klux-Klan. O Hino Nacional não é ‘‘habeas corpus’’ de quem age como delinquente. Dá para lembrar dos versos irados de Castro Alves que reprovava o uso da bandeira que legitimava a ação dos escravocratas e indignado proclamava ser preferível que a houvessem roto no campo de batalha do que servir a um povo de mortalha.
COPELÍADAS A nossa Copel, jactanciosa de poder, vetou a participação da estatal num simpósio promovido pela Universidade Federal e para o qual havia colaborado. Argumento usado: só faria depois que saísse o Relatório do Impacto do Meio Ambiente da termelétrica a carvão no Litoral, alegando que discussões agora podem interferir na elaboração daquele parecer técnico-científico.
Em 1980, não foi exatamente o zelo científico que levou a Copel a sugerir, já que recebera tal delegação do governo, que teríamos, naquele Censo, dez milhões de habitantes, o que não temos ainda, quase 20 anos depois. Ela tem razão em temer a passionalização do tema ‘‘termelétrica no litoral’’ por causa do agito dos ecologistas. Mas até por essa razão deveria abrir-se ao debate, embora se saiba que haverá audiências públicas para tratar da questão.
Quanto a escorregadelas ambientais, dá para citar o ocorrido na primeira usina de porte, Capivari-Cachoeira, quando não acatando sugestões de mestres (Edwino Tempski queria um parque para proteger o curso do Capivari), sofreu com o surgimento de algas na bacia de acumulação e que chegaram a exigir reforços de trabalhadores na remoção de resíduos para evitar consequências nas turbinas, pois o material não era filtrável.
Vou participar desse seminário, num painel sobre política e poder, e sei o quanto a Copel, em que pese os seus méritos acumulados de melhor estatal e uma das maiores empresas da área em todo o País, operou como base até partidária na montagem de quadros do governo.
Isso lhe custou a injustiça da perseguição dos patrulheiros do governo Richa, que demitiu ‘‘ideologicamente’’ vários dos seus servidores, seis dos quais entraram com ações trabalhistas e ganharam o feito, obrigando-a a restituir os postos aqueles funcionários e a pagá-los pesadas indenizações.
ALEGORIA Camiseta modernosa de jovem com a inscrição na frente: ‘‘Vou votar numa puta’’. Na parte de trás, ‘‘porque cansei de votar nos filhos delas’’.
BRIZA Vem aí, não como efeito do ‘‘El Ni¤o’’, não a brisa da manhã, mas a Briza de Brizola: toma café em Curitiba, depois de amanhã, bate papo com a frente (cada vez mais anêmica) anti-Lerner, no plenarinho da Assembléia, vai depois a Pato Branco, num encontro regional do esvaziado PDT, e janta em Foz do Iguaçu, onde profere palestra num encontro de engenheiros.
Como diz o Elísio Marques, anarco-jurista, ‘‘no Paraná a direita reúne o PIB e a esquerda tenta fazê-lo com os ‘‘pub’s’’.
BIZARRICE O José Tavares, afinal, sentiu a síndrome do momento e se mandou para o PTB. A Carta Testamento de Getúlio virou todo o cenário brasileiro de 1954, a de Tavares nem tanto, apesar de ele ser um beneficiário indireto de todas as aparições do baixinho da Kaiser na televisão. Agora se liga também no baixinho estadista. Se é que Vargas tem algo a ver com o PTB de agora.
FOLCLORE Diz-se que todos os dias, ao ingressarem no gabinete de Lerner, as pessoas tentam arrumar a posição de uma tela inclinada. ‘‘Não faça isso’’ alerta o governador, pois daí Fulano de Tal não terá o que fazer. A piada cabe em vários áulicos e dá para pensar em vários deles. O quadro torto, na verdade, é o próprio governo.
CROMO Plenilúnio, a lua cheia, gravidíssima, ontem, em trabalho de parto.
AFORÍSTICO Se Mário Covas sair do PSDB, este não elege ninguém no Sul e no Sudeste. Se Lerner fosse tucano, aqui o risco não haveria, pelo menos.

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