LUIZ GERALDO MAZZA
As brigadas em ação
Uma audiência pública, convocada pelo Ministério Público do Trabalho, para debater funcionamento das creches de Curitiba, revelou o preço elevado que pagamos para a sociedade do espetáculo. De um lado promotores federal e estadual, em aberta desobediência a uma decisão judicial federal, que havia concedido liminar em mandado de segurança para que a reunião fosse cancelada, e de outro a intervenção de falanges sob domínio da prefeitura (as tais associações de moradores já empregadas para dissuadir protestos estudantis diante do Palácio 29 de Março), na base da força querendo dissolver na marra o ato convocado. Quando mais uma decisão judicial determinou o cancelamento da audiência essa já se realizara.
Prevaleceu em todas as cabeças dos envolvidos na história o direito da força sobre a força do Direito. Em primeiro lugar não se concebe que a prefeitura apelasse ao Judiciário para impedir um encontro público que apuraria até que ponto há crianças na rua e em trabalhos de risco por falta exatamente de vagas nas creches. O ato de força foi compensado com outro: como a proibição firmada por Vara Federal atingiu apenas o Ministério Público do Trabalho, um membro do Ministério Público Estadual, alegando que convocara reunião com objetivo idêntico, passou a comandá-la, entendendo que o veto atingia apenas sua colega federal. E até vir uma decisão proibindo o encontro, o Ministério Público diz ter atingido os seus objetivos, tornando a questão pública.
O Ministério Público quer assunto de sua responsabilidade para cuidar? Vá à Praça Osório, todos os dias, assistir ao festival de crianças, de até menos de cinco anos, cheirando cola e sob abandono familiar e escolar, duas situações previstas em códigos. E a prefeitura que juntamente com o Estado faz a jogada de ''marketing'' de que é ''social'' e que protege as crianças (quem contou as 70 mil que o governo diz ter retirado das ruas?) como ousa impedir, a um só tempo, por medida judicial e pela violência, um encontro para diagnóstico de uma questão grave certamente com o intuito de escondê-la ou de evitar exploração política?
Quando o Município delega, demagogicamente, funções às associações de bairros, além de legitimá-las, acaba consolidando o poder de muitas delas que exigem salvo-conduto para entrada nos núcleos, transformados em feudos, e que cobram, em alguns casos, o pedágio de caminhões de gás e de refrigerantes. É relação muito parecida com os pactos das favelas do Rio de Janeiro.
BIZARRICE O sujeito que suportar o horário gratuito, do começo ao fim, está vacinado até mesmo contra os horrores do DOI-CODI. Chatice piramidal.
AXIOMA Requião, falando portunhol, num encontro do Mercosul, lembrou Collor bilingue e também o Sarney. Uma linha muito assemelhada de estadistas.
GLOSA Uma das melhores coisas do futebol internacional de ontem no Ceará foi o bom senso da CBF de proibir Ciro Gomes de faturar politicamente o espetáculo.
EPIGRAMA Quatro vetos derrubados anteontem, resultado da ação miope do governo de viver negociando votações em troca de vantagens. Como já deu demais e não tem mais para dar que lembre do adágio: ''quem pariu Mateus que o embale''.
FOLCLORE O que está sobrando nestas eleições é o candidato Conceição. Aquele que se subiu ninguém sabe, ninguém viu.
CROMO Fim de tarde, céu de chumbo: a ilusão do veranico teria passado.
AFORÍSTICO Pode ser que não haja tantos candidatos ''gays'', mas que abundam assemelhados não se pode negar. O risco da arte de interpretar é assim, pois todo ator não deixa de ser uma espécie de travesti.





