LUIZ GERALDO MAZZA
Virtual e pouco virtuoso
Todos apostam na eficiência do palanque eletrônico, mas aqueles que nele viam a chance de virar o jogo até aqui enunciado pelas pesquisas não conseguiram ver os sinais dessa mudança. O primeiro dia do horário gratuito deveria ter exigido o máximo de suas equipes de produção e marketing para firmar o hábito e defender, institucionalmente, essa conquista democrática. Sabe-se que a audiência cresce nos primeiros 15 dias e na última quinzena e tende a cair muito a meio caminho. Como amostra, a de ontem não foi boa e para os que dependem dessa instância tudo soou como um alarme.
A administração do maior tempo é faca de dois gumes: pode voltar-se contra o seu beneficiário, nacionalmente José Serra, e regionalmente Beto Richa, como já me referi ao episódio de Ulysses Guimarães como postulante do PMDB. Lembro que Alvaro Dias, que concorreu na convenção, ficou em quarto e último lugar, depois de Iris Rezende, Valdir Pires e Ulysses. Alvaro, da mesma formação de Requião, autoritária e personalista, não participou da campanha como Roberto faria em relação a Orestes Quércia que o derrotou nas prévias partidárias.
Se o público passar a desligar os aparelhos ou sintonizar a tevê a cabo ainda nessa etapa vai ser duro fixar o interesse pelo palanque eletrônico. E os modernos alquimistas, que são os marqueteiros, vão dançar miudinho para explicar um fracasso eventual. Aliás, a propósito há um dado curioso nessa eleição: pela primeira vez os caturras, os autóctones, têm o campo aberto para agir, já que a adventícia GW que ganhava todas as eleições está fora. A turma da praça vivia exigindo espaço e agora tem, acrescentado por um dado agudo na má performance até aqui do candidato oficial, embora declare não sê-lo, Beto Richa. Só falta agora se a vaca for para o brejo, os marqueteiros alegarem que com esse candidato é impossível ganhar.
BIZARRICE Quando sugeriram que o encontro entre FHC e os candidatos visava pavimentar a transição, alguns empreiteiros esfregaram as mãos pensando que vinha logo uma ordem de serviço para asfaltar.
AXIOMA Numa reunião política um assessor do candidato a governador tomou liberdade com um empreiteiro querendo convencê-lo a baixar o pedágio. Sem sair da cadeira, respondeu de bate pronto: enfiem o pedágio naquele lugar. Como se vê em jogo de peteca não se usa tacape. No caso pedágio virou adágio.
GLOSA Uma velha piada do Arapuã sugeria ser absurdo que o TSE só desse o diploma ao candidato depois de eleito quando o necessário seria que ele o obtivesse antes. Quem sabe até mesmo o da malandragem.
EPIGRAMA Waldyr Pugliesi disse na Assembléia Legislativa que a batalha contra a venda da Copel foi a maior da história paranaense. A vitória se deve mais ao mercado e a Bin Laden com o ataque às torres geminadas do que ao fator ligado à mobilização. Isso lembra a lenda da formiguinha no lombo do elefante a correr na estrada africana e sugerindo: viu a poeira que estamos levantando?
Outra coisa: não ponham placar mostrando os que votaram contra e a favor. No caso das Diretas Já, muitos dos que votaram contra acabaram eleitos. Se a execração fosse suficiente, Maluf não lideraria as pesquisas em São Paulo e Collor não estaria bem na frente lá em Alagoas.
FOLCLORE Saques bons merecem respeito. O de Saulo Ramos é exemplar: atiraram na Roseana e o Ciro saiu pela culatra.
CROMO Como numa tela de Toulouse Lautrec imagino as colegas do jornal e da rádio dançando ''french can can'' num palco imponderável. Ganhariam, longe,
das que posaram para o artista genial em Paris.
AFORÍSTICO A cidade é ecológica, mas não sabe onde depositar seu lixo.





