LUIZ GERALDO MAZZA
O rei dos pródigos
Dentro de cinco anos, vencido o contrato de comodato do complexo de Santa Cândida, que é hoje do Itaú, o governador que suceder Lerner vai ter que se virar para arrumar espaços para várias repartições públicas, isso porque resolveu transformar o Edifício Castelo Branco, obra que põe em dúvida o badalado talento de Oscar Niemayer, em megamuseu com construções adicionais.
Antes houve aquele assanhamento em torno da possibilidade de sediarmos uma unidade do Gugenheim, como se isso fosse a coisa mais singela do mundo e não apresentasse qualquer dificuldade, com os áulicos acreditando que a imagem de Curitiba e seus ornamentos lernerianos bastassem. E decidida a obra, claro que sem pensar no acervo, buscou-se o caminho fácil: ''depenar'' os demais museus, o que já havia sido feito quando da utilização das instalações do Palácio São Francisco, antiga sede do governo, o que se deu com evidentes conflitos.
Lerner não foi apenas o leiloeiro do patrimônio público na parte do Banestado e nas parcerias que abriu na Sanepar e Copel, que não conseguiu vender por causa de um mercado assustado com as tropelias de Bin Laden. Queimou em menos de quatro anos, primeiro mandato, R$ 500 milhões (aquele tempo o real era quase paritário ao dólar) na rubrica de propaganda, dinheiro que poderia, na pior das hipóteses, ou drenar para a Paraná Previdência ou cobrir os débitos estatais junto à Copel; houve a irresponsabilidade dos Jogos da Safadeza, que o Tribunal de Contas engavetou como ''caixa-preta'', e tantas outras como o fim do Instituto de Previdência, IPE.
O museu, cujas obras em andamento dão idéia do gigantismo, vai ter que fazer uma pilhagem nos demais existentes para montar o acervo. Nada disso exigiu qualquer apreciação prévia com as áreas interessadas, não houve consulta à classe artística e a especialistas. O senso das prioridades do governador é, no mínimo, discutível.
BIZARRICE Tem candidato querendo surfar na conquista do penta. De repente, de tão assanhado, senta na réplica da Taça Fifa.
AXIOMA Auditório da Federação Espírita foi o cenário mais indicado no debate dos candidatos com os professores: é que havia além de figuras a caminho do desencarne político, ainda que apegadas à matéria, o plenário composto por gente tão sofrida que lembra almas penadas.
GLOSA Alvaristas replicam que Requião faltou ao debate por temor de encarar a baixa no recinto espírita do ''Ferreirinha'' e do Teixeirinha.
EPIGRAMA Altamira do Paraná faz feriado, dia 20, para um mutirão de toda a comunidade no sentido de combater pernilongos. O drama seria se os mosquitos se mandassem da região só para frustrar a mobilização. Uma sugestão de título para o movimento: ''o fim da picada''.
VINHETA Como estava faltando gás para a campanha de Serra, o governo resolveu baixar o preço dos botijões em 12,4% a partir de segunda feira.
FOLCLORE Maldade mesmo dos partidos nanicos, para buscar a simpatia dos professores no debate de anteontem, seria na hora em que Alvaro Dias fizesse a defesa (aliás, convincente) tocar no fundo a música funk ''tapinha não dói''.
CROMO Na casa de Guido Borgomanero, além da mostra de violinos, a coleção de gemas: resíduos fósseis fazem o eclipse do brilho da ágata. Quem disser que a paleontologia não pode ser poética e lírica é porque não foi até lá.
AFORÍSTICO Todas as previsões indicavam que o candidato que menos recursos teria, por força do seu temperamento, seria Requião. Pois se deu justamente o contrário e os bolsos vazios marcam as campanhas de Alvaro e Beto Richa.





