O vôo solidário


Corre as redações de jornais o termo de transcrição da reinquirição do Luis Antonio Paolicchi, auxiliar chave na área fazendária da Prefeitura de Maringá, em várias gestões, feito na Justiça Federal. Alguns trechos do depoimento foram reproduzidos na mídia e se transformaram em ''volantes eleitorais'' e com endereço certo: prejudicar Alvaro Dias como o beneficiário exclusivo de viagens em avião pagas por aquele município e cedido pelo doleiro Alberto Youssef, aquele, já célebre, do caso Belinati.
Ocorre que num determinado trecho das declarações feitas ao juiz federal, em 28 de fevereiro do ano passado, Paolicchi, perguntado sobre quais os valores desse dispêndio, responde: ''Olha eu me lembro que eu paguei para esse táxi-aéreo em torno de duzentos e tantos mil reais na época, que aquela época o dólar estava assim ''um por um'', porque viagens aéreas é tudo em dólar, depois converte em reais. Ele pagou aquela campanha e também na campanha de reeleição do governador Jaime Lerner.'' Muitos enxergam aí as evidências do tal ''acordo branco'', tantas vezes referido pelo senador Roberto Requião.
Em campanha eleitoral é muito comum o uso de documentos do gênero que no caso não prejudicam apenas o candidato, mas ainda o governador, citado igualmente pelo depoente, ainda preso, como beneficiário. Seria, portanto, uma espécie de vôo solidário e que explica, ao menos em parte, aquela foto colorida desta ''Folha de Londrina'' em que Alvaro Dias aparece com um boné da campanha de Jaime Lerner e que o PMDB anda explorando à exaustão.
Dá para imaginar o lixo que está por vir nessa campanha eleitoral em escala suficiente para encher o aterro sanitário da Caximba.
BIZARRICE No debate da APP-Sindicato boa parte dos candidatos ao governo prometeu revisão de até 75% nos vencimentos da categoria. É a maior prova de que essa gente não acredita nem em Deus e nem no inferno. Trata-se de penoso exercício de crueldade. Mereciam uma vaia porque sabem dessa inviabilidade.
AXIOMA Só falta agora o Gionédis fazer discurso contra o endividamento do governo que ajudou a fazer especialmente no leilão do Banestado. Pois ontem, no debate da APP, denunciou que o governo vai por a mão no precatório de Alagoas (R$ 250 milhões) e que não o utilizará para abater a dívida do Itaú e liberar parte das ações da Copel oferecidas em garantia.
GLOSA Não é só o governador que está abandonando Beto Richa. Há secretários dando apoio logístico a Alvaro Dias. Se Alvaro for eleito abriria mão do seu gosto pelo espetáculo de denunciar os escândalos do antecessor? Se com Richa, que era seu aliado de partido, aprontou denúncias imagine-se o que não faria com um prato cheio e suculento como o do governo Lerner.
EPIGRAMA Para o governo também é complicado identificar o menos ruim se Beto Richa não for para o segundo turno. O silogismo o obriga a apoiá-lo.
FOLCLORE O empresário Cecílio Almeida acredita tanto na revisão contratual do pedágio que está apoiando Requião com entusiasmo. Aliás, velhos colaboradores do lernerismo, prestadores de serviço, também estão nessa sem olvidar Alvaro.
Com um time desses para que se preocupar com adversários?
CROMO Finalmente houve a floração dos ipês amarelos e pela confusão do clima ela se dá junto com a da árvore irmã roxa.
AFORÍSTICO Para desqualificar pesquisas críticos as atribuem ao DataValium.
VINHETA Nessa reforma administrativa do Lerner houve gente que ao perder o acesso ao vale transporte acabou ganhando menos. Isso dá votos e vetos.

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