LUIZ GERALDO MAZZA
Big Brother positivo
O Paraná está mudando. Os choques havidos na posse da Associação Comercial do Paraná o comprovam. O figurino tradicional, a velha acomodação junto à corte, com o empresariado gravitando, excitado, em torno do poder, é sistematicamente contestado nos dias correntes e para o bem de todos porque entre o conflito e a paz dos cemitérios a escolha da dignidade é aquela.
Basta lembrar o sacrifício do patrono da entidade, o Barão do Serro Azul, para mostrar que cobranças alegóricas como as feitas por Domakoski se ajustam ao convívio e não à radicalidade. Ninguém convive anulando o outro, às vezes um suposto adversário. Lembro de dois nomes que até no exagero mostraram aquele traço de firmeza de uma representação que vai além de um nicho apenas empresarial para encarnar a cidadania: Oscar Schrape Sobrinho e Carlos Alberto de Oliveira. O primeiro infringindo a Lei de Segurança Nacional ao pregar o absenteísmo no pagamento dos tributos no segundo governo Lupion. O segundo trombando com Richa ao dizer que seu governo tinha sete secretários comunistas manjadíssimos, observação apropriada aos exageros da Guerra Fria.
Vivemos numa poliarquia, com vários centros de poder, o que facilita e muito a concepção de democracia em sociedades massivas e sem perspectiva de refazer a utopia da ''ágora'', a cidade-Estado dos gregos que decidia suas paradas em praça pública, tal qual pensa fazer o PT no seu assembleísmo inócuo. Quanto maior contraste melhor para todos, mais exercício de crítica, conflito e denúncia. Até na imprensa isso está acontecendo porque, pelo murchar das tetas da loba romana (o tesouro), se percebe mais fidelidade ao leitor e ouvinte, ao telespectador, pela cobrança sistemática e o fim da subvenção.
Seria impossível hoje a Rede Globo reeditar o papelão das ''Diretas Já'' como também o daquela edição manipulada do Jornal Nacional do debate em que Collor moeu Lula e ainda houve exagero. Vivemos sob o Big Brother positivo e cívico.
BIZARRICE Da mesma forma que há caixa 2 em toda a eleição é também comum, em todas elas, as pesquisas de intenção de votos, padrão ''Ferreirinha''.
AXIOMA Ciro Gomes é uma xérox de Collor e nesses casos nem sempre o original é mais autêntico do que a cópia.
GLOSA Se a mídia enchesse a bola de algum candidato como faz com o Romário, por exagerado carioquismo, ele não perderia a eleição. Boa parte dos gols do ''baixinho'' é feita em impedimento e de penalidades inexistentes.
EPIGRAMA Lula disse que tinha velhas relações com o MDB de Covas e Requião. Este jamais pertenceu aos quadros do ''velho de guerra''.
VINHETA Que conversa essa criatividade da Renascença européia: calçadões e chafarizes de lá plagiam Lerner há mais de cinco séculos.
FOLCLORE Na célebre eleição dos doze dias de Lerner apareceu uma pesquisa ''mandrake'' do PMDB atribuída ao instituto ''Aurora'' e que dava Fruet na frente. Consta que a produção vinha com a música de Carnaval de igual nome e com o refrão ''se você fosse sincera// oooô Aurora// veja só que bem que era// oooô Aurora//''. Uma ironia pouco sutil em cima da tabulação na qual muitos poderiam enxergar (haja sofisticação) ''distanciamento brechtiano''.
CROMO Caiu a caspa do candidato na tv: esperava confete ou purpurina?
AFORÍSTICO Pesquisa do PMDB (Senso-FPH) é de 27 de julho a 3 de agosto e a do Ibope de 2 a 5 de agosto. Confrontadas, elas mostram que Requião cai três pontos e Tony Garcia sobe nove pontos diante de Pimentel.





