A hora do tapetão


Não bastasse a mediocridade do quadro político, mais no plano regional do que no nacional, visível na ausência de idéias, de algo que possa conotar a noção de mudança, assistimos o arranca-rabo dos recursos junto ao TRE. Se antes da campanha propriamente dita, que só começa pra valer depois do dia 20 com o horário gratuito no rádio e na tevê, a coisa está nesse pé dá para prever que o tapetão vai valer mais do que no campeonato brasileiro de futebol.
O transbordamento natural (é próprio do seu estilo) de Alvaro Dias ao anunciar, antes da divulgação da pesquisa Ibope, que estaria com quase uma dezena e meia de pontos à frente do segundo colocado, levou o PMDB ao TRE para que as sanções lhe fossem aplicadas. De outro lado, o deputado Luciano Pizzatto, candidato ao Senado do PFL, quer impedir que a imprensa noticie a desapropriação de área da família pelo governo para a formação de um parque e que a Justiça está bloqueando o respectivo pagamento por irregularidades.
Não vai ser fácil fazer cobertura do processo eleitoral. Inclusive o Ibope e o DataFolha, a cada sondagem, estarão sujeitos a ataques retaliatórios de quem figurar por baixo. Claro que será de menor risco do que fazer reportagem sobre o narcotráfico nos morros do Rio, mas que de qualquer forma irá transformar o jornalista num correspondente de guerra.
Como teremos, na fase aguda das baixarias, algo parecido com a guerra dos babuínos, que usam as próprias fezes no combate, pode sobrar coisa pior do que sangue para o reportariado, além de coações e processos judiciais.
BIZARRICE A frase de Collor, dizendo-se igual a Ciro Gomes, das duas uma: ou é o ''abraço do afogado'' ou o ''beijo da morte''.
AXIOMA O botijão de gás é símbolo do governo FHC: foi ele que serviu para detonar a greve dos petroleiros, que poderia quebrar o Plano Real, pela reação das donas de casa, e agora pode operar, outra vez, como salvação com a baixa do produto pelo tabelamento.
GLOSA Falam tanto em metrô, mas o único existente em Curitiba é uma boate com menos suspeitas dos que as havidas em torno do novo modal de transporte.
EPIGRAMA Antes a política era feita pelos políticos e hoje quem manda muito mais são os marqueteiros e os advogados, principalmente por aqueles que acham o tapetão mais relevante do que as urnas.
VINHETA Maioria esmagadora dos vereadores candidatos a deputado e a vagas no Senado ou Câmara Federal procura apenas exposição agora para a reeleição.
FOLCLORE Requião se elegeu governador em grande parte com a encenação do falso pistoleiro Ferreirinha e agora os seus adversários querem atingí-lo com o Teixeirinha, líder sem terra, de carne e osso, morto, em sua administração, por PMs em Campo Bonito. Quem com Ferreirinha fere, sugerem, com Teixeirinha será ferido. O governo brasileiro foi condenado na OEA pelo episódio. Aliás também o governo Lerner sofreu igual sanção pela morte de um lavrador.
CROMO Um passarinho entrou e saiu no estúdio da rádio, depois foi a vez de um mini-raio conduzido pelo céu de chumbo: eu estava lá no meio da cena e não vi nem a poesia e muito menos o aviso da morte. Espero que o passarinho volte.
SCAPS Tem candidato que desmunheca até em outdoor.
AFORÍSTICO Não citem, por favor, a Renault como avanço político. Esperem passar a crise e quem sabe lá por 2004 dê para fazê-lo.
FILIGRANA A única hipótese de certos candidatos crescerem nas pesquisas é justamente um distúrbio na hipófise.

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