LUIZ GERALDO MAZZA
Hora da baixaria
Assim que tivermos o resultado de pesquisa estadual (de uma forma ridícula candidatos e partidos se lastreiam em sondagens antigas, desatualizadas) teremos o início daquilo que é mais lastimável numa campanha: o jogo baixo, a canalhice, como armas para desqualificar os que estiverem à frente. Acredita-se, pelo menos até aqui, numa polarização entre Alvaro Dias e Requião. Alvaro Dias, visado e muito por gente com quem se atritou como o empresário Cecílio Rego Almeida (caso da hidrelétrica de Segredo em que o governador fez denúncia de formação de cartel com repercussão nacional) ou o celebérrimo deputado Eurico Miranda, um dos focos da CPI que presidiu, terá os ônus e bônus daí decorrentes. Requião tentará irritá-lo, como sempre, com as velhas acusações do acordo branco e de saques como esse do ''quatrilho''.
Alvaro Dias cometeu um erro ao deixar de comparecer ao debate até porque não mantém a distância folgada das primeiras pesquisas. E perdeu duplamente porque Requião estava ameno demais, de baixos teores, e não se mostrou hábil para o conflito de idéias no encontro da Universidade Tuiuti. Levaram vantagem os que estavam por baixo como Rubens Bueno e, especialmente, Beto Richa.
O debate presidencial da Band mostrou que a regulamentação engessada abre poucas possibilidades. O que não podem fazer é omitir-se. Como Lerner fez diante de Requião em 1985 e por isso eu o apelidei de Fujaime.
BIZARRICE Um político e essa é uma obsessão comum em vários deles querendo esticar a pele para sugerir juventude aplicou um botox, que lhe valeu reação inesperada: ficou com a cara do homem elefante e saiu de circulação até as coisas voltarem ao normal.
AXIOMA Debates presidenciais como o da Band constituem excesso de comunicação e pouquíssima informação.
GLOSA Em Maringá fotos de Alvaro Dias com Jairo Gianotto, o prefeito cassado, são transformadas em ''volantes''. Já Requião divulga um cromo de Alvaro com um quépi eleitoral de Lerner para acusar o ''acordo branco''.
EPIGRAMA Ciro Gomes quase beijando a mão de ACM lembrou a cena de outro baiano, o excepcional orador Otávio Mangabeira, beijando a mão de autoridade norte-americana em visita ao Brasil.
FOLCLORE Quando da tentativa, a terceira, de um novo modal de transporte público na base eletrônica (trolei, super bonde e veículo leve sobre trilhos), Cassio Taniguchi era presidente do IPPUC e houve um debate com vereadores e interessados (eu estava lá e contra a empulhação que pifou com a de agora).
Aquele tempo o Vanhoni, bem mais radical do que hoje, engrossou o caldo quando fez brincadeira de mau gosto com Taniguchi usando a frase de anúncio que falava ''nossos japoneses'' (os brasileiros) ''são mais criativos''.
Naquele caso a criatividade dançou. Greca botou na linha os biarticulados e ninguém apurou o quanto se gastou em estudos e projetos. Como agora também nada se fará, apesar de Cassio prometer novas fontes de financiamento.
VINHETA Comitê de Alexandre Khury assaltado ontem no Bigorrilho. Se a moda pega teríamos um fator a mais para deprimir essa campanha pobre nos dois sentidos, no das idéias, especialmente, e no da ''grana'' mesmo.
CROMO ''A serpente de seda dos teus braços'' - mais um pouco da metáfora adiposa do cancioneiro popular brasileiro.
AFORÍSTICO Não quero duas ou três, mas uma só idéia nova nessa campanha. Quem a tiver detectado que me informe, por favor.





