Luiz Geraldo Mazza
O governador Jaime Lerner - relata a mais nova anedota política da praça - decidiu inserir-se no mundo virtual para provar que faz acontecer. Como havia prometido, já nos anos 70, que restituiria ao rio Belém os lambaris de rabo vermelho, referência constante das crônicas líricas de Dalton Trevisan, botou o uniforme de pescador e saiu de sua casa no Juvevê em direção ao Bosque do Papa, no Centro Cívico de Curitiba.
Lá chegando, procurou um remanso do rio Belém e depois de lançar a ceva de quirera e farinha de milho pôs-se a capturar lambaris, bocudos e jaceraias, e até mesmo saicangas. Já estava com meio samburá cheio quando notou que uma garrafa, com um jeito de ânfora, rolava em sua direção. Apanhou-a e percebeu tratar-se daquelas que aprisionam gênios, seus velhos concorrentes.
O gênio explicou a Lerner que com a globalização havia ocorrido mudanças nos rituais e que agora, em lugar de três chances, eram dadas apenas duas. Lerner tascou a primeira: Quero uma estrada de Curitiba a Nova York e de primeira classe. O gênio observou singelamente que aquilo era complicado demais com a travessia de oceanos e cordilheiras. Lerner não se deu por achado e colocou um outro desejo mais genérico para suas satisfações imediatas: Quero fazer um governo como não houve nem um outro na história do Paraná, o melhor de todos! Perplexo, o gênio pensou (não tão demoradamente como Lerner para entrar no PFL), pensou e, depois de muito refletir, sentenciou: Que tal a gente pensar na segunda pista daquela estrada a Nova York?
LEASING A questão da Leasing Banestado vai ficar para as calendas. Em primeiro lugar, por uma razão política: o ingresso do governador no PFL e a circunstância de o dirigente da entidade, Osvaldo Santos, em cuja gestão se deram as irregularidades, estar no comando dos Jogos Mundiais da Natureza.
Há informes no sentido de que desapareceram 40 páginas do processo daquela dependência do Banestado. Foi, também, rescindido o contrato com a empresa de investigação que descobriu toda a fraude.
QUINTA COLUNA No passado, Santa Catarina deu margem a preocupações com a segurança nacional devido ao movimento nazista no Vale do Itajaí. Foi nessa época em que uma das irmãs de Karlos Rischbieter estudou na Alemanha e acabou flagrada com o uniforme nazista numa publicação que a Paraná em Páginas reproduziu.
Agora o movimento O sul é meu país, de caráter fascistóide, tem bases naquele Estado e aqui no Paraná também, embora seu núcleo mais forte seja o Rio Grande do Sul. Houve tentativa de envolver o cônsul de Curitiba, Marcello Alessio, na operação, o que não tem o menor fundamento. Em reunião do Centro Italiano de Brusque, houve uma saudação à Liga Norte da Itália, o que deu margem a interpretações extensivas.
O surpreendente é que até um desembargador compõe os quadros do movimento sulista em Santa Catarina. Saída para isso: ação cultural em sentido inverso.
BIZARRICE Governo estadual, procurando sofisticar a sua comunicação, acertou com jornalistas de primeiríssima linha que chamavam de dream team. Como é uma equipe de sonho, o fato de o governo não pagá-la é encarado como um caso de absoluta redundância, de metalinguagem. Quem decanta brisa, vive dela também.
SPRAY Há semanas dirigentes da Federação Paranaense de Futebol não aparecem no sede. Aliás, o drama da água, cortada pela Sanepar, continua.- Onaireves sai candidato por uma frente partidária a deputado federal. Tentou até o apoio de Aníbal Khury para o ingresso no PFL. Aí já é exagero: do esporte já tem Osvaldo Santos, egresso da Leasing.- No feriadão, Pontal do Paraná recebeu mais de 40 mil pessoas com a festa do camarão e do chope. A festa vai pro calendário, e o rodeio de agosto também aprovou, embora com menor frequência.- Pode ser que hoje FHC conheça o ponto de vista dos secretários de Segurança sobre as mudanças na área. Cândido Martins de Oliveira, do Paraná, é relator de um dos subgrupos que se reúne na capital federal o dia inteiro.- Semana que vem, o congresso internacional (multimodalidade) de transporte em Curitiba vai se dar num momento em que o Paraná inova com a privatização de rodovias federais e os anéis de integração.- Brasmarket, aquela empresa que sugeriu empate técnico entre Simões e Taniguchi, dá Lerner na frente com 46,4%, Álvaro com 18,1% e Requião com 11%. Com isso, não tem segundo turno, mas ela insiste na hipótese. - Por falar em Simões, tem tucano sugerindo que ele foi comprado. Nada mais estúpido: no PSDB, atrofiado, teria que puxar votos e, além do mais, seu mano João não perdoa o fato de o partido ter deixado de contribuir com os gastos de campanha.- Quando falta a esperança, como disse Lerner do PDT, não há como permanecer num partido. É essa escassez de perspectivas que leva o pessoal para os lados do PTB e do governo.- Mas de tucano, a melhor é a do Naninho, Carlos Nasser, ao saber da fala de Rafael Greca de que daria de chinelas em Álvaro Dias: Eu o destruo com dois tubos de spray.-
FOLCLORE Bronca regionalista é a da Itália. Quando o vulcão Etna entrou em erupção, o pessoal do norte grafitava nas paredes Forza Etna!. Aqui, por muito menos, pegam no pé do Edmundo por ter chamado nordestino de paraíba.
CROMO Uma estrela ou uma flor, em sua majestade poliédrica, eis algo que a Internet não faz e nem exibe com naturalidade.
AFORÍSTICO Se o Montesquieu visse e ouvisse Antonio Carlos Magalhães, insistiria na ingenuidade de propor o sistema tripartite de poder?





