Cosmopolita e dependente

Para o caso do Paraná e do Brasil caberia a frase final do ''Samba do Crioulo Doido'' de Stanislaw Ponte Preta: ''e foi proclamada a escravidão!'' Quando mais se diz que ingressamos na modernidade capitalista fica mais visível a nossa dependência. Nunca foi tão clara a perda de sinais autóctones em nossa economia com a desnacionalização e desregionalização. Tirando o caso exemplar das cooperativas, que constituem um ''modelo'' nacional, como a Coamo, o que vemos é o desaparecimento sistemático de empresas e empresários locais.

E em meio a esse furor cosmopolita e também em função de ajustes indispensáveis nas corporações de porte do Brasil, a Rede Globo decidiu vender a parte que tinha em inúmeras repetidoras, como as vinculadas à RPC, Rede Paranaense de Comunicação, dos empresários paranaenses Francisco Cunha Pereira e Edmundo Lemanski. Como logisticamente essa área do mercado da comunicação vem sendo majoritariamente ocupada pela RBS, do grupo Sirotski, dominando não apenas Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que ainda recentemente vendeu a parte maior da NET à Globo, havia o risco de o Paraná perder espaço.

A RBS trabalha como poucas organizações com a valorização da cultura local e fez isso, com muita competência, não apenas no Rio Grande do Sul como também em Santa Catarina com a exibição permanente de documentários relativos à memória das duas regiões, valendo-se para tanto do talento do ator Paulo José.

Desprezados os exageros como os emitidos, ainda que com boa intenção, pelo presidente do sindicato de jornais e revistas, Abdo Aref Kudri, chamando de ''alienígenas'' as tentativas de incursão da RBS no Paraná, o fato é que mais uma perda de espaços haveria se o grupo regional fosse atropelado. Prejuízo também haveria se essa ação fosse desencadeada em relação ao segundo maior grupo da área, o de Paulo Cruz Pimentel.

Cabe à sociedade o controle dessas organizações, mas o ideal é que com elas se sincronizem, embora, às vezes, como se deu com o episódio de Londrina, se torne indispensável o apelo da comunidade à direção da rede nacional por causa das omissões relativas ao noticiário sobre Belinati e sua turma. Aliás a Globo pagou um tributo alto ao bloqueio às ''Diretas Já'' e mais tarde à vergonhosa manipulação do debate entre Lula e Collor. E a sanção foi da sociedade.

Isso ensina algo elementar: quanto mais o público participar do processo melhor será a qualidade dos meios de comunicação.

BIZARRICE Curitiba pode produzir o seu Tim Lopes. O repórter Jurandir Ambonatti, da CBN-Curitiba, foi impedido de ouvir os favelados se não providenciasse um salvo-conduto do ''líder da associação''. O prefeito de Curitiba legitima muitas dessas associações na tal da Federação de Moradores que apóia e às vezes usa como milícia para dissuadir adversários.

AXIOMA Rafael Greca desistiu do Senado, mas não da cena.

GLOSA Ciro Gomes é um Collor melhorado ou uma versão de baixos teores?

EPIGRAMA Se o pulso do candidato está latejando é porque, ao contrário do que se imagina, está vivinho da silva.

FOLCLORE O ''flanelinha'' Baiano se aproxima do Richa pai, na praça Osório, e diz que ele tinha razão quando afirmava que o filho era verde para o governo.

CROMO O poema no computador: fosforescência no quarto escuro.

AFORÍSTICO Se o Ciro é clone do Collor e Lula cada vez mais se despersonaliza, ao assumir o papel de bonzinho, ao Serra só resta fazer o ''bad boy''.

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