Luiz Geraldo Mazza
Não vamos exagerar, mas se a escalada do governo pelo facilitário na nova Lei Eleitoral continuar no mesmo ímpeto teremos, em breve, guardadas as proporções, uma reengenharia da Lei Falcão. Todos os itens que limitavam o poder governamental foram derrubados, razão pela qual, além de ficarem nos respectivos postos, presidente, governadores e prefeitos poderiam transformar inaugurações em ato promocional, têm o direito de tratar de política nas sedes do poder, estão liberados para usar o bem público do transporte (jatos só não levarão logomarcas partidárias, FHC pode convocar a qualquer momento cadeia nacional de rádio e TV sem consulta à Justiça Eleitoral, enfim a moleza típica das ditaduras.
Por que não se baixa um ato em Medida Provisória, declarando o presidente FHC reeleito, já que com essas pré-condições ficam os ônus para a oposição e o bônus para o governo? Uma nostalgia da Lei Falcão, aquela dos slides trazendo o nome e o currículo do líder comunitário, parece presidir tudo .
Como o futuro a Deus pertence e é também o senhor da razão, o jeito é ir ao Judiciário, se a lei for aprovada com essas deformações, para contestá-la e com apoio também em manifestações em todas as instâncias possíveis, pelos meios de comunicação, o parlamento, associações cívicas.
Isso é incompatível com a maneira séria com que o presidente colocou a tese da democracia radical, forma que, a seu ver, seria mais do que suficiente para colocar um filtro na enxurrada globalizante. O que está aí no diploma referido é mais próximo do despotismo do que de um regime de opinião pública. Além do mais, outras limitam o poder de denúncia como a proibição de imagens externas, de filas em hospitais, postos de previdência, meninos de rua, o que liquida o legítimo discurso, ainda que demagógico (ou alguém aí tem solução para a pobreza?) dos populistas.
A lei que deveria ser clara e não casuística vai exigir a convocação, a todo o instante, de exegetas e hermenêutas para interpretá-la, algo tão decifrável como a Pedra da Roseta.
VITÓRIA Com os Jogos Mundiais da Natureza já incluídos no calendário do Comitê Olímpico Internacional, resta agora fazê-los com a maior competência, uma vez que o cronograma do evento e especialmente das obras evidenciou falhas de organização. Um governante do padrão de Parigot de Souza jamais toleraria, ante a sua obstinação na racionalidade em prioridades, ainda mais numa quadra de estrangulamento financeiro, essa realização. Agora, como o erro já foi cometido - pois um Estado que não paga seus credores não pode exibir esse tipo de prodigalidade -, resta mobilizar a sociedade para que tudo seja um sucesso.
CAMELOS Noroeste, justamente onde se dá o maior número de invasões, é a área mais atingida pelas derrubadas. Como ali se situa o arenito do Caiuá, que tende à desertificação (não contida pelos pastos e agora pelos pomares de cítricos), dá para pensar logo em importar camelos. No geral, segundo a pasta do Meio Ambiente, derrubamos 200 árvores por minuto, em todo o Paraná, e apenas repomos oito. Uma corrida suicida.
BANESTADO O escritório de investigações que prestava serviços ao Banestado e descobriu em detalhes a truta da Leasing, que o governo se desespera em esconder por envolver gente ligada ao PFL e pesadamente, foi dispensado. Espera-se que isso não signifique amortecimento nas apurações.
A auditoria do Banco Central está em cima do assunto que até agora só gerou punições administrativas.
BIZARRICE José Maria Pizarro, em entrevista à CBN, contou história saborosa do inigualável Jânio Quadros na campanha de 1960. Zé Maria era o apresentador do comício na cidade de Olímpia, SP, e viu Jânio dirigir-se ao microfone de forma teatral e dizer alto e bom som: Jânio da Silva Quadros não é mais candidato à presidência da República! Atônitos, tanto o povo como o pessoal do palanque com a inesperada cena, mal cochichavam, alguns já meio chorando, quando Jânio, depois de tomar um copo dágua das mãos de sua mulher, dona Eloá, se aproxima do microfone e tasca: Jânio da Silva Quadros já é o presidente da República do Brasil! O mundo veio abaixo com gritos de já ganhoue estava terminado o discurso.
Se ao invés do bilhete da renúncia, ele fizesse o mesmo, daria resultado?
Parece que apostou nessa hipótese de voltar nos braços do povo e dançou.
SPRAY Feito excepcional de Cássio Taniguchi ao trazer a garantia lá de Orlando nos States para um Centro Integrado de Convenções. Tanto a unidade existente no governo estadual, quanto as áreas do Parque Barigui e Castelo Branco são insuficientes.- PC do B está noticiando que Lula, Brizola e Requião fazem logo uma caravana de combate ao governo FHC. Se pintarem lá por Foz do Iguaçu, a pretexto de melar os Jogos da Natureza, merecem nada mais do que vaia.- A técnica é manjada e o PMDB a utilizou quando da reunião preparatória da Eco 92, mobilizando o poder para desviar a atenção e mostrar áreas invadidas (que o próprio partido estimulava) em ajuntamentos diante da Biblioteca Pública.-
FOLCLORE Hoje é dia do jantar dos patobranquenses no Madalosso. Dizem que até o Alceni Guerra, prefeito, pode faltar, menos o delegado de polícia Aprígio Cardoso, o Patão. É como ir a Roma e não ver o papa. E no caso, o papo.





