LUIZ GERALDO MAZZA
Antifeminismo explícito
De uma coisa, pelos fatos até agora ocorridos, dá para acusar a base aliada do governo paranaense: o seu exasperado antifeminismo. Primeiro aprontaram tudo em cima da Emília Belinati, detentora de um currículo invejável de lealdade ao governador nômade como um cigano que temos. Ela poderia, se tivesse as artimanhas do marido, ''aprontado'' situações constrangedoras, por exemplo, fazendo mudanças temporárias no secretariado. Foi de uma fidelidade extrema, mesmo depois que o PFL inteiro, que havia feito festa para Antonio Belinati ao ponto de atrair a cúpula nacional do partido a Londrina, deixou-o entregue às feras sem esboçar qualquer sinal de defesa, embora se guarde a impressão de que o cassado e condenado, em momento algum, procurasse comprometer os parceiros metropolitanos.
Como isso se deu depois da eleição de Marta Matarazzo em São Paulo, da subida e queda de Roseana nas pesquisas até a esborrachada da devassa na Sudam, e mais ainda da recente escolha da longilínea Rita Camata para vice de Serra há todas as condições para acreditar-se que se trata de algo com método demais para ser confundido apenas como um ato de deslealdade e malícia. E agora para confirmá-lo vem a onda contra a Nitis Jacon, cuja candidatura ao Senado pelo PSDB parecia consolidada, para ser substituída por um desconhecido. Trata-se aí de algo mais grave do que o ocorrido com Emília que como política de longo curso até poderia prever esse tipo de sacanagem, ainda mais no caldo de cultura em que atua. Ocorre que Nitis não é uma política no sentido primário da expressão. É política na visão aristotélica, que atribui essa dimensão a algo inseparável do próprio ser, portanto uma razão ontológica.
A GUERREIRA Nitis é uma guerreira, desde os tempos em que a conheci como estudante de Medicina em Curitiba. Envolvida em política e também na arte como atriz de excepcional talento, no norte do Paraná ela iria revelar, como dirigente cultural, o dinamismo que encontraria o seu remanso no Filo, o que seria o suficiente para consagrá-la. Políticos profissionais são escassos de valores éticos e escrúpulos e convocá-la e desconvocá-la é algo tão insólito que só pode ser creditado a uma onda antifeminista.
Isso é muito ruim num momento em que a mulher ''porreta'' a senadora Heloísa Helena, de Alagoas, renuncia a disputa ao governo pelo PT face a aliança feita com o PL e que favorecerá o retorno de Collor, hoje um aliado oblíquo de Lula como também Maluf em São Paulo e ACM na Bahia. Sua renúncia é afirmativa porque centrada numa questão de princípios. A saída de Nitis uma grosseria.
BIZARRICE Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Taniguchi não foi ontem à Polícia Federal e essa deve ouví-lo na Prefeitura de Curitiba. É o caso do Caixa 2. O consumado, segundo o Ministério Público, e não o articulado e tentado como o de Santo André.
AXIOMA O transporte coletivo de Curitiba sobe pela segunda vez neste ano e como a Urbs pretendia um reajuste maior já dá para imaginar que o ícone urbanístico da Capital vai também prejudicar Beto Richa.
GLOSA O Plano de Cargos e Salários que teoricamente beneficiaria 46 mil servidores do Executivo não é pra já e sim pra depois e para gerar, em consequência, efeitos políticos. Vai depender para aplicação de programa de avaliação de desempenho funcional o que requer muito tempo e os beneficiários ficam à espera de uma ilusão. Se assim for é caso de malandragem de parque.
FOLCLORE Eleição para governador em Brasília: Roriz não consegue soletrar a palavra catástrofe e Cristovam Buarque, seu adversário, o corrige. O povão, identificado com quem fala errado, votou em Roriz.





