Lerner, grande eleitor?

Há quem afirme, e junte farta documentação para comprová-lo, que Lerner ainda é eleitor máximo das forças situacionistas. Que tem prestígio, em função do tempo que está no poder e da propaganda massiva, não se pode negar. Também não há como contestar a sedução derivada. Mas ele mantinha todas as credenciais em 2000 na reeleição de Cassio Taniguchi e assim mesmo foi aconselhado a não por a cara no andamento do segundo turno até porque havia a crença de que a sua presença em ''comerciais'' no primeiro turno teriam efeito desastroso.

Claro que houve quem exagerasse ao afirmar que aquela presença de Lerner no primeiro turno é que levara a disputa para o segundo turno, o que também não tem o menor fundamento por mais desgastado que estivesse o governador. Mas se não é Lerner quem é o eleitor-chave do sistema? Ele e Cassio Taniguchi serão obviamente os primeiros. Se o ''pique'' recente do governador em viabilizar a frágil candidatura (pelo menos até aqui) de Beto Richa se mantiver, haverá certamente infração à legislação porque é visível o caráter postiço do candidato e também a sensação de tédio que transmite.

O brasileiro, de um modo geral, ama o governo e é por isso refratário às mudanças na base da ruptura. Foi enganado várias vezes e na de Collor de Mello reagiu, em tempo, para pedir nas ruas a sua deposição. Houve outra passagem de enganação na eleição de Jânio Quadros, o que prova a persistência do patriarcado, no qual o eleitor vê o presidente da República como uma espécie de pai-patrão. Sob esse aspecto a experiência recente da reeleição é o fato novo e que pode ter provocado algo próximo da saturação, como se viu na quase derrota de Cassio Taniguchi e nos baixos índices de candidatos oficiais, tal qual se dá aqui também.

Ainda assim não se justifica o triunfalismo da oposição até por estar muito dividida: são mais de quatro candidatos contra um.

BIZARRICE Ganhamos quatro Copas em regime democrático e uma, a de 70, na ditadura de Médici. As que mostraram o País com a economia em alta foram as de 58 com JK e de 70 com o regime militar. Hoje temos democracia em escala como nunca vista e praticada, euforia geral pelo penta, mas a esperança mínima.

AXIOMA FHC comparou a conquista do penta à da estabilidade. O caso do Brasil é como o do doente, cujo estado se mantém estável. Isso também é estabilidade. Um morto só deixa de ser estável quando entra em decomposição.

GLOSA FHC, com essa apologia à estabilidade, lembra o discurso-lamento de Sarney a destacar o Plano Cruzado quando a inflação já chegava perto de 90%.

EPIGRAMA Se com essa crise vai ser difícil o caixa 1, imagine-se o caixa 2.

VINHETA Lula tem apoio de Quércia e Maluf em São Paulo, de ACM na Bahia e de Collor de Mello em Alagoas. Oportunismo é de quem apóia ou de quem é apoiado?

FILIGRANA O suplente de senador de ACM era o filho e o de Jader Barbalho era o pai. Por que não poderia o genro (Luiz Mussi) ser suplente do sogro Pimentel?

FOLCLORE Se com a propaganda institucional, o Beto Richa estava lá embaixo dá para imaginar o que vai acontecer com ele, agora que ela é proibida. Se crescer dá para suspeitar que a propaganda é que o atrapalhava. Ficaria aí também demonstrado que a agência ''pensa que faz'' propaganda.

CROMO A bolha de sabão mesmeriza, seduz também, os meninos de rua.

AFORÍSTICO Vai bem o Gionédis no Coxa: querem hipotecar o CT do Atuba. Saiu do governo, mas manteve o estilo.

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