Luiz Geraldo Mazza
O pano do circo
As três pancadas foram dadas, a cortina do circo se abre lentamente e agora o espetáculo vai começar: como não saiu o acordo entre PSDB e PMDB, o senador Roberto Requião vai às emissoras de tv e rádio e deita e rola. Primeiro explica por que é candidato: para evitar que Alvaro Dias ganhe as eleições e tenhamos o José Carlos Martinez como secretário da Fazenda, o Tony Garcia na condição de secretário da Cultura, o Janene na área de Obras e Transportes.
Tirando o lado divertido das analogias, bem ao estilo do guerreiro, o que se percebe, como constatação trágica, é a pobreza dos nossos quadros, algo muito próximo da extrema indigência. Deu para percebê-lo, ainda ontem, na atitude selvagem dos estudantes que impediram o ministro da Educação de manifestar-se num evento no Centro de Convenções. Alegoricamente há alguma semelhança entre a cena e os disparos do narcotráfico dirigidos à Prefeitura do Rio de Janeiro.
É que perdemos a noção de limites, ditados pelo Estado de Direito Democrático no momento atual. É claro que a ação dos estudantes em Curitiba é bem menos acintosa, o que politicamente é tão primária quanto a outra.
Se tudo continuar nesse quadro, dá para imaginar o que serão as eleições deste ano: uma sordidez, já definida, nos cambalachos em andamento. Quando a autoridade policial novaiorquina decide adotar a tolerância zero para reduzir, de forma drástica, a carga da criminalidade percebe-se que existem condições culturais para que se institucionalize a medida. No Brasil, não. A permissividade é de tal ordem que não há mais parâmetros, o vale tudo surge como o meio mais racional de ajustar as coisas, o que é um absurdo.
O quadro político do Paraná, com a pobreza das alternativas apresentadas, é um decalque do Brasil. Divertido, mas trágico. Votarei, obrigatoriamente, outra vez, no menos ruim, o que não é fácil escolher. E que não deixa de ser uma versão bem humorado da doutrina do mal menor de Santo Tomaz de Aquino, o sábio da Suma Teológica.
BIZARRICE Estudantes não passam também no provão da democracia como se viu, ontem, na violência selvagem no Centro de Convenções e que impediu o ministro da Educação de falar. Eles pensam, os bobalhões, que isso é uma espécie de ato revolucionário e não apenas falta elementar de educação, respeito à diversidade, fundamento principal da democracia. Fascismo.
AXIOMA Estamos menos preparados do que os alemães para a derrota. E isso, covenhamos, não é nada bom.
GLOSA Dizem que a Copa do Mundo foi um caso de nivelamento por baixo. Quem disse isso está por fora da eleição no Paraná, que é muito mais grave.
EPIGRAMA Lula, tentando minimizar as ocorrências de Santo André, disse que se tratava de um troco. É o que realmente a maioria pensa: uma troca, ou melhor, um caso a mais de matroca.
FOLCLORE No meio da tarde de ontem se dizia que Requião poderia ter como seu vice, o ex-secretário de Fazenda de Lerner, Giovani Gionédis, o que seria perfeitamente possível. Haveria um tesoureiro prévio, já que o senador, por causa do seu estilo, encontraria dificuldades de apoio financeiro.
CROMO Olho nos teus olhos e vejo mais do que a minha imagem, difusa, em sua íris, e me aproximo, em mergulho, de tua alma.
AFORÍSTICO E se o Brasil perder amanhã com que cara ficaremos? Como a de 50 no Maracanã ou a de 1998 na França naquele baile vergonhoso?





