Capitalismo em xeque


Primeiro o caso Enron, a maior empresa de energia dos Esteites, que armou fraude contra os acionistas num trauma considerado por muitos mil vezes mais grave do que o ataque às torres geminadas. E isso por uma razão simples: foi atingido o fundamento do capitalismo popular ianque centrado na confiança.
Há várias denúncias de situações semelhantes em outras áreas como a de saneamento e agora, com o escândalo da WorldCom, as telecomunicações, que aqui, no Brasil, controla a Embratel. O ocorrido, sob o ponto de vista ético, se é que há lugar para tal no processo capitalista, é tão grave quanto o crack da Bolsa de Nova York em 1929 e que pegou o Brasil sem calças e com ele o mercado da sua principal ‘‘commoditie’’, o café, como a novela ‘‘Esperança’’, da TV Globo, o está demonstrando.
Se os norte-americanos se exasperam com a corrupção que lavra nos países do Terceiro Mundo, como o Brasil, dá para imaginar como encaram tal fenômeno que abala as estruturas capilares do sistema e do ‘‘american way of life’’. Não podem os mandatários norte-americanos desprezar soluções contra os ataques especulativos que volta e meia ocorrem no mundo e que exigem adoção de medidas de correção se dentro do próprio país revelam extrema fraqueza. A empresa teria inflado seus lucros em US$ 3,9 bi e a notícia da fraude derrubou as bolsas em todo o mundo e no Brasil as ações da Embratel caíram 20%.
Com os vários casos de fraude no centro do sistema (e todos com efeitos devastadores no Brasil, como já havia se dado com a Enron que detém unidades energéticas no país) é hora de soar o alarme. Se o ataque às torres gêmeas de 11 de setembro levou os Estados Unidos a criarem restrições à liberdade dentro do seu território é indispensável que haja algo equivalente para o controle das fraudes e da pirataria mundial que se revela nos ataques especulativos.
BIZARRICE Aqui o PT quer transparência no caso do caixa 2, embora a Justiça Eleitoral determine que se o faça em sigilo, mas lá em Santo André não quer que uma CPI tenha seus procedimentos revelados em público.
AXIOMA O dado ético era apontado como ‘‘diferencial’’ entre o partido e seus concorrentes. Como o ético é mais teoria (o ‘‘dever ser’’) do que prática, agora se vê que PT, PFL, PSDB, PMDB e PPB lembram a diferença que há entre efervescentes como Sonrissal, Alka Seltzer e Sal de Andrews. Tudo igual.
GLOSA Sucessão estadual vai ser assim: Alvaro Dias e Requião disputam Fórmula 1 e Beto Richa a prova de kart.
EPIGRAMA A melhor coisa, sob o ponto de vista moral, ocorreu nas negociações sucessórias entre PSDB, PMDB e PFL: melou tudo, o que é bastante saudável.
VINHETA Lerner iria ficar apenas exilado do processo eleitoral se houvesse acordo com Requião. Agora vai ser derrotado, o que talvez lhe pareça melhor.
FOLCLORE Perguntava-se na CBN Curitiba ontem: se o Brasil for penta seria o caso de fazer feriado na segunda feira? Estudos sociológicos mostram que quando o Corinthians ganha ou perde há faltas ao trabalho normalmente. E depois de tudo isso o Brasil desperta sonâmbulo com o dólar na estratosfera.
Com a vantagem de estar feliz e anestesiado. Esse é o ópio do povo.
CROMO ‘‘Almofadas de veludo, o céu parece// as estrelas, alfinetes prateados’’ - trecho do cancioneiro popular brasileiro. Gôngora também é nosso.
AFORÍSTICO É mais fácil limpar a pauta da Assembléia do que aquele Poder.

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