Luiz Geraldo Mazza
A resposta que não veio
Volta e meia o crime organizado apronta cenas bem semelhantes a que desencadeou no Rio de Janeiro metralhando a prefeitura. Já o fizeram inclusive com instalações militares, o que prova a que ponto chegou a ousadia desse poder paralelo.
A CPI do Crime Organizado, apesar das apurações feitas e de alguns casos isolados de prisões e cassação como a do célebre deputado Hildebrando Pascoal, não foi levada a sério. O Paraná é um desses exemplos, bastando lembrar que apenas um personagem do mundo dos desmanches, altamente articulado à classe política, o Caboclinho se encontra preso e o seu concorrente, Mandelli, foragido. Nada avançou ou se isso aconteceu foi em pequena escala, mesmo com a ousadia dos delinquentes chegando ao ponto de incendiar a Promotoria de Investigações Criminais em Curitiba.
Episódios como a da sequência de assassinatos de Almirante Tamandaré mostram que servidores públicos, civis e militares, não agiriam tão à vontade se não contassem com a cobertura de políticos. Tal se repete na questão da morte do deputado Tiago Amorim. Essas referências são feitas para lembrar que dentro em pouco estaremos com o próprio Paraná inteiro, especialmente nas duas regiões metropolitanas mais importantes, a de Curitiba e Londrina, tomados por essa forma de anomia inaceitável por revelar a impotência do poder público em fazer valer o sentido da lei e da paz social.
Até agora para o desafio do Rio de Janeiro, o mais grave de todos pelo sentido da provocação, só houve perplexidade e muita retórica. Nada mais e isso tem o sentido de deserção, derrota antecipada.
BIZARRICE A ética dos políticos, como se vê nos arranjos de última hora, é bem pronunciada pelos gagos: é-ti-ti-ca... é-ti-ti-ca... é titica.
AXIOMA E agora o Tony Garcia se especializa também em fazer gol contra ao lado de Osmar e Alvaro Dias. Tony é um craque em consórcios, também partidários.
GLOSA Alvaro Dias disse que o encontro entre Requião e Greca é de iguais. Como seria o dele com Greca no item vaidade. Na prepotência todos quase empatam.
EPIGRAMA Afinal o Beto Richa está sendo jogado ao vento ou mais propriamente levado ao mármore do inferno?
FOLCLORE É tempo de cristianizar. Quase todos correm o risco. A começar do Beto Richa passando pelo padre Roque e mais o Rubens Bueno. O termo surgiu em 50 quando o PSD tinha o candidato Cristiano Machado e deixou de votar nele para fazê-lo em favor de Getúlio Vargas. Se Beto Richa estiver com a pontuação que lhe dão as pesquisas, como um cristalizado em menos de quatro pontos, acaba pondo em risco a postulação de José Serra num dos mais importantes colégios eleitorais do Brasil. Uma razão nacional pode anular o candidato.
CROMO Serenidade, sim. Nunca extrema porque a mais radical é a morte.
AFORÍSTICO Para suportar os miasmas da política, principalmente nesses dias que precedem as derradeiras convenções, é preciso ter antígenos como os corvos que revolvem o lixo e a carniça e não se contaminam.
VINHETA Não é preciso ser exagerado para descobrir que algumas ações concretas dos políticos produzem menos lágrimas e suor e muito mais chorume.
FILIGRANA A melhor pessoa desse governo é dona Fani. Mas nem ela tem indulgência plenária para constranger uma repórter como fez ontem com a Kátia.





